Destaque para outras Almas Nuas

Mostrando postagens com marcador CARTAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CARTAS. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Sem ti, Saudade...

 



Sentir falta, sentir saudades, só mensura a dimensão da importância e valor de uma pessoa pra nós: não que sejamos o mesmo para o outro... O passar dos anos ensinou muita coisa. Desaprendê-la é regredir. Ficar mudo não muda nada: o silêncio diz o suficiente.

Eu te levei â sério demais, eu abri meu coração e minha Alma, eu te trouxe para minha Vida e agora, não ficou nada porque nunca houve nada: era eu quem nutria os melhores sentimentos e só eu. Ouvi muitas pessoas falando sobre você e o sigilo me fez apenas ouvir calada. Você foi chamado de "homenzinho" à "narcisista sem noção da própria pequenez". E eu... Eu me mantive muda assim como você está, porque eu sei honrar pactos, e você? Pelo visto, só eu enxergo sua grandeza, esta que nem você mesmo enxerga...

Eu dou as costas e sigo, sabendo que apenas uma coisa me faria parar no caminho ou voltar atrás. Apenas uma coisa... Mas sigo... Em paz, com minha consciência tranquila, porque tudo que fluí de mim, ficou dentro de mim: nunca chegou à você porque não era pra ser.

Vou seguir. Porque eu e quantas mais existirem, jamais serão o bastante pra você, mas, o simples fato de saber que você existe, me basta.

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Sou estranha: me aceito, mas, me esforço em ser melhor

 “Eu me importo comigo mesma. E quanto mais solitária, sem amigos e sem sustento, mais eu me respeito”. 

Charlotte Brontë, poetisa e escritora.


Eu feita por amigo autista


Meu corpo não é resultado do passar dos anos ou da falta de cuidado: é resultado de ataques, omissões, agressões, violência... Como não sei esconder nada, mesmo a dita violência verbal ou psicológica, irá transparecer no meu exterior. Isso acontece com alguém que não reage, não se vinga e não guarda rancor... Pessoas assim costumam ser 'vítimas' do pior que o ser humano precisa exteriorizar de ruim. Tornam-se alvos pra todo impulso instintivo... A dor do ato agressivo, irá se manifestar de algum forma: seja em uma ferida aberta, seja na ferida metafórica, seja como gatilho, seja no empalidecimento, seja no semblante abatido e no pior dos casos, na depressão que estava quieta...

Ser agredida de qualquer forma ou em qualquer nível, não me afeta mais há anos: de tanto apanhar, acostuma-se, mas, quem apanha não consegue esquecer, quem bate sim... Não espero nada de ninguém, mas, por toda a Vida, o que veio da grande maioria das pessoas foi o que era ruim e mal. Por que eu iria me surpreender ou me afetar? Este é um padrão da predisposição do comportamento da espécie humana. Raríssimas as pessoas que possuem uma fonte de virtudes constante...

Por muito tempo acreditei que minha Vida era um castigo ou que existia algum tipo de maldição hereditária: não parece mas, alcancei a maturidade precocemente e ela me esclareceu. A Vida é uma dádiva e às vezes, penso não merecê-la, mas, se não merecesse, não estaria ainda aqui.

Meus cinco primeiros anos de Vida foram toda uma Vida que eu gostaria de ter vivido. Ao chegar nos seis anos, tudo o que conheci é o pior do ser humano e da sociedade humana. Portanto, não espero nada de bom de ninguém, e quando raras vezes vem, é mais que uma surpresa: é dádiva, milagre, benção!

Toda vez que aquele do meu passado me machucava interiormente - e ele tem o dom de fazer isso com eficiência - ao terminar, me dizia: "Sou assim, nasci assim, então é isso!". Que triste pessoas que reconhecem como são mas, estão empacadas no processo de evolução e crescimento...Ele era simplesmente um conformado, eu não!

Agradeço por me empurrar para meu isolamento em minha Bolha. Eu já sinto as dores do mundo, mesmo trancada por dias dentro de casa... Não preciso de mais das feridas que vez ou outra se abrem. E quem eu sou, eu mereço, sim: eu me mereço!

Meu shampoo tá longe de acabar, mas, uma hora acaba



 Tenho umas excentricidades que dizem ser da minha condição... Como é complicado explicar o que é condição para eu crio termos, igual quando falo da Rádio Mental que às vezes, também é Rádio Bubblebee... Minha mente não é verbal, então, meus pensamentos, o raciocínio não são processados com vozes, como acreditei, até a fase adulta, que a mente de todo mundo que seria... Memorizo sons e imagens desde sempre, favorecendo a percepção de padrões: a tal Rádio Bubblebee reproduz sons que foram memorizados. E todo o resto do processamento mental se dá através de imagens, como se houvesse um Telão Mental. Estranho, né? Acho que quem criou a animação que adoro, Divertidamente, tem a mente assim também.....

Tudo isso - que talvez você não tenha compreendido - foi dito para falar da minha relação com músicas.... Tenho extrema dificuldade em falar sobre  que sinto - talvez porque o que se sente seja para sentir - então, as músicas falam por mim literalmente. Tanto através do conjunto - melodia, ritmo e harmonia - quanto na letra... É a maneira com que eu posso me expressar com clareza...

Ouço "Vento no Litoral", do Legião Urbana... Esta música passou dos limites do "ser marcante", ainda mais por conta de tantos anos passados...Justamente por isso, eu sabia que ela iria além da recordação da minha melhor amiga.... Talvez, ela tenha sido realmente a única melhor amiga que tive na Vida.

Conheci Ester quando era ainda criança e ela já era uma moça. Meus pais eram amigos dos pais dela, morávamos próximos. Sabe aquela pessoa que não parece bonita por simplesmente não estar dentro de nenhum padrão de beleza? Assim era ela. Ela me fazia lembrar da Janis Joplin e hoje, Janis me faz lembrar dela.Foi através dela que aceitei essa minha visão sobre as pessoas: nunca será pelo que elas são por fora: é o jeito, é a mente, é como encara a Vida e os problemas, é o Ser e assumir e aceitar Ser!

Os anos passaram e eu fiquei moça... Havia uma identificação uma com a outra... Da minha parte, eu queria ter a capacidade de ser o espírito livre que ela era. Uau! Como ela era incrível em tudo! O significado de amizade pra mim se tornou Ester.Nos tornamos melhores amigas. E nesta época, ela e toda a família se mudaram para um sítio, não tão distante... Então, tornou-se um hábito ir para lá todo final de semana. Quando não estava nos meus planos, ela pedia para o pai dela ir me buscar.

Com nossa convivência, cumplicidade e intimidade, descobri que era tão louca quanto ela, só não conseguia ser tão livre. Sextas e sábados a noite, no começo da madrugada enquanto todos da casa dormiam, eu a ouvia abrindo a janela: "Você continua dormindo quietinha ai que vou ganhar uma grana!". Ela cantava em um barzinho, escondida dos pais... Achava isso o máximo!

Havia confiança mútua entre as famílias e, embora fosse sabido de todos de que ela fora internada várias vezes em clínicas de reabilitação, meus pais, principalmente meu pai, não se importavam com a fama de maconheira. (meu pai, porque eu podia confiar a ele todos os meus segredos). Eu e Esther fumávamos maconha juntas, embora ela estipulasse limites pra mim e sempre me dizia para não usar nenhuma outra. Ela tinha medo que eu ficasse como ela.

Eu nunca vou esquecer a última vez que fizemos isso: foi um final com chave de ouro. Pegamos nosso colchão velho, o rádio, e seguimos em direção as proximidades do muro do sítio: nosso refúgio era atrás de várias Bananeiras. Ali costumávamos fumar, ouvir música, cantar alto! Naquele dia ela vez o que chamava de "vela": parecia um charuto. Não tínhamos chegado nem na metade, quando ela jogou no chão e esfregou o pé em cima, dizendo: "- Que merda a gente acha que tá fazendo?". Eu só dizia: "- Cara, o que você tá fazendo? Não vai dar pra salvar nem a ponta!".

Aquele momento foi um de tantos marcos em minha Vida, embora uma semana antes, havia acontecido outro: minha mãe não me deu permissão para ir ao sítio. É... Vivi esses lances com minha mãe disciplinadora e excessivamente protetora. Mas, Esther pediu ao pai que me buscasse e ele convenceu minha mãe a dar permissão. Ao chegar, quando nos abraçamos, desabei a chorar! Minha mãe não havia dado permissão porque havia discutido comigo: ela falou horrores além de repetir diversas vezes "porque você não é como sua irmã?". Esther ficou indignada e começou a contar os 'podres' da minha irmã....Segredos e 'façanhas', todo mundo tem, mas, assim como eu, Esther não suportava gente de duas caras.... Naquele dia, ela me deu uma outra visão sobre mim mesma e muito, mas, muito do que sou, devo a aquela conversa.

Voltemos para o momento em que Esther detona todo o 'beck' misturando com terra e folha seca... "Olha pra gente! Somos fodas, somos lindas, somos inteligentes, somos o sonho de muito cara por ai, mas também, somos nós por nós! Não precisamos dessa merda! Vamos fazer um pacto!". Ela dizia o pacto e eu repetia, e se ela sentisse certa insegurança ou indecisão na minha voz, ela fazia eu repetir mais forte. Prometemos que nunca mais iríamos usar maconha. E que iríamos nos dedicar em tornar nossas Vidas muito melhores.

Depois do pacto, ficamos distantes uma da outra: ambas ficaram acamadas som crises de abstinência. Quando já estávamos melhores, houve muitos desencontros, mas, estava feliz em saber que ela conheceu um rapaz super fofo e gentil - daqueles que raramente se vê - que aceitava ela assim como ela era. Ficaram noivos, montaram a casa dele ao gosto dela porque ele assim quis. Marcaram a data do casamento e antes, ela marcou um procedimento para retirar as tatuagens que ela mesma havia feito: elas faziam parte de um passado que ela queria esquecer.

Vou pular os detalhes, muito pessoais para voltar ao assunto da música... Esther estava no apartamento da irmã com seu namorado, quando quase no meio da madrugada, sentiram fome e decidiram sair para buscar comida. Exatamente neste momento, eu estava em casa dormindo, quando acordei gritando alucinadamente. Minha mãe veio ao meu socorro e eu gritava: - Não consigo mexer do pescoço pra baixo, tudo dói! Tá doendo, mão!

Foi neste momento, quando o carro passava pelo portão do prédio, um caminhão desgovernado bateu com tudo no veículo onde estavam. Esther teve o corpo esmagado até o pescoço e morreu instantaneamente. Em seu velório, seu noivo dizia: "A pele onde estavam as tatuagens foram arrancadas!". Eu contava que a última música que cantamos juntas foi Vento no Litoral e ela sempre interrompia dizendo o nome dele... Então, ele me disse: "- É a nossa música... Mas, não era pra ser assim..."

Contei tudo isso pra dizer, que acredito que de alguma forma, encontrarei minha amiga... Por isso, o luto se foi quando quase uma semana após ela partir, eu sonhei com ela me dizendo:"Tinha que ser assim..." - e sei do que ela dizia...

Hoje, esta música ganha um novo significado, não anulando o outro: a sensação de luto ou perda, é a mesma... Os pais de Esther e minha mãe eram conservadores evangélicos e nós a ovelha negra das duas famílias. Em nossa última conversa, ela me ensinou sobre a perda e sobre deixar ir o que não veio pra ficar... Que devíamos compreender nossos pais porque todo mundo precisar ter algo em que se apegar, em que se segurar para conseguir continuar... Tudo o que me restou são utopias, Esther....


"Se o vento ainda está forte, vai

Ser bom subir nas pedras, sei

Que faço isso pra esquecer

Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe, vê

A linha do horizonte me distrai

Dos nossos planos é que tenho mais saudade

Quando olhávamos juntos na mesma direção

Aonde está você agora

Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou

Vai ser difícil eu sem você

Porque você está comigo o tempo todo

E quando vejo o mar

Existe algo que diz

Que a vida continua e se entregar é uma bobagem

Já que você não está aqui

O que posso fazer é cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos

Lembra que o plano era ficarmos bem?"

domingo, 21 de abril de 2024

Todo Poder Emana do Povo

 


Nossa posição política é temida no mundo todo! Por que? Partimos do princípio de sermos questionadores. Como questionadores, buscaremos a verdade, a prova e fatos. Temos informação à vontade, mas, se isso for nos tirado, teremos Conhecimento: quem disse que se aprende apenas com livros? Por quantas horas você sentou-se com seus avós ou pais, para ouvir da boca deles as histórias do passado? Quantos livros de História de diferentes autores você já leu?

Irão nos atacar em nossa dignidade, no nosso trabalho, no nosso esforço e suor, no nosso aprendizado e formação... A estupidez se revela naqueles que invocam um passado de trevas da História de nosso país. São eles os cúmplices daqueles que mantém a fome, a pobreza, a miséria, a dificuldade ao acesso à educação e profissionalização, do reconhecimento de nossas grandes mentes - sim, nós as temos - o bizarro, a hipocrisia, a opressão, a mentira, a violência, em uma falta de argumentos patética....

Assim como toda e qualquer igreja cristã, considera aquele que não segue a cristandade como pagão, e recebendo o paganismo uma associação ao que é demoníaco desde a fundação da igreja que supostamente segue alguém que era judeu (tenha a mente de Cristo), todo aquele que se opor a posição política ligada diretamente a esta religião, os chamados Conservadores extremistas, será declarado por eles anarquista, socialista, terrorista, comunista... 

E, independente de que linha política seguimos, não sejamos igualmente extremistas! E que em nossas práticas e condutas, mostremos na prática - não por precisar provar algo a alguém -  que o que temem em nós não é a força e nem a violência ao qual são capazes de manifestar, mas, nosso Conhecimento, nossa postura e nossa intelectualidade sempre em evolução.

Que em nossas mãos, nunca haja sangue inocente assim como há nas mãos deles. Que sejamos dignos de clamar por Justiça por sermos justos. Que nossos argumentos sejam pacíficos, verídicos, bem embasados, dentro da verdade e de fatos, pois é o contrário do que eles fazem... Que quando nossa mão se estender para cima pela luta, ela seja capaz de se estender para frente para ajudar, independente de quem seja. Que sonhemos por união e paz  e não por divisão e guerras: a Vida e as atitudes  é quem se encarregam de mostrar quem é joio e o trigo. 

A humildade é  que torna um indivíduo que não esquece sua origem, nobre e elegante: que assim sejamos como nosso presidente, que saiu lá do meio das máquinas barulhentas repletas de graxa, um operário em meio a tantos, mas que, não se subestimou e nem foi egoísta: não foi a voz que invocava apenas por seus direitos, mas, pelo direito de todos!

Enquanto assistimos um movimento agindo em prol a devoção de um inimigo da nação, que nos foquemos em tantas causas cujo Governo necessita de apoio: nosso presidente e sua equipe toda sempre nos terá ao seu lado, mas, a comoção pública revela quem é contra o Bem Coletivo ao se negar a ouvir a voz do povo lá na Câmara e no Senado. Nosso presidente não precisa de uma multidão exposta à sol e chuva para ser idolatrado: ele, nós, trabalhamos! Precisamos e mostrar apoio nas ruas em prol daqueles que possuem seus direitos longe do alcance de suas mãos, porque as hienas se alimentam das mazelas do povo...

Não somos como aqueles desesperados ensandecidos! Somos sensatos e esclarecidos!


domingo, 20 de outubro de 2013

Abraçando as Vibrações Positivas

Sou extremamente sensível. Talvez porque minha empatia vá além do normal. Sensível e não fraca. Aliás, sou forte o bastante para suportar as tempestades da vida. Esta sensibilidade é tão intensa que não me causa sofrimento mas, me serve como um alarme. Quando algo não está bem, seja no que for, seja com quem for eu sinto. Sinto profundamente. Ás vezes, sinto a dor do outro mas, naquele momento não sei quem é o outro. Talvez por tamanha misericórdia de uma força maior, justamente aquela pessoa que está sentindo aquela dor cruza meu caminho.

Há vezes que pareço sentir o mundo inteiro dentro de mim. Há vezes que sinto coisas que não sei porque sinto então, compreendo que não são minhas mas está em alguém. Não é todo o tempo e nem todo dia. Mas sinto. Sinto inclusive as vibrações negativas direcionadas especificamente a mim mesma e por diversos motivos. Muitos deles nem são conscientes e nem possuem uma intenção real de maldade. É algo até natural e considero vibrações negativas leves. 

Mas, ultimamente tenho sentido vibrações negativas tão intensas que já estão afetando meu corpo. É um momento em que entro em batalha espiritual. Vou suportando e analisando para compreender de onde, porque ou como. Vou sentindo minhas energias como sendo minadas... Devoradas. Em uma batalha você não tem como enfrentar a luta se não souber contra o que exatamente está lutando. E numa batalha são necessárias estratégias.

Depois de quase um mês sem conversar com ninguém, comecei uma conversa com meu maninho Andy. E esta conversa foi de grande ajuda para clarear os pontos obscuros deste momento. Deus, em sua misericórdia, nunca me deixou ficar muito tempo no escuro.

Cheguei em um momento que precisava de ajuda pois, sozinha, não seria capaz de vencer esta batalha. Me forcei e voltei a conversar com os amigos considerando que este meu total isolamento e demais situações derivavam daquelas energias ruins que vinham sobre mim como um bombardeio.

De repente, me dei conta do quanto sou amada e querida pelos amigos. De repente, uma plena consciência me mostrou o quanto de vibrações positivas emanam deles. A interação com a família e os amigos é de total importância: faz bem para a saúde do corpo, da mente e fortalece a alma!

Assim como as energias negativas vem sem que a pessoa que as vibra tenha consciência do mal que está emanando, as vibrações positivas também. Cada ato de demonstração de afeto, cada elogio, cada lembrança boa, cada gesto que determina a importância do outro vem como um tiro de um canhão de luz e positividade que dissipa tudo o que é negativo.

Então,  em vez de fazer como em outras vezes e me fechar no meu ostracismo, decidi abrir meus braços para receber toda esta boa energia vinda daqueles que me querem bem. O resultado é que tudo o que estava oculto e causava dúvidas está claro. Tudo o que causava um peso e um mau estar se vai. A energia antes minada foi reposta apenas com abraços sinceros. Pouco a pouco vou me sentindo leve...


Agradeci a Deus e ao Universo por cada pessoa que cruzou meu caminho e ficou. Agradeci por toda grandeza que cabe em cada uma delas e por toda a generosidade que possuem e as capacitam a oferecer o melhor de si. Agradeci por haver algo agradável em mim que me torna merecedora das graças do outro.

Posso cantar uma vitória alcançada pois nunca estou só! Há momentos em que nossa luta é muito particular e temos que enfrentar a batalha sozinhos... Há momentos em que precisamos de um exército lutando ao nosso lado. Pedimos a intervenção divina e Ele envia seus anjos do céu mas também seus anjos na Terra. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Nem Sempre a Mesma


Abri meu perfil na rede social. Madeleine todo santo dia me deixa uma imagem linda e ela nem imagina o efeito maravilhoso que estas imagens me causam. Olhei para os tantos rostinhos tão lindos. Li algumas coisas que alguns amigos escreveram. Alguns deles manifestam seus sentimentos de maneira intensa e sincera. Fico orgulhosa. Principalmente com Helena que ultimamente tem me impressionado muito com seu estilo de expressão e em como ela discursa bem as injustiças de sua cidade que ainda é bela por causa do povo que tem. Soraya continua em sua luta incansável pelo Oriente Médio e a Bia está cada vez mais linda. Parece que foi ontem quando Soraya precisava pentear e prender seus lindos cachos. Hoje a pequena menina é uma linda mulher. Tâninha ainda não se cansou dos livros e pelo visto nunca vai cansar. Doim mantém seu sorriso de sol. Rosana ainda fala o que pensa e sempre vou admirar isto nela. A Ro continua mandando seu gostoso 'bom dia' embora eu ainda ache que muita gente não o mereça. Maria ainda preserva sua discrição mesmo quando o assunto é tenso. Anna reflete em tudo toda sua elegância. Pepe ainda está fiel a verdade. Marcelo continua distribuindo poesia. Luciana continua romântica e talvez seja por isso que consiga transformar sua realidade em um cenário mágico. Denise ainda é incansável em defender seus ideais. Anderson ainda é puro escândalo. Gilliard ainda filosofa de modo apaixonante para minha predisposição em filosofar. Robson ainda deve estar perdido pois não vejo mais nenhum de seus textos. Dei muita risada com as coisas engraçadas que alguns postam. Notei que muitos outros não estão tão conectados como antes. Algumas coisas não mudaram e não é ruim pois, algumas coisas nunca devem mudar já que são boas. 


Curti muita coisa mas não cliquei. Não quero que percebam que estou logada e digam algo que não vou responder. Não respondo porque seja indiferente. Não sei porque não consigo mais interagir. É como se não houvesse nada a ser dito. O que cada um pensa e acredita é aquilo e acabou. Se estou bem ou mal não compensa responder pois estarei bem mesmo quando estiver mal pois, o importante mesmo é estar vivo.

Também dizer o que? Nunca achei interessante ficar falando de mim embora estranhamente ache minha história de vida muito interessante. Se eu fosse famosa escreveria uma biografia. Aliás, acho que todo mundo deveria escrever a própria biografia. Nessas horas - não importa que tipo de problema se esteja passando - é que se dá conta de como a própria vida é tão interessante.

Eu sou a prova viva de que o mundo muda quando você muda dentro de você. Não gosto de falar de mim pois vivo do mesmo jeito há anos e não é porque vivo em algum tipo de ciclo vicioso ou nada novo acontece ou nada é feito para que isso mude embora eu me esforce em fazer o possível para que tudo se mantenha como está. Ser grata a Vida e a Deus por ser quem se é e viver como se vive nem sempre é um tipo de comodismo. Meu cérebro funciona diferente então, preciso que tudo se repita e tudo sempre esteja no mesmo lugar para saber onde estou ou o que fazer. Mas, dentro de mim nunca é a mesma coisa. Todo santo dia algo melhora ou piora e isso tem a ver com mudanças. E naquilo que aos olhos dos outros parece mesmice, aos meus olhos nada nunca está igual pois eu nunca sou a mesma todo dia embora tudo ao redor seja. 

Talvez por isso eu insista na ideia de que é fácil ser alegre ou feliz quando tudo está bem e quando tudo sai exatamente do modo que se deseja. Ás vezes, tudo está perfeitamente bem na minha vida mas eu sinto tudo como se houvesse apenas caos. Porque quando tudo vai mal eu tenho que estar mal também? Quando penso nisto me lembro do velório de minha mãe e minha irmã se descabelando em cima do caixão dela. Aquele mundo de gente veio se despedir pois ela conhecia muita gente. Recebi a todos como se fosse uma anfitriã de uma festa e notei a cara de espanto de todos que, acho eu, esperavam que eu estivesse como minha irmã. Alguns vieram conversar comigo, dando conselhos de que eu deveria chorar, que não devia represar o luto e a tristeza da perda e eu explicava que não estava sentindo nada disso. Então preocupavam-se achando que eu estivesse em algum tipo de choque traumático, ou dopada com calmante ou ainda não tinha me dado conta do que aconteceu. Eu ficava tentando compreender a preocupação deles e o que eles esperavam de mim. Oras, minha mãe havia morrido e nada que eu fizesse iria mudar isso. Se eu me descabelasse diante do corpo dela sendo que ela na verdade nem estava mais ali, quanto de energia eu iria perder? Em quanto tempo iria recuperar aquela energia toda para seguir a vida? O que iria mudar se eu me esparramasse no meio de todo mundo? Toda aquela energia dispensada seria suficiente para trazê-la de volta a vida?


E quando as dificuldades vinham era assim mesmo que eu me comportava. Nada forçado não, bem espontâneo. Até que chegou um momento em que não haviam mais problemas. E descobri que todos os problemas que existiram na verdade nunca estiveram ao meu redor mas dentro de mim. Eles ainda estão aqui dentro mas, descobri também que não são maiores do que aqueles que eu pensava estar me rondando. 



Imagens de Arquivo Pessoal  - Flores do jardim fotografadas por Shimada: Onze horas, Orquídea lilás e Lírio do Amazônia


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Voltando de Viagem

Chegamos de viagem ontem à tarde. Passamos uns dias na praia. Apesar de ir na mesma casa há anos, desta vez uma experiência diferenciada e profunda ocorreu. Mas isto, contarei em outro post quando conseguir descarregar as belas fotos que tirei lá.

Neste momento (01:57 horas), olho a chuva pela janela do quarto. Olho as muitas luzes, as casas, o bairro, me convencendo que já retornei para casa. Questiono-me já estou a ficar caduca... A sensação de ainda estar na praia é forte. Durante o dia, pensei ser o canto insistente do Bem-te-vi pois lá, no litoral, uma ave da mesma espécie cantava o tempo todo. O ar, a atmosfera, o clima, é o mesmo também. Talvez, algum parafuso soltou-se dentro da cabeça e perdi de vez o senso de orientação. Já não me bastava perder-me sempre no Tempo, agora perco-me no Espaço.

Dizem que 'a realidade somos nós quem criamos' (e lá vai eu citando novamente esta frase). Dizem também que o mundo externo é reflexo do mundo interior. Alguma coisa mudou dentro de mim drasticamente e ainda não sei definir o que foi. O mundo me parece diferente, talvez porque eu esteja diferente. 

O mundo é tão grande mas, ao mesmo tempo, as distâncias tão curtas, e nem é por causa da internet. Caminhar por ai, estar em um lugar diferente, ver rostos que nunca se viu, é bom... Fiz caminhadas de quilômetros pela praia e nunca chegava a lugar algum. Bom... Chegava... Quando depois de andar tanto, decidia voltar.

Apesar da minha audição não sofrer nenhuma alteração, os sons também estão diferentes. O som da chuva, dos pingos da vidraça, dos pássaros, do vento parecem bem mais próximos. Eles isolam os sons incômodos dos carros, buzinas e escapamentos. Sinto tudo com muito mais intensidade mas, de um modo sereno. Não são mais um turbilhão de emoções e sentimentos desvairados. 

Sempre que vou a praia, uma das caminhadas são especificamente para pegar meu 'presente' que o mar sempre deixa pra mim. E o 'presente' sempre está lá. Nem começo a caminhada já encontro uma grande concha bonita. Eu a pego, agradeço ao mar, porque a sensação de que é realmente um presente é tão real pra mim. Neste momento, uma certeza estranha de conexão com tudo é evidente. O mar sempre me chama embora eu o tema... 

É... Talvez esta tal conexão é a responsável por eu sempre me perder... Talvez por Tempo e Espaço serem apenas meras ilusões...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Divagando mais uma vez...

[Imagens: de Arquivo Pessoal - Flores do meu Jardim]

Hoje o sol estava tímido e foi impedido pelo vento gelado de livrar-nos da falsa sensação de estarmos ainda no inverno. Talvez, aquele terremoto que resultou no Tsunami na Indonésia tenha mudado drasticamente algo no planeta e as estações estão atrasadas.

Mesmo assim, sentar diante do jardim e observar as roupas dançando no varal é agradável. Os dias de chuvas se estenderam e as roupas para lavar se acumularam por haver poucos varais cobertos. Qualquer aparição do sol já serve para encher os varais e mesmo quando ele se esconde, o vento ajuda muito.

O sol sempre nos remete a esperança. Depois das fortes tempestades ele sempre volta a brilhar. Mesmo que algumas nuvens insistam em desfilar pelo céu, a esperança se faz presente. Máquina de secar roupa pra que? Já não aramos, semeamos e colhemos para aprender sobre o tempo certo de todas as coisas. Resta-nos as roupas no varal. As nuvens nos mantém atentos a possibilidade de chuva. Mas quando vemos os raios de sol, o temor das chuvas é menor do que a esperança que as roupas sequem.

Agora a noite fui ver o noticiário. Ouvi que há pessoas tratando-se de Nomofobia, uma dependência de celular. Lembrei que quando escrevi sobre isso muita gente torceu o nariz pois, no fundo, não queriam admitir que elas dão mais valor as relações virtuais do que as reais.

A dependência tecnológica robotiza as pessoas e consequentemente elas param de pensar e com isto para de questionar. A cultura do consumismo e do 'ter' já as deixaram influenciáveis e manipuláveis. Fica fácil um pequeno aparelho eletrônico dominá-las de vez.

Meu filho comentou comigo semana passada que circulava um alerta na rede. Alguém havia encontrado um rato dentro de uma garrafa de refrigerante de marca famosa. Logo lembrei de tantos hoax compartilhados na rede e por emails. Há uma ação robótica nas pessoas quando leem 'URGENTE! REPASSEM!'. Elas nem sempre leem todo o teor da mensagem e muito menos conseguem perceber o absurdo que se desenvolve nela. Também não vão até um mecanismo de busca e se certificam se aquilo que irão espalhar é fato ou não. Então penso que, será que tudo o que leem, assistem, ouvem recebe tanta crença e é disseminado do mesmo modo? 

Poxa vida... Será que ao ver um rato dentro de uma garrafa ninguém se questionou que na era tecnológica não há como um rato ser engarrafado? Até no Youtube podemos assistir como diversas empresas engarrafam seus produtos!

Apesar dos noticiários nos bombardeiam com relatos de crimes hediondos, as pessoas se comportam como se todos fossem bons porque elas querem ser boas para o olhar alheio. Ao compartilhar um caso de desaparecimento, estas pessoas tão boas e de mentes tão puras não podem conceber que há quem crie falsas divulgações de desaparecimento apenas para brincar com todos e por isso, não se dão ao trabalho de se certificar se aquela pessoa sumiu memo ou se já foi encontrada. Assim no real quanto no virtual, qualquer ação que livre nossa consciência e nos iluda de que somos pessoas engajadas, preocupadas, politicamente corretas, de opinião e essas coisas todas que hoje caracterizam pessoas do 'bem', serve. Não importa se é fato ou não.

Talvez porque a onda da era tecnológica exija que ser antenado é ter máquina de secar roupa e pendurar roupa no varal seja algo antiquado. Plantar a coroa do Abacaxi pra que se podemos comprar, descascar e consumir? E de repente, o Abacaxi que brota no quintal seja bem mais saudável do que aquele que comprei e retirei a coroa pra plantar... 

A tecnologia vai não apenas nos tornando dependentes como também cegos e prisioneiros, incapazes de enxergar um palmo à frente do nariz. E ai, não adianta viajar o mundo inteiro se ainda não se é capaz de vasculhar todos os cantos do próprio ser. Não adianta chegar a Lua ou a Marte e não conseguir mergulhar na própria mente. Não adianta conseguir tudo o que se quer e ainda assim se sentir vazio ou com aquela sensação que ainda falta alguma coisa.

Dias atrás, acompanhei meu marido ao açougue e ele escolhia a linguiça que queria levar. Ele sempre escolhe a mesma marca por conhecer bem. Ficamos surpresos ao perceber que a linguiça era falsificada. A marca preferida e uma outra tão famosa quanto tinham lacres da mesma cor e aparência idêntica, revelando a quantidade de gordura e sebo superiores a carne. Observamos a quantidade de pessoas comprando aquelas linguiças acreditando estar levando a marca de preferência e não vimos nenhuma delas questionar  origem do produto. 


A mente cria várias ciladas e falsas ideias sobre tudo e isso foi criando tudo o que consideramos padrão, normal, correto. Mas, na era tecnológica as mentes estão passando por um 'upload'. Não se pensa mais e não se questiona mais então, tudo parece ser o que aparentemente é. A mente passa por uma atualização mas, atualização nunca significou 'baixar algo novo' mas, 'baixar algo que aprimore', não significando que este aprimoramento seja sempre para bem embora a positividade na palavra. Então, os reais conceitos e valores vão sendo extintos dando lugar a algo que não é novo, apenas mudou de nome. O que deveria nos acompanhar ao longo dos anos vai sucumbindo e aquilo que deveria ficar no passado é trago para o presente com nova aparência e nome. 

Se você ficar sem internet, televisão ou celular, não vai morrer por falta disto embora você sempre tenha uma desculpa para manter tudo isso. Houve um tempo em que se caminhava milhas para abraçar um ente querido. Houve um tempo que os laços invisíveis eram mais eficazes do que um SMS que muitas vezes chega atrasado. Houve um tempo que receber uma carta era o mesmo que receber a pessoa. Pobre do meu carteiro só me entrega faturas e cobranças...

Aliás, agora que aboli a rede social para socialização, semana que vem volto a escrever cartas. Já tenho alguns endereços para me corresponder. Se você também quiser ser antiquado e receber uma carta, envie seu endereço para shimadacoelho@yahoo.com.br.





quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Entre Falsas Lembranças tão Reais

[Imagens: de Arquivo Pessoal. Trechos de meu Jardim]


Enquanto a massa do pão cresce, acomodo flores de Ipê amarelo e Jacarandá lilás em um guardanapo de papel. Colocarei dentro de um livro para que sequem e depois sirvam para enfeitar as cartas que escreverei. Para que minha preferência antiquada fique quase perfeita em meio a poluição visual e auditiva da cidade, só me faltava um fogão à lenha.  A fumaça branca do cigarro vai subindo e vou imaginando o que prepararia neste fogão. Relembro o perfume agradável da lenha queimando e do crepitar enquanto o fogo a consome. Adoro o crepitar de madeira queimando. Traz a minha mente falsas lembranças de uma vida que não vivi. Talvez, sejam lembranças perdidas de uma pessoa que nem sei se existiu.

Aquela mulher de cabelos ondulados castanhos é minha personagem preferida. Invejo sua vida solitária. Sozinha em um casebre em meio a uma floresta de árvores centenárias possuí um universo repleto. Bem mais repleto do que a agitada vida urbana.

Aquele casebre simples me faz querer pintar logo as paredes para ter a mesma cortina de voal branca emoldurando a janela por onde agora vejo os pingos da chuva. Em vez de tantas casas coloridas, ela vê árvores e mais árvores. Ela vê árvores ao som do crepitar da lenha queimando.

É ela que me faz ir até o jardim e ficar ali olhando as plantas por horas. E firmo as palmas das mãos na terra para quem sabe me transportar daqui. Se tudo não acontecesse no tempo certo diria que nasci no tempo errado.

Ás vezes, posso vê-la caminhando entre as árvores sem rumo e sem propósito. É como se eu estivesse vestindo o corpo dela. Posso sentir os pés afundarem em porções de folhas secas ao longo do trajeto e ouvir o som destas folhas se partindo. Uma cena tão clara na minha mente que sempre que encontro um punhado de folhas secas eu as piso apenas para ter ao menos um pouco desta sensação. E ela segue caminhando, vez ou outra tocando ou abraçando rapidamente algum tronco enquanto passa.

Então me lembro das gigantescas Paineiras no pátio da escola onde estudei na minha infância. Ali passei oito anos de minha vida. Hoje, quando passo por lá, vejo as mesmas Paineiras e me surpreendo: os troncos não são tão largos como antes e não parecem tão altas. Eu era tão pequenina que elas me pareciam gigantes.

Quando saíamos para o pátio, na maioria das vezes eu corria em direção a elas. Não consigo lembrar porque sempre estava sozinha. Aquela solidão não era algo ruim pois, costumamos lembrar com clareza do que é ruim. As Paineiras cercadas de terra, deixavam amostra na superfície suas raízes enormes. Eu sempre as observava pois pareciam vários braços formando um colo. Ali no centro eu me sentava e me acomodava. E conversava com a árvore, e me perdia encostando a cabeça no tronco e olhando para cima, e imaginava como seria bom subir por ali, e imaginava que ali onde estava sentada havia uma passagem secreta que me levaria para outro mundo. Na falta do colo que não tive, a Paineira me servia tão bem. Era tao acolhedora e me sentia tão segura. Não tinha noção de quanto tempo passava ou quem passava por ali. Os sons dos gritos, risadas e conversas dos outros alunos no patio desapareciam. Não havia a preocupação se alguém passaria por ali e me veria conversando com ninguém no colo da árvore.

Vou me perdendo em lembranças falsas e reais, em sensações prazerosas e um chamado que me convida a abandonar cada vez mais este sistema miserável, desejando ter um pouco de carência emocional. O que percebo é apenas o corpo em batalha fisiológica: enquanto as mulheres da minha idade vão perdendo a libido a minha vai tomando cada vez mais proporção. Mas, estranhamente, em vez de desejar uma cama onde eu poderia fazer amor incansavelmente, o apelo do meu corpo é por aquela floresta de árvores gigantescas por onde eu poderia caminhar até que a escuridão viesse. Entraria no casebre, acenderia a lareira para olhar as estrelas através da fina cortina branca ao som do crepitar da lenha queimando.


Licença Creative Commons
Entre Falsas Lembranças tão Reais de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Debruçada na janela

[Imagens: do Arquivo Pessoal de Shimada Coelho. Interação e harmonia com a Natureza e a Vida captada através da lente de um celular]


Acordei com o som ensurdecedor das turbinas de um avião que parecia estar caindo sobre a casa. Em um salto, corri em direção a janela e a escancarei. O avião não caia, apenas passava mais baixo do que de costume. Uma tremenda falta de respeito que as empresas aéreas não se preocupam em resolver. 

Ouvi o canto de passarinhos mas, não sabia de que direção vinha. O ar estava agradável e o vento frio mas suave. Uma sensação maravilhosa me tomou, longe de se assemelhar a um cenário catastrófico de queda de avião.


Minhas mãos passearam por toda a superfície da moldura da janela. Agradeci a Deus por esta ser a única janela por onde meus olhos viajam.  Hoje em dia, quando se fala em janela se lembra de computador e internet. De ambos me cansei embora escrever no computador é bem mais prático do que escrever em papel.

Redes sociais nem pensar. A vida alheia deixou de ser interessante. As pessoas estão menos interessantes. O que elas fazem ou deixam de fazer, idem. 'Curtir' ou deixar de 'curtir' os grandes feitos cotidianos compartilhados em redes sociais são um tipo de apoio ou rejeição a ilusão de quem cada vez mais se afunda na própria ilusão: ilusão de que se é ouvido, ilusão de que se tem opinião ou convicção formada, ilusão de que se é interessante a ponto de mostrar ao mundo algum momento do próprio dia, ilusão de que tem a vida exatamente igual ao que a criatividade e a fantasia vai construindo em uma realidade paralela.


A Vida deu-me a graça de permitir que eu morasse exatamente na primeira casa que considerei a mais linda que já vi. Na rua mais tranquila, larga e pacata do bairro. Onde vizinhos não se sentam na calçada, crianças brincam apenas nas férias ou finais de semana e os únicos cães que vagam são os que são abandonados por aqui. Do portão pra dentro estou também em outra dimensão mas, longe de ser fruto da minha imaginação fértil. Tudo aqui é bem real: o casal de papagaios procurando grandes cascas que guardam sementes, os periquitos que toda manhã gritam em bando, as árvores que a seu tempo vão derrubando folhas secas ou flores ou frutos. Acima de mim apenas o céu por onde tantas nuvens desfilam. O horizonte é o mesmo há anos com as mesmas casas que às vezes mudam de cor. Aqui não há medo, não há brigas, nem palavrões, nem desrespeito, nem disputas, nem guerras, nem quem queira parecer melhor que o outro. Quando abro minha janela todo santo dia, a visão que tenho é de Paraíso.

Vez ou outra faço uma caminhada até a avenida onde está o centro comercial cada vez mais movimentado. Pessoas são mais interessantes quando passam por nós pelas calçadas, com seus olhares perdidos e seus passos inseguros. É bom ver com os próprios olhos como cada um neste mundo vive. É diferente de quando elas mesmas pintam um modo de vida que não possuem. Narrar a própria realidade é diferente de narrar o que desejamos que os outros vejam em nós. Fazer auto propaganda da própria vida é, bem lá no fundo, um modo de se auto afirmar: minha vida é assim maravilhosa graças a eu ser uma pessoa maravilhosa. As pessoas querem ser muito interessantes pra todos. Mas há um grande abismo que separa ter e ser...

Há dias que me sobra tempo demais. Nem passa por minha cabeça ir até a rede social. Me aprofundo cada vez mais nos meus pensamentos, chegando cada vez mais a conclusão de que quanto menos agitação na vida, melhor vida se tem. Meu modo de vida simples e sossegado, sem nada de interessante para compartilhar ou que sirva para uma auto propaganda é a mais feliz que eu poderia desejar. Porque de tão pouco posso tirar - e mais importante, sentir - tanta alegria e grandiosidade que de outro modo não teria. Feliz é quem tem pouco ou quase nada é ainda assim se sente repleto.

Vivi por muito tempo pontual em redes sociais, acreditando mesmo que ali eu estava semeando alguma semente...  Nem me dava conta de que todo tempo ali era um transe que me absorvia sem me dar conta do tempo passando. Antes não havia tempo ou ele passava rápido demais. Agora ele custa a passar.

Semente mesmo estou semeando mantendo meus pés firmes no chão. Consciente do que quero, do que não quero, do que sinto e do que quero sentir, do que tenho e do que me falta. Uma maravilha que é ser eu mesma!

Saber quantas pessoas me mandaram uma mensagem hoje? Não vai dar pra verificar: preciso pintar eu mesma a fachada da casa. Saber sobre o que as pessoas estão falando hoje? Hoje fui pegar os cachos secos da Palmeira para criar uma árvore de Natal externa. Quantas pessoas será que me curtiram hoje? Agora tenho que ouvir as tantas histórias que meu filho tem pra contar! Amanhã vou logar meu perfil? Amanhã vou ao oculista, depois de amanhã comprarei tinta, depois de depois de amanhã talvez irei ao cabeleireiro. Quem sabe quando tiver um tempo livre? Quando estiver de bobeira escreverei cartas ou ficarei por horas observando os cães brincando pelo quintal como se fossem filhotes.

Não é preciso mais expressar minha convicção e ver alguém a contrariando, pregando pra mim o quanto estou errada e qual o modo certo de pensar. E quem faz isso nem tem convicção de nada - inclusive de si mesmo - mas, fica como os cães debaixo da mesa esperando as migalhas para fingir ter alimento. Fingem ter convicção na opinião formada temporariamente em cima da contradição que faz da convicção alheia.

Não é preciso dizer mais nada em um mundo onde cada vez mais as pessoas desaprendem a ouvir e só querem falar como se fossem o centro do mundo. Não é preciso dizer mais nada em um mundo cheio de gente que acredita que sabe o que diz, pensa ou faz.

Não é preciso mais ter convicção, ou lado, ou posição, ou opinião. Tudo está certo, tudo está errado, o que serve pra mim não serve pra todo mundo, o que eu penso é so meu e o que os outros pensam é direito nato.

Não é preciso ser amigo de ninguém: amigo mesmo está nas horas mais difíceis com a mão no nosso ombro. Nem é preciso dar notícias: laços reais podem transmitir dados há quilômetros de distancia. A linguagem é telepática.

Ontem fui lá fora e senti a chuva caindo sobre mim... Hoje de manhã senti dor de cabeça com a claridade do dia apesar das tantas nuvens. Ontem de tarde após uma tempestade pude observar a chuva se afastando e estacionado sobre os tantos prédios da Paulista. Daqui a pouco irei varrer mais uma vez o quintal coberto de cerejas derrubadas pelo vento e pelos passarinhos glutões. Se continuar assim, poderei ver o momento exato que a minha Orquídea preferida irá abrir revelando suas imensas pétalas brancas.

O interessante da minha vida não é o que posso contar, é o que se pode ver. Mas espero mesmo que ninguém veja por estar ocupado demais em contemplar a própria vida.

Ser interessante mesmo é ser o que se é vivendo do jeito que se quer. Sem prisões, sem obrigações desnecessárias, sem se importar com o que os outros pensam e sem se interessar em atender as expectativas de ninguém! 

A Vida chegou em mim e disse:

- Dê-me satisfação do que tem feito de mim! 

A Vida tem dado a cada um o que lhe é devido, embora nunca estejam satisfeitos rejeitando  o que oferece para adquirirem aquilo que consideram ser melhor...

Ser feliz possuindo tudo o que quer e vendo tudo acontecendo exatamente como deseja é duvidoso. Seja feliz igualmente sem nada disso! O que restar quando não houver mais nada será Felicidade...


Licença Creative Commons
Debruçada na Janela de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Desejo de Morrer

Não é um desejo nem uma opção: querer morrer é um sentimento que brota bem do fundo não importa o quanto eu queira mesmo viver.


A cada gesto de força, uma avalanche de afirmações vem ao meu rosto feito tapas na cara dizendo: "- Engano seu!" Preciso viver o que acredito e avanço... Mas cada minuto vai me contrariando... Vou me apegando a pequenas coisas que ninguém nota muito menos dá valor porque as grandes me parecem inalcançáveis. De tão pequenas que são não podem me salvar, não podem me sustentar de pé.


Cansei de ser fraca... Cansei de por tanto tempo vestir a máscara de força acostumando mal todos ao meu redor. Acostumaram-se a me ver forte, inatingível, inabalável...


Todos os meus gestos de carinho e dedicação vão sendo soterrados pela espontaniedade que está focada em outros lados. Debaixo da terra grita:"- Você é um fracasso total!"


Dizem que é necessário se colocar os pingos nos 'is'... O pingo vai e nunca volta... Apenas um olhar, um único gesto ou apenas uma palavra poderia salvar meu dia, embora todos os meus dias vão apenas passando, nada mais.


Não sou mais uma em um milhão: sou um espírito errante, pois assim sou vista. Nada se leva na morte e depois dela nada se sente. Não importa a quantos palmos eu esteja enterrada, ninguém pode ouvir a dor que lateja intensa como dói em todo mundo. Todo mundo... Todo mundo ocupado demais, focados nos próprios alvos... Mas ninguém pode me dar conselho algum...Ninguém sabe... Ninguém é capaz...


Não basta ser forte se não houver lucros maiores que o esperado. Quanto mais forte for, mais irão querer. Não há recompensa nenhuma para quem distribui sorrisos, nenhuma consideração ou gratidão. Porque tudo passa! Aquele momento do ombro oferecido passou, não vale mais nada assim como não vale mais o apoio fornecido depois que foi renunciado o direito de sofrer e fraquejar também.


As sanguessugas aguardam esperando mais um espaço em mim para sugar mais alguma coisa enquanto a alma definha. Vou sumindo diante de todos e ninguém consegue ver meu mergulho constante no poço da infelicidade.


O brilho apagou-se há anos! O vigor estinguiu-se a cada despreso! Em certo momento me vi obrigada a viver como se sempre estivesse só porque sempre fui só. Pode contar comigo para o que der e vier, mas não posso contar com ninguém. Cada instante de consciencia que afirma o tempo perdido - e que nunca se acha - vou morrendo mais rápido porque nada mais há para ser feito!


Tenho pesadelos noturnos e enquanto acordada eles me assombram distorcendo o que é real do que é ilusão. O mundo não me cabe porque não posso seguir o mesmo curso. Toda noite a imagem da falecida mãe se decompondo no caixão me impressiona e não há ombro para chorar, nem ouvidos para ouvir, nem cérebro evoluído o bastante para compreender, nem paciência suficiente para acalmar e nem tempo suficiente para dispensar.


Busco a morte desejando viver, mas já estou morta! Só resta ser sepultada e se disfazerem do que tenho e que é nada... Tudo o que tenho são valores sentimentais e poucas lembranças boas disfarçadas de objetos baratos.


Metade de mim não consegue ser o que realmente é comigo, pois seu melhor está guardado para quem realmente parece ter maior valor. Não são aquelas pessoas lá fora que se sentam à mesa para discutir problemas e contas pra pagar, nem são eles que mantém roupas e objetos organizados e disponíveis para quando for preciso porque está ocupado demais vencendo mesmo acreditando ser tão desgraçado e infeliz. 


Metade de mim... Que passa pela porta e não volta... Não se importa mais de saber como estou pois, sou apenas mais uma pedra no meio do caminho. "- Vagabunda você não presta!"... "- Infeliz você não é mulher!"... "- As piranhas na rua merecem elogios, mas você, é apenas o peso preso ao meu calcanhar!"... "- Retardada, você não sabe como é o mundo lá fora, você não sabe como é!...” "- Você não vai ser nada, não vai ser nada, não vai ser nada!"... "- O que voê foi e o que você é não importa: deu no mesmo!"


Não importa quanta força seja necessária para não acreditar em tudo isso! Manter meu tronco ereto me exige tanto esforço que perco o fôlego! Logo estarei andando feito um bicho porque ninguém volta para saber, ninguém se importa enquanto vou me consumindo com tanto sofrimento...  Eu sofro todo santo dia! Minha mente nada mais é que o próprio Inferno!


Quero o direito de viver a realidade assim como é e parar de tentar ver lado bom em algo, pois sempre virá uma sombra dizendo o contrário! Quero parar de fingir que existe algo bom em algo, pois não há!


"- Me esqueçam, não quero ser lembrada apenas quando for conveniente!", "- Me deixem sozinha, sempre fui só!", "- Me deixe viver como vivo porque estou numa realidade oposta!" Quero continuar perdendo meus dias sozinha, pelo menos não sinto... Pelo menos me distraio... Quero morrer mas quero viver! Nada do que preciso para viver vem... Nada!


Cada dia da minha vida foi um assassinato de cada parte de mim... Mataram cada parte de mim e cansei de tentar ressuscitar todos eles... Não quero mais acreditar que alguma coisa tem sentido, pois a verdade é que não tem!

Uma vez suicida, sempre suicida! Uma vez nada, sempre nada! Todo esforço será inútil...





Prasanna vadanaaM saubhaagyadaaM bhaagyadaaM
HastaabhyaaM abhayapradaaM maNigaNair
Naanaavidhair-bhuushhitaaM Quem é da face risonha, concedente de todo destino
De quem as mãos estão prontas a salvar qualquer um do medo,
Quem é adornada por vários ornamentos com pedras preciosas
Puer natus est nobis,
Et filius datus est nobis:
Cujus emperium super humerum...
Para nós uma criança nasceu,
Para nós um filho foi dado:
E o governo será sobre seus ombros...
Um dia você veio
E eu soube que você era ela
Você era a chuva, você era o sol
Mas eu precisei de ambos, pois precisei de você
Você era aquele
Que eu estive sonhado em toda minha vida
Quando está escuro vocé é minha luz
Mas não se esqueça
Quem é sempre nosso guia
É a criança dentro de nós

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Depois do primeiro...Meu último Adeus!


Não sei o que dizer-te neste momento... Durante a vida disse tanto e em cada uma deles era nítido que nunca me ouvia. O que saia da minha boca nunca te foi importante, que diferença faria agora?

Sei bem o quanto tua vida foi difícil, de todos nós é: não é fácil viver e não nascemos com nenhum manual de instrução. Por incrível que pareça, e penso eu que você nunca reparou, minha vida também foi muito difícil. A diferença é que você transformou todas as tuas frustrações, adversidades e derrotas em um longo pesadelo e eu transformo em meu constante aprendizado que sempre cria mais e mais sonhos.

Cada vez que você se entregava a uma derrota eu aprendia como não me portar diante da vida. Por um bom período de tempo eu ainda anunciava aos quatro cantos do mundo quão grande te considerava, embora sempre mostrasse mais, sem fazer nenhum esforço, seu lado ruim e negativo. Mas sempre vi que havia em ti um espírito guerreiro que não se dá por vencido jamais, uma insistência em continuar... Nesta tua última batalha é evidente que está perdendo... Talvez porque você nunca tivesse consciência de teu espírito valente, nem tão pouco soubesse por que insistia tanto: seus objetivos sempre foram tão fúteis e banais...

Hoje teu corpo fraco se rende, pois está cansado... Tudo piorou porque você decidiu se render, não importa o quanto eu disse que vale tanto à pena viver: você nunca acreditou nisso! Viver pra você é ter os desejos realizados pelos outros. Mesmo assim, acredita que as pessoas ao seu redor lhe devam alguma consideração ou reconhecimento, e em vez de aproveitar teus últimos instantes para enfim aprender o que nunca foi capaz abusa do pouco enganoso que conseguiu semear em alguém.

Talvez, eu jamais fosse capaz de enxergar algo bom em você... Bem que vi algum bem, mas foi tanto mal que encobriu qualquer luz que pudesse irradiar de ti. Quando alguma vez lembro-me de você, só lembro-me da sensação de estar presa em um eterno pesadelo.

Os gritos pedindo - direta ou indiretamente - para que eu me mantivesse bem distante ainda ecoam dentro de mim. Eu obedeci e me acostumei com tua ausência: ela existe muito antes de você deixar claro o quanto minha presença te incomodava. Eu ainda obedeço e me mantenho longe... A única chance de estar mais perto me fiz de oportunista: tentei marcar forte minha presença. Não deu certo... Foi apenas mais uma oportunidade - não pra mim, mas, pra você - de deixar claro o quanto preferia que eu estivesse bem longe. E voltei para meu lugar tão distante.

Hoje, você decidiu que você é quem irá se afastar, e observo de longe você dando as costas como sempre, seguindo seu caminho sem se despedir. Não vou chamar-te a atenção e dizer ao menos um 'adeus'. A distancia é tanta que exatamente por isso você nunca me ouviu. Só sinto daqui: "Vá em paz!". Porque tudo o que sempre desejei foi que conseguisse ser feliz, e que fosse do seu modo.

Não me despedirei, nem darei flores, nem ficarei observando você desaparecer no horizonte. A verdade é que há muitos anos atrás eu já havia perdido você.



Licença Creative Commons
Depois do primeiro...Meu último Adeus! de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Matheus...


Imagem: Arquivo Pessoal - Matheus na França


Filho meu...

Não se irrite comigo quando eu te exigir atitudes que você neste momento não compreende... Tudo o que manifesto à você será sempre para seu bem!

Compreendo que na sua idade tudo parece muito confuso e que o mundo anda 'de pernas pro ar'. Os valores se inverteram tanto que muito do que digo não faz muito sentido... Compreendo... Parece que foi ontem que eu tive sua idade e enxergava o mundo do mesmo modo... Mas, acredite: quem precisa 'quebrar a cara' para aprender só enxerga a si mesmo. Somente quem pode enxergar o outro aprende com ele sem precisar andar pelas mesmas trilhas... O outro sempre será para nós um espelho que revela a verdade sobre nós mesmos...

Agora, você mascara sua personalidade do mesmo modo que troca constantemente suas roupas... Depende das cores berrantes, das grifes, dos acessórios chamativos para sentir-se diferenciado em meio a uma multidão que se mostra do mesmo modo que você... Eu apenas observo e te permito... Essa é uma das muitas formas de expressão, e você tenta dizer que é diferente... Daqui uns anos, você compreenderá que sua diferença é normal e que deve aceitá-la. Que ninguém neste mundo jamais será como você e que és único! Compreenderá que não é o que está fora que faz você, mas sim o que está dentro. E o que está guardado dentro de ti é só teu,mas você poderá dividi-lo sempre que quiser para quem achar que mereça uma parte tão valiosa tua.

Perceberá, enfim, que por mais esforço que faça, ninguém é melhor que ninguém pelo que aparenta ou pelo que realiza... Que cada um é importante dentro daquilo que foi dotado a realizar... Que depender das emoções dos outros para sentir-se pleno é fraqueza e carência... Não que você deva ser auto suficiente, mas entenderá que tudo o que você gostaria que os outros sentissem por você, pode sentir por você mesmo. Não é Narcisismo... É o reconhecimento que ninguém te dará. É a certeza de que você é tão importante quanto qualquer um neste mundo!

Que o reconhecimento de alguém jamais virá da submissão, e quando isto ocorrer você estará sendo explorado de alguma forma. Que é preciso mesmo que você se reconheça para que os outros possa fazê-lo também...Que servir é para reis e princípes, e o que precisa ser servido não é capaz. Que não se mendinga amor, pois o amor acontece... Que você não precisa se anular ou rejeitar quem você é, pois na sua realidade, você é muito melhor que seus ídolos...

Eu já tive a sua idade... E conversando contigo, às vezes, pareço ainda ter sua idade... E muitos da minha idade ainda tem a sua...

Você cresceu e está mais alto que teu pai... E dentro de você não se limitou ao tamanho do seu corpo... Um dia, você também vai ver toda a maravilha que é você!





Licença Creative Commons
Matheus de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.