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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A Poetisa se Foi...


Imagem: autor desconhecido

A poetisa se foi!
Pegou carona com o vento...
Quase uma gripe ao relento...
Mas foi!

Estando ainda insatisfeita,
Percebendo-se imperfeita,
Pela desgraça foi eleita,
Na cama manchada e desfeita.

E a poetisa de novo se foi!
Subiu nas costas do nativo...
Num sonho louco intuitivo...
Se foi!

Mas era solitária a madrugada,
A inspiração estava guardada,
Na mente estilhaçada,
De maldição perpetuada...

E a poetisa deu um oi!
Para a ingrata e esnobe vida...
Que remexe a ferida...
Hei, Vida! Oi!

Vira o leite com café,
Procura debaixo dos livros a fé,
Vendeu o carro e ficou a pé,
Adeus coluna, bye bye, inté!

Vai de novo poetisa! E foi!
Estralando todos os dedos...
Ignorando os próprios medos...
O medo de repente também foi!

Acorda e passa o dia dormindo,
A luz do sol do nada foi sumindo,
A lua já estava subindo,
Pra que chorar? Sofre sorrindo...

Mais uma vez a poetisa se foi!
Deu uma de Jó e rogou-se pragas...
Mexeu com os cacos as próprias chagas...
Doeu mas foi!

Para espantar o mal acendeu incenso,
Pouca fumaça para o espaço imenso,
O perfume enjoava intenso,
Caiu, bateu a cabeça e perdeu o senso...

Levanta e vai! E foi!
Esfregou as mãos na face...
Quem sabe o tempo passe...
Levantou e foi!

Cata baralhos espalhados no chão,
Junta garrafas pet no porão,
De treco e cacareco tem coleção,
Inchado arrebenta o coração...

Explodiu e a poetisa se foi!
O aquário está lodo puro...
O pescoço vai ficando duro...
Vai logo! E foi!

O quarto virou sepultura,
A Vida declarou ditadura,
Na sessão de tortura: acupuntura...
Viu a agulha e sentiu tontura!

E a poetisa queria voar e foi!
Numa pipa pegou carona...
Olhou pra baixo e se fez chorona...
Caiu e se foi!

Vive morrendo a poetisa que se vai!
Levanta-se sempre que cai!
Ri toda vez que grita ai!
Na garganta só gargalhada sai!

A poetisa foi mas voltou!
Está mais destrambelhada...
Bem mais desatrelada...
Fazer o que? Voltou!


Pois é... Foi!


-=Shimada Coelho=-São Paulo, 09 de Maio de 2009.

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