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domingo, 19 de outubro de 2014

A Rosa do Mundo





Contava meu vô que após a Segunda Guerra e após o episódio de Hiroshima e Nagasaki o povo japonês precisava iniciar a reconstrução do país. Para o governo sozinho, esta reconstrução seria impossível portanto, a participação da população foi de suma importância.

Ao mesmo tempo, o governo reestruturou os métodos de ensino, incluindo na educação escolar desde boas maneiras até conhecimento necessário para que as futuras gerações pudessem reerguer a economia. Iniciou-se uma cultura pós guerra. 

Todo sofrimento da guerra foi utilizado para que um novo modo de vida pacífico e tranquilo fosse possível.Esta nova cultura também fortaleceria o povo lhes ensinando solidariedade, ordem e união para que diante das catástrofes naturais tão frequentes no país, o povo como unidade pudesse sobreviver e resistir. A intenção é que nunca fosse necessário fazer parte de alguma guerra...

A admirada cultura japonesa existe porque aprendeu com os horrores da guerra estando tanto do lado do opressor como da vítima.

Aqui no Brasil, não precisaríamos aprender com guerras e catástrofes naturais... Como seres humanos, nos bastava a empatia para sabermos que o lado certo a estar é o do Bem.

O brasileiro precisa dar o devido valor a terra que tem... Nenhum lugar no mundo é como o Brasil.

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A Rosa do Mundo de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

                           

A Porção de Arroz



Meu segundo mês vivendo no Japão foi delicado. Chegamos no país em pleno verão de 40 graus: eu nunca havia estado em uma temperatura tão alta. 

O resultado foi uma desidratação intensa. Por isso, a empreiteira que nos contratou, solicitou que eu fosse levada urgentemente ao médico. 

E estava eu na sala de espera da clínica onde uma senhora de muita idade também esperava sua vez. Sorridente, perguntou porque eu estava tão pálida. O acompanhante explicou que eu não estava acostumada com o clima do país e não me sentia bem. 

A senhora puxou a bolsa, revirou com certa dificuldade, encontrou sua carteira e retirou dali uma nota de 1000 yenes. Para o modo de vida japonês não é grande quantia mas para nós brasileiros, é bastante. Ela estendeu a mão oferecendo o dinheiro e eu me recusava a aceitar. Afinal de contas, era a primeira vez na vida que eu via aquela senhora e aceitar seu dinheiro me fazia sentir-me abusada. 

Então, o acompanhante fez o papel de intérprete e explicou: - Você deve aceitar. Ela está dizendo que não é muito mas, dará para você comer bastante arroz e ficar forte. Aqui no Japão, acatamos as ordens dos mais velhos, principalmente se o desejo deles é cuidar de nós: aceite!

Aceitei a generosidade daquela senhora agradecendo como o costume do país manda. Entrei na sala do médico para minha consulta e nunca mais a vi. Vez ou outra, relembro desta história aqui em casa e peço a Deus que, independente do plano onde aquela senhora esteja, que ele continue a abençoando.

Naquele dia, ela me deu muito mais que dinheiro para o arroz e muito mais que um gesto de cuidado por uma estranha. Ela me deu uma lição grandiosa que tenho levado pra sempre. Licença Creative Commons

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