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terça-feira, 23 de agosto de 2022

"Shimada, você não vai mais publicar seus textos na internet?"

 Vocês fazem umas perguntas difíceis.... Hahahahaha!!! Tá, vamos lá!

Não publicarei mais nada meu na internet, a não ser que o Via Fanzine solicite: amo escrever para eles e seus leitores. Contos, crônicas, poemas, poesias não mais! Aliás, nem o texto que publiquei ontem (ou foi anteontem) eu não queria publicar.... "-Ah, por que Shimada?". Vou contar...Quando comecei a publicar meus textos na internet, em 2005, lá no Recanto das Letras, fiquei popular naquele site por dois motivos: discriminação e plágio!

A discriminação:

Em 2005 o site Recanto das Letras era procurado por escritores e poetas que realmente queriam se dedicar a Arte Escrita. Era um espaço para novos "talentos". Tanta gente falou na minha orelha que eu deveria publicar na internet, que considerei seguro publicar lá (e até hoje é um espaço seguro para publicações de textos, pois, há a proteção dos direitos autorais).

Eu havia recém chegado e estava sendo muito lida e comentada. Principalmente por pessoas aptas a fazer críticas literárias. O problema é que, como em qualquer lugar, virtual ou não, lá tinha uma "panelinha" constituída de pessoas bem mais velhas que eu, formadas em Línguas, Literatura e essas coisas: consideravam que o diploma delas as tornavam talentosas e habilitadas para serem escritores e poetas. Euzinha não tenho nenhuma formação. Aliás, euzinha detesto qualquer tipo de regra não apenas na Vida, no mundo, mas também na Arte: a verdadeira Arte é a expressão da Inspiração e esta é livre! Eu não queria saber se eu estava usando corretamente a métrica, nem as formas gramaticais, as regras de composição: não sou marcador de compasso, não sou editora, só quero me expressar! Mas.... a turma da "panelinha" não estava gostando de tanta gente indo me ler e comentar.... Começaram os ataques! Críticas bem negativas e pesadas, algumas ofensivas, esnobação, depreciação, apontamento do que seriam "erros imperdoáveis" para quem realmente tem o talento de escrever, portanto, queriam dizer que eu não tinha. É fácil pra mim ignorar certas coisas, mas, comecei a me perguntar se de fato, sendo eles formados estariam certos ao meu respeito... Talvez, eu fosse um verdadeiro fracasso literário! Havia um fórum onde a depreciação ganhava maior dimensão, visto que a "panelinha" junta se sentia forte e blindada. Foi quando profissionais também formados, mas, mestrados, doutorados, pós graduados, começaram a me defender. O próprio site desaprovou aquelas atitudes. Talvez, não tenho certeza, por isso o fórum acabou pouco tempos depois...

Aqueles profissionais realmente capacitados passaram a deixar comentários em alguns textos. Isto, exatamente isto, me motivou a continuar. Estes distintos profissionais percebiam o que eu tentava fazer.... Eu utilizo as coisas externas para falar das internas... eu uno psicologia/filosofia/física...eu adoro o recurso das metáforas... eu não sigo as regras, eu brinco e me divirto com as palavras, que são pra mim como os números são para um matemático! Eu respeito e devoto a Inspiração: me rendo a ela e permito que ela me use, sem me preocupar o quão ridícula, fora do padrão ou errada eu possa estar! Foi desta forma que surgiram grandes idéias, grandes descobertas, teorias revolucionadoras, novos conceitos, novas formas, novos caminhos, simplesmente o novo!

Não demorou muito para eu ser descoberta em um fórum de ufologia (ham ham). Sim meus preciosos leitores, Shimada pesquisa ufologia e casos de abdução! Pepe Chaves percebeu que meu jeito de escrever e expressar era diferente e apostou em mim! Assim, no Via Fanzine foi publicado meu primeiro de muitos artigos!

O plágio:

Enquanto isso, ainda no Recanto das Letras, começou uma onda de plágio: pseudos escritores estavam plagiando meus textos, um inclusive publicou um livro com um texto meu. Muitos leitores apareceram para apontar os plagiadores. Então, passei a ser conhecida ali como a mocinha que berrava nos quatro cantos da internet contra o plágio! Embora houvesse naquela época um recurso para buscar os textos plagiados, eu não tinha tempo para todo santo dia fiscalizar se alguém tinha me plagiado ou não. Foi quando parei de publicar no site que continua sendo muito bom e recomendo!

Então, me limitei a escrever apenas para o Via Fanzine e a republicar meus textos do Recanto aqui no blog, compartilhar no Facebook onde eu ficava divagando, delirando e filosofando com a barra de rolagem... Até que, em meio aqueles duelos umbigocêntricos sobre política, sobe isso, aquilo, sei lá mais o que, comecei a perceber algo estranho....

Há pessoas ali no Face que criam umas imagens com frases e colocam o próprio nome e bora compartilhar.... Estava achando muita coincidência que, as abobrinhas que eu ficava tagarelando ali, de repente apareciam nestas imagens com frases.... Só então me dei conta que eu tinha seguidores além dos amigos adicionados. Preciosos... Estavam plagiando os pensamentos que eu expressava no meu mural! Saco isso, né? As pessoas não contemplam, não meditam, não pesquisam, não pensam mas querem espalhar frases de impacto que não foram elas que criaram?

Lamentavelmente, há a lei contra o plágio de uma obra, mas, não contra a idéia! Não importa quantos processos seus pensamentos passaram para que você chegasse a uma conclusão, se você a expressa em qualquer espaço  virtual, vão tomar posse e utilizar como se fossem autores. Ai foi a gota d'água, né?

Até mesmo estas linhas, que é só uma resposta a perguntas recebidas, pode se tornar interessante para alguém que precisa de "conteúdo" para se destacar no mundo virtual. Gente vazia querendo parecer que tem conteúdo... Enfim...

Como Shimada não quer aparecer (caso contrário ficaria mostrando a face no VocêTube) e quer que seu trabalho seja visto.... Sigo eu aqui, escrevendo porque é isso que sempre fiz e sempre farei.

Minhas poesias, poemas e textos estão sendo editados para virarem livros. Não fico feliz com isso porque, o único livro que publiquei ficou horrível (é preciso uma lupa pra ler) e o valor que estão cobrando não corresponde a qualidade. Preferia quando eu podia publicar na internet e as pessoas podiam ler sem pagar nada.



"Fale um pouco sobre você, Shimada!"

Aaaaahhhhhh, dão! O que Shimada poderia falar sobre ela?








Às vezes, eu conto um episódio da minha vida como metáfora, analogia... Ficar falando de mim assim do nada eu não sei fazer isso... Me soa meio que um umbigocêntrico narcisismo...

Ham.... Sério: sinto minha cabeça oca quando é para falar sobre mim....

Vamos fazer o seguinte: pergunte e eu respondo! Aliás, nem precisa perguntar especificamente sobre mim.... Sobre o que quiser porque tem assunto mais interessante do que falar sobre mim hahahahaha!!!

Combinado então?

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Pensamentos, meros pensamentos...

 O blog não serve mais para publicar poesias e poemas novos: a página de autora e do livro Histórias de Fantasmas - O Jardim das Vidas Findas, no Facebook, fora excluídas. Eu cansei do plágio em todas as suas formas. Boas intenções nem sempre se revertem em boas atitudes... Nem sempre, quero dizer, na grande maioria das vezes... Publicar na internet era um modo de levar a poesia e a Arte Escrita sem que os leitores precisassem pagar por isso: publicar um livro é caro e quem acaba pagando é o leitor. Mas, quem não está nem aí pra isso e quer aparecer como escritor ou poeta, vai colhendo uma ideia ali, outra aqui para formar alguma coisa e depois dizer que seu talento, inspiração e reflexão geraram aquilo... Poderia manter assim, nesta falsa fachada de pensador, se a intenção não fosse publicar, ganhar dinheiro e ficar famosinho... A reflexão própria é tão boa que ainda não sabem que para ser eternizado pela História, é preciso ser naturalmente diferente, não famoso. E só a morte é que aponto quem de fato era diferente e talentoso, porque apenas o que é verdadeiro permanece...

Então, ta... O blog vai servir  para que? Pra isto que estou fazendo agora... Um bate papo. Não, seria bate- papo se houvesse uma interação ao menos nos comentários... Um monólogo! Isso! Sem nenhuma pretensão de ser lida. Compreendo porque há tantas visualizações e nenhum compartilhamento, curtida ou comentário... A identificação faz com que apreciemos algo... É fato, caso contrário, eu não teria ido tão longe como escritora... E se é identificação, minha empatia diz que sentimentos e emoções semelhantes leem, se identificam em algum trecho pelo menos e não se manifestam porque devem estar no mesmo estado que eu: e meu real estado eu não anuncio aos quatro ventos a não ser que seja necessário.

E hoje, obedecendo a minha dependência e ao meu impulso nato de escrever, quero tocar em dois pontos que estão nos trechos anteriores... Como sempre, sua identificação estará nas entrelinhas, mas, irei apontar o que etá nas entrelinhas dos dois trechos anteriores...

No primeiro trecho está o desrespeito em uma de suas várias formas, o egoísmo e a dificuldade de alguém em reconhecer a capacidade do outro.  No segundo está 
a compreensão profunda sobre os motivos dos outros. Pois bem... Vamos lá!

Eu não sei qual parte do "Estou muito cansada" ninguém consegue compreender. Eu sei que ninguém tem visão de Raio- X... Eu sei que é como minha mãe dizia: "Então por que não fala?". Entre as coisas que sei, há aquelas que não sei e não compreendo. Eu jamais subestimei a capacidade de absolutamente ninguém: todo mundo, cada um na face da Terra, nasce com um talento nato que o fará se destacar e mais ninguém será igual ou tão bom quanto. É assim que enxergo as pessoas. Isto criou uma ideia fixa de que todo mundo interpreta o mundo como eu. E precisei levar muita pancada da Vida para descobrir que não é assim, embora pudesse ser...

Meu universo pessoa possui leis, regras, chame como quiser. Eu as sigo a risca porque são resultado de profunda reflexão, análise, estudo, observação. Uma dela é que "Tudo o que for fazer, faça seu melhor". Eu não tenho que ser melhor que ninguém e nunca serei. Serei apenas diferente, só. Mas, em tudo o que eu fizer posso dar o máximo de mim, fazer muito bem feito, da melhor forma possível, seja para mim mesma, seja para outra pessoa. Eu não espero reconhecimento ou algo em troca. Espero que seja compreendido que, quando faço algo por alguém é um modo de interagir com este alguém. E quando interagimos, é no mesmo nível, ou, deveria ser segundo a educação e boas maneiras... 

Um exemplo é que, não é hábito meu falar gíria ou palavras chulas. Mas, quando estou socializando e alguém que usa estas linguagens interage comigo, eu soltou uma gíria aqui, escapa uma palavra chula ali, porque neste momento estou me colocando diante do outro como igual. Da mesma forma, já conheci pessoas que em uma frase com dez palavras, oito são gírias, mas, ela anulava as gírias ao interagir comigo: porque ela estava se colocando no mesmo nível que eu, no sentido se colocar como igual. Não estou falando de criar uma fachada para impressionar ou posar de algo que não é.  Estou falando do ato civilizado, carregado de empatia, de um sentimento que só tem quem realmente se importa com o outro e como o outro se sente consigo, interação humana, respeito, bons modos...Tudo isto não se manifesta apenas em interações sociais. Se manifesta em tudo o que fazemos, seja para nós mesmos, seja para o outro. Em tudo o que fazemos, mostramos quem de fato somos em todos os sentidos. Em tudo o que fazemos, é possível ver se a auto afirmação de amor próprio é fato ou apenas uma fachada para agradar aos outros, quer dizer, em tudo o que fazemos, pode-se ver se alguém realmente se ama a ponto de amar o outro...

Na minha idade, observando com rigorosa atenção absolutamente tudo neste mundo, eu cansei... Viver isolada se tornou minha  melhor opção, visto que por muitos anos, me condicionaram a viver assim. Quando vi a portinha da gaiola aberta, não consegui sair... Porque ao obedecer minhas próprias regras, estipuladas para que eu possa me orientar neste mundo, sou mal interpretada... Quando você faz seu melhor, quando você se torna disponível, quando você se acostuma a estender a mão, as pessoas abusam disso. Elas nunca estão presentes quando você precisa, mas, de repente, elas aparecem agradando, fazendo você se sentir a última coca- cola gelada do deserto e você sabe que é porque ela está precisando de você para alguma coisa...

A total compreensão me leva a compreender porque as pessoas são assim. A compreensão anda de mãos dadas com a empatia... De tanto compreender, a compreensão se mistura ao melhor que posso fazer. As pessoas ultrapassam os limites do abuso, dá má interpretação de suas atitudes. De repente, passou dos limites da exploração. De repente, diante de você e de sua capacidade em ajudar/apoiar de alguma forma, seu tempo é roubado, sua privacidade invadida, sua rotina quebrada, seus projetos deixados de lado... De repente, a porta da gaiola ainda está aberta e você não voa porque continua sendo prisioneiro... O amor próprio que você julgava ter não existe, à partir do momento em que você se anula em prol do outro, graças a sua profunda compreensão e capacidade de ajudar o outro seja no que for...

A compreensão profunda desencadeia várias outras virtudes, mas também, amplia sua capacidade de enxergar e ler os outros. Em sua capacidade de fazer o melhor, você chama a atenção de quem sempre precisa de outra pessoa pra realizar algo e a frequência com que isto acontece, torna bem sólido um pensamento: "Vou deixar meu problema de lado porque posso resolver sozinha, mas, coitado do outro, sozinho não consegue, preciso ajudar". Não vemos que tudo isto nos anula, nos poda e nos estaciona no caminho... Ajudamos os outros a seguir e enquanto os empurramos - pouco ou muito - vamos ficando para trás... De repente, você não tem nada... Nada de nada... Todo seu melhor foi doado para as pessoas que passaram em seu caminho...  Toda sua doação muitas vezes, vai em forma de Energia Vital... A Energia que você mais precisa para os momentos decisivos de sua Vida...

Certa vez, alguém me perguntou: "- Qual o propósito de prever, ter os preságios, se eles não são claros e portanto, nada pode ser feito a respeito?". Eu nunca soube a resposta e aliás, sempre me fiz a mesma pergunta... Hoje eu sei... 

Noites atrás, repousei minha cabeça no travesseiro para dormir e "vi" um avião cair. Só "vi" ele caindo igual a uma fatia de pão com manteiga... Como se a gravidade sumisse, como se fosse arremessado feito a bola que batemos no chão... Foi uma cena muito rápida - fração de milésimos de segundos - e as únicas informações que a cena me dava era que caiu sobre rochas e era um avião pequeno, do tipo que executivos usam. Me perguntei novamente pra que ver isso ou se realmente vi algo... Talvez, eu sofra de alucinação... Não existe nenhum propósito para ver essas coisas. Até então, eu acreditava que estas cenas surgiam para vibrar por alguém que nunca sei quem é... Fiz isso, como faço desde a infância: vibrei positivamente seja lá para quem fosse e que o Universo fosse respeitado em seu ciclo natural sobre todas as coisas. Dormi horas depois com dificuldade, sabendo que um avião ia cair... No outro dia, não procurei saber se era fato ou alucinação... Notícia ruim corre rápido e ela passou por mim. De fato um avião havia caído...

Do que me serviu ver isso? É apenas parte do aprendizado... Cada vez que sua mente se amplia, mais você enxerga, aumenta seu campo de visão. Você se acostuma a "enxergar". Você vai se conectando cada vez mais com o Todo, torna-se elo de uma Grande Corrente por onde tudo passa... Há coisas que enxergamos, não quer dizer que devem ser ditas, não quer dizer que algo deve ser feito...

Sua compreensão profunda desencadeando outras virtudes que aprofundam ainda mais sua compreensão do outro, não significa que você realmente deve fazer seu melhor pelo outro... Enxergamos a ponto de tamanha compreensão apenas para compreender e aprender, só. Nem sempre temos que nos mover pelo outro. Nada, nenhuma virtude ou capacidade é válida sem o Discernimento. E o Discernimento diz que muitas vezes, estamos interferindo no ciclo de crescimento do outro.

Toda esta falação é para concluir que, ninguém é responsável por Hoje eu me sentir tão cansada. Não é fraqueza, é um cansaço absurdo! A única responsável sou eu! Eu deixei as pessoas mal acostumadas, porque eu não compreendi da maneira certa, eu não me movi no momento certo... Eu sou responsável pelo meu próprio cansaço, não culpada. Ninguém tem culpa de nada, só é responsável por algo...

Das suas uma: ou permito que me seja minado o resto de Energia que tenho, ou mudo minha postura... No momento, só sei que quando eu me recusar a me mover por alguém, não serei egoísta: egoísta é quem acha que sua própria necessidade é mais importante que o fluxo no Tempo/Espaço do outro... Quando eu não me pronunciar, expressar e demonstrar compreensão no dilema do outro, não é falta de empatia: é sensatez, um pouco de auto consideração, é respeito pelo ciclo de aprendizado do outro, é não subestimá-lo, é discernimento...

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Incredulidade em Tudo

 



Eu preciso terminar o pedido de uma cliente: um retrato em tela que muito me honra em pintá-lo. Não consigo: ontem à noite precisei me medicar... Neste exato momento acabei de pensar: "Se você ainda tem energia para escrever, continue o livro: ninguém vai ler este blog...". E a bem verdade é que, não importa se ninguém ler: só quero escrever!

Gradativamente ao longo dos anos, vou abandonando crenças e tornando-me cada vez mais incrédula em tudo: tudo é um modo exagerado, pois, ainda falta um pouco para alcançar 100% de descrença em qualquer coisa...

Eu compreendo quem crê e se devota a Deus: ele não tem imagem para ser julgado, ele não fala, ele é Amor, ele está com a pessoa que crê nele quando todos a abandonam, mesmo invisível e sem nenhuma certeza de que ele está ali mesmo: se a pessoa crê que está, então está!

Quando você segue a vida desacreditando cada vez mais, há uma necessidade interna que implora para se acreditar em algo... Em muitos trechos do caminho, é preciso crer em algo para se auto motivar, para conseguir dar o próximo passo, para ter forças suficientes para ao menos ficar de joelhos ou em pé, é preciso ânimo para ao menos suspirar...

Deus é uma promessa interessante, porque crer em coisas é ilusório: coisas são transitórias e parece que Deus é eterno. Crer em pessoas é decepcionante, porque todos nós somos condicionados a criar expectativas e ninguém na face da Terra está apto a satisfazer nossos anseios e parece que a lista de adjetivos que definem Deus garantem que ele é perfeito e "nunca falha"!...

Eu compreendo a crença em Deus... Fazer a jornada sem acreditar em nada dificulta a caminhada: se você tropeça, não tem onde se apoiar. Se você cai, não tem onde se segurar. Se você cansa, não tem onde se encostar...  E sozinho, o caminho é mais difícil... É preciso gostar da solidão...

Ainda que a crença em Deus pareça suprir as carências, eu sei que nós trazemos para a realidade o que criamos no nosso universo pessoal... Sempre será mais simples amar algo alguém ao redor do que a si mesmo... Nós sempre iremos ter a necessidade de se apegar a algo...

A honestidade que tenho comigo mesma e meu questionamento frequente sobre tudo, tomaram dimensões que impedem que meu pensamento volte atrás em várias questões... Eu estou perdendo a capacidade de enganar a mim mesma... 

Se você crê em Deus - digo 'Deus', não em crenças ou religiões - continue crendo... Todo mundo precisa de algo acima de todas as coisas para se apegar e continuar...

segunda-feira, 4 de março de 2013

Liberdade para Acreditar


"Se um mistério lhe foi revelado - resultado de buscas - guarda-o no mais seguro cofre
Não o transforme em tesoura afiada que corta tantos fios - que ainda restam - de esperança
Antes que anoiteça, que o fim venha e o sino dobre
A revelação não te seja arma, não te seja vaidade e nem impulso de vingança..."



Este é um verso de uma poesia que eu tento desenvolver ao longo do dia... Ela reflete uma lição que tive dificuldade em aprender e só foi aprendida no início do ano.

Anos atrás eu tinha certa agressividade em me expressar. Não queria que as pessoas pensassem como eu ou sentissem como eu... Queria que me 'ouvissem'. Queria despertar nelas a necessidade de refletir, questionar e pensar. O problema é que muita gente acabou evitando meus textos. Uma maioria... E quando há maioria, há uma minoria e entre eles há reflexos e contrastes. Imaginei que tipos de indivíduos evitavam os textos baseando-me naqueles que gostavam bastante: mal humorados, ceticistas, racionalistas, materialistas, agressivos, rudes, arrogantes e tudo o que é similar a tudo isso.

Comecei a analisar do porque...O que no texto atraia apenas a esse grupo de pessoas. Demorou muito tempo para perceber que não era o texto em si e o assunto, mas meu modo de expressar. Só fui perceber isso com clareza em um texto sobre o Natal...

Sempre tive predisposição a falar de temas que, ou as pessoas não tem coragem ou que são considerados ainda como tabu. A maioria das pessoas que escrevem e publicam, escrevem aquilo que as pessoas querem ler. Eu sempre acabo escrevendo aquilo que julgo que precisam ler... Minhas pesquisas sobre Natal se basearam em sites especializados no assunto... As informações não se viam como agora que podemos encontrar em toda parte ou que parecem apenas uma máscara para pessoas que querem passar a impressão de que sabem das coisas ou são corajosas e polêmicas.

O texto em questão desmembrava cada símbolo do Natal provando que ele nada mais é que uma ilusão, uma proposta consumista e uma mentir. A intenção não era exatamente essa mas, foi isso que as pessoas compreenderam.Analisando o texto, percebia que eu me mostrava aquele chato que chega para as crianças e diz que Papai Noel não existe ou aquele monstrinho verde que odeia Natal, o Grinch... A agressividade com que me expressava deixou tão claro isso que eu me via assim.

Entre aquele Natal e o outro toda minha visão mudou, não a respeito de Natal mas, no porque as pessoas ainda acreditam nele.Imaginei um mundo sem Natal, sem a troca de presentes, sem toda aquela decoração brilhante e colorida, sem aqueles pratos saborosos que só comemos no fim de ano, sem as crianças com sua melhor roupa, correndo pela casa ansiosas para abrir os presentes, daquela espera por um Papai Noel... E em quanta casa o avô, o pai ou o tio se veste de Papai Noel - ficando bem diferente do que ele seria - para entregar o presente das crianças que mesmo sabendo que debaixo daquela roupa toda havia o avô, ou o pai ou o tio, fingem acreditar!

Perguntei-me porque aquela criança interior gritava lá do fundo do meu ser e quando foi exatamente que a aprisionei ali. Percebi como minha vida se tornou chata, sem encanto, sem sentido e racional demais depois que a aprisionei...

Percebi também que isso se refletia em tudo o que acreditava ou deixei de acreditar. Passei a ser aos olhos dos outros a chata, a eco chata  a completamente chata e não é questão de se importar com a opinião dos outros... A questão é que quando muita gente enxerga a mesma coisa pode ser que elas estejam certas e você errado.Passei a ser previsível no sentido de que as pessoas já sabia em que assuntos eu iria me envolver e de que modo. Elas passaram a evitar os assuntos na minha presença por precaução.

Um dia, resolvi acabar com o Natal de todo mundo com um texto e minhas verdades absolutas  E percebi muita tristeza em quem se via obrigado a concordar com elas. Mesmo que a Vida tenha me ensinado tantas coisas sendo uma delas: Não propague o Mal, propague o Bem. Se não for capaz, não propague nada! Eu estava me transformando em alguém tão influenciável quanto as pessoas que eu determinava que fossem além de reprodutora do resultado do pensamentos dos outros. Será que não valeria a pena crer naquilo que resulta no que é bom ou Bem? 

Em um ano, vivi o Natal todos os dias para compreender o que seria Natal. E no final daquele ano meu texto de Natal foi algo completamente diferente.

Penso hoje que se tudo o que as pessoas pensam é ilusão ou fantasia, que seja. Afinal, essa ilusão e fantasia tem um poder considerável: dá resultados positivos também, caso contrário as pessoas não continuariam a insistir em seus sonhos. O que seria do mundo sem pessoas que sonham, criam ilusões e fantasias e melhor: o que seria um mundo se todos sepultassem de vez sua criança interior?

Sentir só pode ser algo além de nossa razão e nossa fisiologia... O ser humano é o único ser entre todos que pode sentir com toda essa capacidade intensa, mista e complexa. E como desprezar o que as pessoas sentem, mesmo que seja mera ilusão ou fantasia? Quando foi que aquilo que a pessoa constata por si mesma deixou de ser fato? Pode não ser pra mim mas será para alguém! Gostamos das coisas por identificação e só enxergamos aquilo em que acreditamos! O que um indivíduo constata por experimentação passou a ser ignorância e loucura. O que todos pensam passou a ser veredito.

Foi sentindo além dos sentidos que o pensamento e o questionamento se desenvolveram. Foram sonhos e fantasias que resultaram nas mais incríveis criações da Humanidade.

Que importa o que é sentir de fato? Importa mesmo ainda poder sentir!

Desculpa se entre estas tantas palavras não há dados científicos ou há citações de algum autor com uma coleção de letras antes do próprio nome... É que só fui capaz de compreender isso com um bando de crianças que sabiam que diante delas não estava o Papai Noel de fato, mas confessar que sabiam disto poderia destruir muito mais do que se pensa... Talvez, aquelas crianças nem acreditem mais em Papai Noel... Talvez, o pai, o avô ou o tio ainda acreditem... E que mal há nisso se tudo em nosso redor nesse nosso pequeno território demarcado é reflexo do que somos?