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quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Circo dos Horrores



 Mundo frio,com nuvens pesadas e cenários opacos

Secou-se o rio, de águas paradas e ânimos fracos

A Vida por um fio,Almas cansadas e lamentos de fracassos

O caminho não viu, de largas passadas e corações aos pedaços...


Onde está o brio, as tantas gargalhadas,preenchendo os espaços?

A boca que um dia sorriu,é chuva enlamaçada enchendo poços rasos...

Flutuando no próprio vazio, com visões abstratas de sabores amargos

Espírito arredio,em memórias amontoadas de um corpo em trapos


O caminho é sem desvio, com distrações baratas e sonhos em maços

Liberdade num sopro e um assobio, no rosto tapas em vez de afagos

De Egos no cio, com fachadas camufladas que vão causando estragos

Princípio doentio, de mentes controladas que da Perdição são reles sacos...


Embaralho o atavio, pois, as ilusões estão abrigadas em monstros tentaculados

Que as gargantas, contraiu, por palavras vomitadas apresentando mórbido espetáculo

Em público o ridículo pariu: dependência cultuada que em um pedestal, exaltados

A ausência de cônscio não é enxergada, mesmo com olhos esbugalhados...



Este trabalho está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Vazio



O Otimismo levou um golpe certeiro

Se esvai o que sobrou de mim

Trazendo de volta a certeza de fim

Quando a certeza nunca chega primeiro...


Seria o Dharma este vazio, enfim?

O vazio que se expande e ferve feito vespeiro

O vazio branco, vazio, em silêncio verdadeiro

Quanto espaço o vazio vai preenchendo em mim...


A pena desliza sobre o papel inteiro

Está vazio o pote de Nanquim...

Estar vazio é algo ruim?

Sou eu um esvaziado tinteiro...



domingo, 12 de maio de 2024

Na Própria Pele

 


Ninguém vê...
E só agora entendo 
E sinceramente, lamento...
Eu também não vi.


Não vi a luz solitária mergulhada na escuridão
Nem as lágrimas que rolavam quentes
Que tua mente era além das outras mentes
Nem a dor latejando no coração
Não vi...

Não vi os pensamentos perdidos
Atropelando-se entre entre planos e memórias
A frustração da ausência da vitória
Os sonhos que nunca foram esquecidos
Não vi...

Não vi os rasgos precisando de emenda
Das sutis trincas tornando-se rachaduras
De instantâneas alegrias guardadas em molduras
Nem dos trapos guardados para remenda
Também não vi...

Não vi a rainha descoroada
A praga... a decepção... a raiva... Dilacerante
Trocada por tão inexperiente amante
A honra sendo envergonhada
Não vi...

Não vi a rejeição dada de presente
Com mágoas ergueu uma muralha
Sem conseguir esquecer de cada abalo,nenhuma falha
Pouco a pouco apagou-se e ficou ausente...
Só então vi...

Que nenhuma história tem um fim
E que no vazio o fantasma reprisa
Causando arrepio de fria brisa
E se entende porque foi assim...

Os dois olhos sempre podem ver
Mas somente com a percepção
Pode enxergar um coração
E o mais profundo do Ser...

E vi...


Este trabalho está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0

domingo, 21 de abril de 2024

Vênus


Diferente de deixar ir é conformar-se
Diferente de atração é apaixonar-se...

 


Tua inflexibilidade e teimosia não me afetam

Vivo bem segura na mais bruta ostra

Enquanto teus córneos outras fêmeas, encantam

És prisioneiro daquela outra...


Será estabilidade ou zona de conforto

A prole é desculpa ou só onde pode de fato doar-se?

Será excesso de receio por mudanças, ou já estás morto?

Estás mesmo no porto seguro onde pode ancorasse?


Não podes seguir nos Ares em vôos livres...

A desordem e o caos te atordoam... Perdes o rumo

Incapaz de focar-se na Sinfonia da Vida com seus melhores timbres

Por tua paz, tua natureza, tua luxúria, eu sumo.


Não julgo: a balança também não pode pender para um lado só

Se incerto desraigar-se do chão e alçar voo nos Ar

Rejeitasse então o maior tesouro, que agora observo tornando-se pó

É a ânsia de provar de manjares... E ignorar o que de fato é amar...


"Ostra feliz não faz pérola..."

Este trabalho está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sina



Enquanto encontro-me ao chão
Contemplo as estrelas:
Não é preciso esforço para enxergar!
Sinto minha Energia Vital minando
Pouco a pouco se esvaindo...
Sinto-me acomodada na cova funda,
Profunda,
Que eu mesma cavei!

Sinto o cheiro de terra molhada
E gosto disto! 
Pequenos prazeres...
Pequenos "despertar emocional"...
Bastavam pequenos gestos
Para o coração bater mais forte...
Para as mãos ficarem trêmulas...
Para o rosto enrubescer...
Para a respiração acelerar...
Para as pernas estremecer...
Para o sangue correr...
Para os sentidos se abrirem...
Para sentir-me mais viva!

Entre decepções e desencantos
A Vida vai perdendo o encanto...
Cada vez mais fica difícil enxergar,
E torço para que o motivo seja
Meus olhos se fechando:
Que se fechem para sempre!
Cansei de ser um mero pedaço 
De carne ambulante...
Cansei de sentir meus órgãos parando,
A circulação sanguínea difícil,
Os neurônios morrendo,
A memória desaparecendo,
As lembranças morrendo...

Cansei de ser ignorada,
Transpassada feito um nada,
Mero fantasma que atormenta
Quem não se importa nem com o Vento,
Nem com a luz,
Nem com a lágrima...

Bastava uma única palavra
Sincera...
Bastava um gesto convicto...
Bastava uma afirmativa declaração...
E todos os anos passados não seriam mentira...
Tudo não teria sido em vão...
Nada seria mera ilusão,
Criada pela mente fértil,
Criativa,
Que deseja ardentemente sentir-se amada,
Porque deseja sentir-se real!

Acomodo-me ainda mais
Na cova profunda que eu mesma cavei...
Como semente que um dia
Desejar alcançar o céu...
Quem sabe eu poço nascer de novo
E mereça outra sina...

Licença Creative Commons
Sina de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://shimadacoelho.blogspot.com.br/2017/02/sina.html.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Aqui Jaz


"Aqui jaz a sombra do que fui um dia... 
Restam apenas trapos.
O bagaço.
Os resíduos.
Aqui jaz o fantasma que vaga entre cômodos,
Assombrando sempre a mesma casa.!

Lá do fundo - entre as entranhas - 
Há uma fonte de dor...
Ora seca-se...
Ora feito um passe de mágica
Volta a jorrar...

"As pessoas que amei foram as que mais acreditei.
E também as que mais me machucaram..."
Não se sabe se palavras, se atitudes 
- ou a falta de tudo isso- 
Não se sabe se a dor...
Que matou-a lentamente...

Palavras faltaram para animar no cansaço...
Palavras foram demais para reabrir cicatrizes...
Atitudes faltaram: nenhuma mão foi estendida...
Atitudes em demasia: tantas mãos para empurrar ao abismo...

Aqui jaz a Ostra ressecada sem Mar:
Impotente e estéril,
Incapaz de produzir uma única pérola...
Aqui jáz um sepulcro caiado,
Sem flores e sem glórias...
Sem galardão e sem palmas...
Jaz uma caixa sem graça e vazia...
Os sonhos, os desejos e anseios
São tão invisíveis quanto esta criatura que aqui jaz..."

Licença Creative Commons
Aqui Jaz de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 1 de setembro de 2013

Os Sons do Silêncio


Imagem: Lewis

Abaixem o volume!
Ajustem o áudio!
Os sons da mediocridade humana afetam meus ouvidos!
Impossíveis de isolar!
Não me permitem ouvir a música natural da Vida!

As ambulâncias berram desfilando pela avenida,
Deixando claro o quanto do sofrimento alheio é ignorado...
As viaturas passam rasgando as ruas gritando:
- O Mal está em atividade!
Os cães de todo o bairro refletem o que consome seus donos:
- Desconfiança! Insegurança! Desconfiança!
Crianças são ouvidas mas, 
Não são os risos das brincadeiras...
Elas choram e reclamam...
Os ônibus arrancam dia e noite...
Em viagens que nunca terminam...
"Esse povo não tem casa?"
Um louco berrou distante e o eco de sua voz
Invadiu a tranquilidade do meu quarto!

Seria alucinação auditiva?
Porque ao raiar do dia
Ouço galos cantando e respondendo um ao outro...
Na Era da Tecnologia,
Quem será que ainda tem galos no quintal?

As motos vão e vem
Não se sabe de onde ou pra onde
Todas tão iguais,
Buzinando não se sabe pra quem 
Com seus escapamentos abertos
Talvez pra avisar que estão passando...
Uma atenção ou importância requerida também
Pelos carros cuja música desagradável lateja
Feito tiros direto nos neurônios...

A guerra já acabou?
Às vezes, ouço o som de tiros...

Abaixem o som, 
Contenham os ruídos,
Ajustem o áudio!
Reprimimam tanto barulho feito para existir!
Deixem-me ouvir os raios da manhã tocando as casas...
Deixem-me ouvir a negrura da noite abraçando tudo...

Vem a brisa leve e as folhas esfregam-se umas as outras...
O passarinho dorme no galho, 
Oculto aos olhos que dormem:
Ele dá piadinhos como se sonhasse.
Os sons das gentes abafam os sons noturnos:
Não ouvi mais o Quero-Quero passando pela janela...
Todos dormem e não sabem:
Aves noturnas ou viajantes em bando voam a noite
Cantando para a noite...

Durmam! Durmam! 
Para que eu absorva toda esta tranquilidade!
Pois há formas e cores nos sons!
O desenrolar da folha nova no ramo é música!
Nos morros forrados por casas,
No meio da noite alguém se levanta
E acende a luz: um tilintar...
Quadradinhos piscam na escuridão...
- Não despertem! Voltem a sonhar!

O som das estrelas cintilantes azuis
É o mesmo que os flocos de neve fazem ao cair...
Não se vê nuvens mas, pode-se ouví-las passando
Delicadamente...

A brisa tem o mesmo som do sopro vindo da boca da mãe
Na ferida do filho que se machucou ao brincar...

Um carro passa na avenida...
Ouço a borracha aderindo ao asfalto:
Pneu novo!
Um cão late avisando que alguém estranho passa...
Por favor: vão dormir!
Porque com um pouco mais de silêncio, 
Poderei ouvir a Terra girar!

Pois o silêncio é isso:
Uma coleção de sons naturais!

Os sons do 'viver' são diferentes dos sons do 'existir'...






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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sonho Azul



Imagem: Desing... Ponto!


Caminho em meio a grama alta
Minhas mãos tocam uma flor e outra
Como que abençoando?
Não, como quem pede a benção!

O céu é tão vasto! O céu é tão azul!
Uma pequena borboleta colorida ofereceu-me carona...
Montei em sua grandeza e voamos na imensidão!
Voavam conosco elefantes, girafas e baleias brancas!

Descemos à Terra pelo escorregador de sete cores,
E mergulhamos no Mar para dançar com os golfinhos.
O pote de ouro é redondo e é tão azul!
Tão vasto e azul!

O frondoso Carvalho convidou-me a estar em seu colo
Subi e deitei-me em seus braços.
Enquanto as folhas correspondiam as carícias do vento
Um grilo veio contar-me histórias de uma terra distante.

Embala a ternura vislumbrando o manto escuro
Bordado de pedras azuis piscantes
Na imensidão tão vasta
Azul marinho tão azul!

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Sonho Azul de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Ecos



"A constância de tudo...
Reproduções diárias...
Repetitivas.

A constância de tudo...
Compartilhamentos por minuto...
Contínuas.

A constância de tudo...
Dominós enfileirados em queda...
Sequencial.

A constância de tudo...
Vibrações equalizadas...
São ecos!"


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Ecos de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

terça-feira, 19 de março de 2013

Inversos

"In The Wake of the 
Underground Sun"
24 x 36inches
Acrylic on Panel

1989

Copyright A. Andrew Gonzalez. No reprint without permission. All Rights Reserved.



De histórias vou vivendo
Nas histórias me perdendo
Palavras... Tão somente palavras ao vento...
Tal orações que não sobem ao firmamento
Sem sentido... Sem sentido... Nada sentido...

O diabo multiplicou-se pela Terra - antes paraíso - 
Aponta o dedo... Critica ofensivamente... Comenta com malicioso riso...
Tal qual o próprio, estão certos do lugar garantido ao lado de Deus,
Mesmo que - se preciso for - irão  massacrar qualquer semelhante seu
Dízimo... Dizimado... Exterminado...

O diálogo foi morto e a informação tomou seu lugar:
Devoram-na os desesperados carentes até se entalar...
Depois dizem: '-Vejam como tenho tanto conhecimento!',
E não encaram a própria incapacidade de gerar um único pensamento...
Informar... Formar... Condicionar...

Quem tem coragem de perguntar por não saber?
Antes, procurarão a resposta e a entregarão mesmo sem nada compreender...
Todos por um: somente se a causa for própria - só a vítima sabe da dor...
Um por todos: e lá se vai toda a saliva e a energia com tão solitário clamor...
Sem questão... Sem resposta... Sem solução...


Pra onde ir? Pra onde todos estão indo!
Se sigo com todos, me sinto aceito, basta continuar com eles seguindo...
O caminho contrário exige mais, é mais difícil e há pouca gente esquisita...
Sou carente, quero ser aceita, me enquadrar, mesmo me transformando em parasita...
Enquadrado... Enjaulado... Prisioneiro...





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Inversos de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Nascente em Mim




Hoje eu desejei ver o Sol nascer... Já havia me esquecido de tamanho encanto!

No meu coração tantas sombras querem me atormentar...  Mas olho para o Sol.
Lentamente, sem que os olhos compreendam, ele vai mudando a cor da paisagem bem antes de aparecer. As nuvens cinzas - sobras da noite que se vai - é agora tingido de luzes em vários tons alaranjados fluorescentes.

As estrelas se apagaram e as luzes nas casas ainda são vistas... Ônibus, carros e pedestres iniciam suas rotina frenética mas eu me foco no céu.... O Sol ainda não surgiu mas ele está lá... No horizonte onde uma mão gigantesca parece ter passado seus dedos tentando misturar as cores... Cores...

Hoje desejei ver o Sol nascer... Para me focar... Para me lembrar que sou diferente. Para não me arrepender de cada palavra dita, de cada gesto dado com sinceridade, de cada minuto tão precioso de minha reles existência ofertado de bom grado a Vida: a minha Vida, às outras Vidas...

E as nuvens agora são brancas. Tão brancas quanto esta Paz que vai me tomando... Tomem de mim o que quiser! Traiam-me! Roube-me! Enganem-me! Mas jamais podem tirar minha Paz!

O dia grita: "- Não permita que te roubem a Alma!' Prudência e paciência... É desse modo que o Sol nasce.




Eu passei noites e mais noites em claro me auto destruindo e consumindo minhas energias com coisas tão tolas e acreditava que sabia viver e que conhecia o lado bom da vida... Foi a Luz que me trouxe clareza... A Luz dissipa as nuvens negras...

Ontem na escuridão da noite o Sol brilhou! Sua luz iluminou e revelou segredos ocultos.  Senti um punhal cravando-se em meu peito! Mas logo veio o Sol... Dissipou tudo e me lembrou que posso continuar fingindo que nada vejo... As pessoas mentem, omitem, tramam e eu finjo não ver... Assim como o Sol que nasce toda manhã e finge não saber que ninguém se importa em assistir seu majestoso espetáculo....

E o Sol surge e arde sobre a pele! Por favor!  Queime meus  pecados e meus olhos para que eu não veja mais!

Eu evitei aquele caminho cheio de ciladas e enganos... Pensei no quanto todos merecem ser livres e merecem um pouco de afeto... Mesmo que eles possam e eu não... Tropecei por acidente e passei por onde evitava... E vi! E agora, meus olhos que ainda não se fecharam para a noite terá que fingir que nada viu...




Veja aquela nuvem a pouco tão negra... Foram queimados seus pecados? Queima  também minha Alma tão negra! Para uns és referência de dia, para mim referência de Vida.

Tanta dor e sofrimento podem acontecer em uma só noite. À noite estive no deserto e o Diabo me tentou! E quanta alegria e satisfação pode ser vivido em um dia! Eu cheguei nas portas do Paraíso!

O Sol queimou os meus pecados e dissipou a escuridão! Eis um novo dia!



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O Nascente em Mim de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Venusiana



Ensandecida ou hipnotizada - pela voz talvez - fez-se nua
Dançando sob os telhados cinzas de chaminés enegrecidas,
A pele tornou-se alva banhada pelos véus luminosos da Lua,
Exposta ao vento... Por cima das casas... Das gentes adormecidas.

Enquanto todos dormiam, entregava-se a um sonho na noite muda,
Fingindo que o próprio toque fosse o peso da mão tua...
Cheia de vergonha a estrela tão azul piscou rubra,
Deitou-se no telhado cinza - abrindo-se ao céu - revelando a carne crua...

Dezessete gatos surgiram de todos os lados,
Formando um círculo - moldura da estrela de cinco pontas...
Os sussurros ofegantes - embora distantes - deliciosos agrados,
Os uivos contidos foram tantos que perdeu-se a conta...

Que venha o Sol aquecer a água fria - banhar-me-ei com Alecrim,
Esmagarei também pétalas de Lavanda para que o perfume apure...
Água condutora leve meu desejo "Que esteja em mim..."...
Que mais perto de meus ouvidos aquela voz murmure...

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Venusiana de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Embalo das Flores


Imagem: Foto de Arquivo Pessoal


Escancaram-se as delicadas pétalas das flores
Desejando um abraço do novo alvorecer...
De felicidade exalam seus melhores odores
Para um novo dia receber...

Se pudessem veria-lhes de faces rubras
Com os gracejos e carícias do vento...
Em um embalo tão terno tal qual as brumas
Dançando alegres para o firmamento...

Ainda generosamente ofertam para as borboletas
Mais cor e beleza que espalham-se pelo mundo...
Dançando ao som de suas canções sem letras
Revelam-se ao vivo e ao morto, ao rico e ao vagabundo...

Tão discretas e humildes feito Violetas
Ou tão viçosas e cobiçadas Rosas vermelhas...
No mundo há flores alegres ou espinhos que lhes espeta
No mundo há jardins de flores brilhantes feito centelhas...


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Embalo das Flores de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Flor de Lótus



Eu Te agradeço  por minha Vida!
Avessa... Do contra... Contra a maré!
Agradeço a chance de ter errado tanto... 
E de receber o prazer do que é acertar! Corrigir! Moldar!
Agradeço cada insanidade, pois não se reverteram em consequências graves: a chance veio!
Uma pedra pode ser posta no meio do caminho e o curso mudou!
A mesma pedra que fechava a entrada do meu coração frio...

Eu odiei com intensidade!
Com a mesma intensidade que hoje eu amo!
Eu desejei o Mal! Desejei praticar o Mal! Desejei ser o próprio Mal!
Eu bebi de todos os venenos! Eu devorei a carne que sangrava!
Assisti homens e mulheres se devorando,
Ouvi os gemidos e sussurros e me senti no Inferno!

Mas houve lágrimas que criavam ondas no meu curso...
Houve tombos que agitaram as águas...
Houve uma compaixão maior, não sei por que...
Recebi Bem! Gerei Bem! Mergulhei no Bem! Inundou-me de Bem!

E hoje tudo está tão claro...
As águas barrentas e o charco de lodo passou junto com as tempestades!
As grandes águas inundaram o mundo e levou tudo o que feria os passos!
Nas águas límpidas vejo quem sou! Nas águas límpidas reflete a luz!
O Passado não faz mais sentido...

Aquele sentido que era matar tudo sentido!
Aquelas armas assassinas que desejavam exterminar tudo:
Sentimentos, sensações, lembranças e tudo mais!
O copo sem brilho carregava a Morte...
O rastro branco conduzia os passos ao abismo...
No trajeto a névoa eram sonhos se dissipando no ar...

Eu matava... Me matava... Matava...
Eu morria... Morria...
Procurava a Morte e não a encontrava!


O sujeito saltou do beco escuro e era como uma sombra...
Intentava servir a presa como manjar para supostos deuses 
Em uma mesa onde a escória se sentava para maquinar o Mal...
Na escuridão, notou-se a luz!
A alvura dos trajes contrastavam com a alma negra...
Um anjo veio ao socorro!

A chance!
Que se colocou na frente do poste!
Que fechou as portas do ônibus!
Que caiu como entulhos na entrada do prédio abandonado!
Que fez a arma falhar!
Que fez a mão que empunhava a faca fraquejar!
Que obstruiu as passagens nas artérias e nervos!
Que lavou o estômago!
Que fez a medicação excessiva perder seu efeito!

A chance!
Que é o guia que caminha ao lado quando atravessa o Vale da Morte!
Que ilumina os passos na floresta do Medo!
Que te cobre e te refugia no deserto!

Os demônios morreram de inanição! 
Nas cavernas agora há Luz!
As cicatrizes pelo corpo não se abrem mais!
Não há mais veneno correndo pelas veias!
A chance!
Que te resgata depois de mostrar o caminho por onde nunca mais deve passar!

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Flor de Lótus de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Silêncio Noturno, Vozes da Noite



Os pés sentem a textura dos pequenos galhos e folhas secas
Que estalam a cada passo cauteloso e lento...
Estalam lento e sorrateiro...
Os passos se tornam doídos... Difíceis...

Ao mesmo tempo as mãos flutuam no ar às cegas, afastando a vegetação
Coberta e úmida do sereno noturno,
Que tenta esconder o caminho nunca antes percorrido...
Nunca percorrido pois não há rastros ou a negridão da noite não deixa ver?

A noite até os passarinhos que sonham em seus ninhos sussurram para não quebrar o silêncio... Tanto silêncio causa insegurança... Medo.
O silêncio é feito dos galhos e folhas secas que estalam... Do sussurros das aves... Do mover dos animais noturnos...Da escuridão que é tão quieta...

São as copas das árvores que escondem a escuridão, o caminho e o silêncio...
Logo chega-se a uma clareira onde a Lua revela que o silêncio é feito mesmo de vozes noturnas...
Não há tanta escuridão... Não há tanta luz...
Mas os vultos que se movem são tão obscuros... 
São manchas negras vivas movendo-se tão cautelosas, lentas e sorrateiras... 
São formas que sem identificá-las são apenas pequenas porções de escuridão...
Ou são grandes monstros negros...

Onde a Lua ilumina não há árvores...
Uma clareira convida à luz...
Ali, a escuridão é apenas um muro gigantesco que cerca a clareira...
Ali... A luz encontra-se encurralada...

Deitar-me e entregar-me ao mergulho na luz...
Ou seguir em passos sorrateiros e enfrentar a escuridão...

O silêncio noturno e as vozes da noite...
O silêncio é a Paz interna que germina...

As vozes são todos os medos que rondam...

Tudo o que é vivo produz sons...
Tudo o que morre silencia...


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Silêncio Noturno, Vozes da Noite de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

Baseado em 

Voices Of The Night (Analog Dream Live) by Marcelo Diniz

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Clausuro




A flor que mingua
Vai perdendo sua cor 
E não questiona sua sina...
Logo despencará de seu pedestal,
E ninguém notará...
Até que a vassoura passe,
Mesmo assim - com seu corpo murcho estendido ao chão -
Ninguém questionará...

Sopra o vento e leva para onde bem entender
A folha seca...
Ela não reage,
Não escolhe,
Nem pode,
Jaz morta...

Invoco sonhos reveladores,
Eles pousam confusos...
Surreais...
Nem posso começar a compreendê-los...
Não posso contá-los:
Como falar de coisas que nunca vi?

Os passarinhos dormem,
Piam enquanto sonham...
Murmurinhos noturnos...
Os cães alertam a cada vulto que passa...

As nuvens escondem as estrelas
Mas elas estão lá... Na imensidão...
Cintilam como sempre...
Não posso vê-las mas, estão lá...
Mesmo que não haja olhos admirados,
Nem corações apaixonados
Derretendo-se em juras de amor...

O telefone toca e dissipa
- Feito fumaça -
Meu cenário natural...
Não quero atender... 
Nunca quero usá-lo...
As vozes cansam-me...
Tantas vozes...
Dissesse eu que ecoam dentro da cabeça,
Um decreto talvez traria-me paz...
Que paz haveria se eu mentisse pra mim mesma?

Quero retornar ao cenário noturno
Onde o silêncio impera absoluto...
De que adiantaria 
Se os olhos parecem ouvir...
Se lágrima é o que vê, 
Os olhos podem ouvir o som antes que caia...
Lágrimas tem som - cristal
Sorrisos tem som - euforia
Olhar vago tem som - eco em quarto vazio...

"A Dona Aranha não sobe a parede,
Desce pelo lustre
Que a abrigou."

Empresta-me Dona Aranha a tua teia...
Quero construir para mim um casúlo.




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O trabalho Clausuro de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Insanidade Emocional


"No Mar da Polissemia vou me perdendo...
E ai de mim se dependo da audição!
Pois que a boca jamais pode esconder
Do que está cheio o coração!

Nas expressões corporais vou viajando,
Tentando discernir o que de fato sentem...
Pois a boca confessa o que desejam,
Mas os olhos jamais mentem!

Não confronta a extrema necessidade 
De a alguém ser subordinado...
Pois, se possível, se veste de falsidade,
Para ser aceito e portanto, aprovado...

Carência afetiva - droga emocional,
Que desenvolve a constante dependência,
A larica - é a opinião alheia e o convívio social- 
O coração fica insano e a mente em demência."


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O trabalho Insanidade Emocional de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

sábado, 21 de julho de 2012

Tradição da Serpente




Despe-te ó Lua
Deste véu da negridão noturna...
Revela-nos os ocultos umbrais,
Deixa-nos a alma nua,
Seca nas trilhas os lamaçais...



(Segura-nos a Sabedoria á mão direita forte
No mistério da citação de teu nome, Toth...)



Veste-te de prata e nos revele,
Tal qual somos além do espelho...
Como chama - criando círculo de luz -
De todas as sombras nos vele,
Sem brilho próprio mas, o Sol tu reluz...


Reflete em nós alvura desejada,
Imaculando a Alma - Pomba Branca...
Quem sabe cessem os sonhos alados,
E a essência  seja então libertada...
Livre dos grilhões os Exilados!


Tu - Serpente Apocalíptica - testemunha,
As crenças, a fé, os ritos ocultos...
Bem sabes que invocamos teu Criador,
O Ser Supremo que a Espada da Justiça empunha,
Traga-nos o reino do Deus sem nome... Do Amor!


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O trabalho Tradição da Serpente de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.