Destaque para outras Almas Nuas

Mostrando postagens com marcador POESIA_REFLEXÕES. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POESIA_REFLEXÕES. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Prisões

Eu amo o silêncio!

Enquanto não há alguém capaz de me ouvir

É no silêncio que me ouço

E como amo me ouvir!


Tudo que gostaria de dizer flutua em um fluxo

Sereno e tranquilo

Como um rio de águas caudalosas...

Eu me sento à margem...

E não apenas observo:

Eu ouço aquelas águas

Que embora tranquilas

Possuém em sua superfície pesos

Que não afundam...


Os dedos de acusados

Apontam para mim

Como uma bala bem mirada

No centro de um alvo!

A boca dos imperfeitos

Acreditam que sabem como devo ser e viver.

Os desorientados realmente acreditam

Que sabem a direção que devo seguir...

Eu observo todos eles como ratinhos brancos

Perdidos dentro de um labirinto.


Dizem: "Você precisa se curar!

Deixar o passado pra traz!"

Eu vivo no Aqui e Agora:

Não sou eu a prisioneira do passado.

O passado esta presente constantemente 

Em suas bocas e ações:

Como esquecer o passado?


A resiliência só existe

Quando nós a criamos...

A resistência não é reação,

nem insistencia ou teimosia:

É a consciência de que voltar pra casa

É ir pra casa...


Não foi um erro eu estar aqui:

Desejar estar neste mundo é que foi um erro.

Não sou deste mundo

Mas desejei estar aqui...

O que todos tem é uma dádiva

Que eu cobicei...

Todos a tratam como uma bateria:

Só se dão conta que acaba

Quando é preciso recarregar...


E assim como observo e ouço este rio

Eu observo e ouço o tumulto,

O caos, o tormento reprimido por máscaras,

A futilidade disfarçando-se em conhecimento...


Então, quero mergulhar no rio

E afogar-me nele.

Pois, se fui aprisionada nesta limitada e finita prisão

É dentro dela que quero me manter

Pra sempre!

sábado, 20 de abril de 2024

Isolamento




Neste mundo repleto de encanto, por enquanto

Em uma Sociedade doente e caótica

Percebo já não haver mais pranto,,,De nada mais me espanto

Aparentemente fria, indiferente e robótica,,,


Os padrões em tudo e de tudo se mantém: já os vejo com desdém

A mesmice repetitiva me entendia,,,

Não há mais para onde olhar,,, Não há 'além'

Até sol, previsível, no mesmo ponto sempre irradia


Será surpresa se um Beija-Flor aparecer: dádiva e prazer!

Será surpresa porque por ele nunca esperei...

Toda busca resumiu-se apenas em Ser

Porque não busca mais nada, não espero mais nada, cansei...


A Bolha se fecha, ninguém mais irá me ver...Podem me esquecer...

Em Vida, nenhuma grande proeza e não:aqui não há ninguém assim tão especial

No fundo, nunca me perdi: me perderam e ainda irão perder...

Porque se era muda e só restava escrever, ninguém viu: o isolamento social.


Este trabalho está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Discurso do Dragão


Não espernei, não lute, não reaja...
Não tente se livrar dos fios da Vida que se prendem à você...
Não lute contra a Vida:
Não gaste sua Energia Vital nadando contra a maré...
Desde o minuto do "Haja"
Era previsto que estaria à mercê...
Embora a verdade esteja reprimida
Você sabe exatamente quem é...

Não grite, não esbraveje, não brade...
Não vibre ódio através de ecos
Não absorva e nem dissemine o mal que te sobrevém
Apenas escute e não diga nada...
Como lida com o ataque: observa se o rejeita ou te invade
Se os absorvem, formam dentro de ti uma montanha de trecos...
Se os rejeita, desviam-te de ti, feito água da rocha: tu os detém
Assim como os efeitos nocivos: como a água passa... E o dilema acaba...

Olha ao teu redor na transitoriedade de tudo...
A luz em algum momento de apaga,
A cor um dia se desbota
Tudo segue perecendo e o que de fato fica?
O eco latejante um dia fica mudo,
Uma nova perspectiva se molda, tão perfeita quanto esta adaga...
Mas, até a suposta perfeição segue sua rota...
Em algum momento, tudo para, não há o que siga...

Já aquele, o sangue que lhe sobe aos olhos transforma-o em demônio
A ira, o ódio, a raiva, o Ego, se agitam, manifestam-se em urros...
Perde o controle... Dentro dele é inferno... Devasta o alheio...
Ataca, agride, desce do nível e perde a razão...
Deixa de ser vítima com seu ato impulsivo errôneo...
Teus verbos arrogantes transformam-se em murros
Dilacerando com violência o chakra do meio...
Nulo em arrependimento não invoca perdão...

Falta-lhe doçura: no trato de todos os seres...
Falta-lhe amor: descompensa e descompassa teu  egoísta coração...
Falta-lhe empatia: tua água torna-se lodosa e teu sangue denso...
Falta-lhe consciência: não é animal e nem humano...
- É preciso o charco para humanidade teres?
A hipocrisia torna pesada a tua oração...
Monstro, veste-te de um personagem bondoso: Tão pretenso...
Te lembras, mas, não admites que és observado pelo Arcano....

Assim como tudo passa...
Tu e teus atos passarão!



Licença Creative Commons
Discurso do Dragão de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Passado Presente



Se passa o passado
E o passado já passou,
Por que é presente atualizado?
Por que foi e já voltou?

O Tempo é esfera 
Com ponteiros delatadores:
Se no futuro, há espera...
Se no passado, dissabores...

O ontem já se foi: passou!
E o hoje ontem será!
Amanhã será o hoje, que voou!
Amanhã também passará!

O hoje é o ontem
Do amanhã que nos espera
É o amanhã do anteontem
E o passado? Ainda impera?


Licença Creative Commons
O trabalho Passado Presente de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Como nasce um Bairro


Um dia desapareceram com os índios daqui...
E eles não eram aqueles vistos ás margens do límpido córrego a pescar...
Na verdade, estes eram aqueles que cobiçaram a beleza do lugar.

Foi quando a ambição passou por aqui,
Ergueram suas barracas, se encheram de apreciação pela noite,
Pela Lua, pelas campinas e morros cobertos de verde...

Decidiram por aqui ficar e chamaram o lugar de 'seu'.
Onde seus olhos alcançavam diziam: '- É meu!'.
E sendo deles, decidiram o que podia ou não ser ou estar...

Os morros foram ficando nús e muitas árvores foram desaparecendo como os índios.
As nascentes agora eram propriedade particular.
Até os peixes tinham dono.

Outras pessoas com menos poder também quiseram o lugar.
Fugiam da fome, fugiam da seca, fugiam da guerra...
Com menos poder erguerram barracos...

Pouco a pouco, o horizonte antes delineado com a copa das árvores mudou.
O horizonte agora perdeu suas linhas por causa do contorno dos telhados.
E surgia nova gente chamando seu pequeno espaço de 'seu'.

Então um dia, a ganância também passou por aqui.
Dividiu a terra dos donos, que roubaram as terras que não tinham dono algum.
Decidiram que não deveria haver árvores nem mato, só chão.

E apareceram umas gentes que pagaram pelos pedaços de chão que chamavam de 'seu'.
Ergueram casas e cavaram poços, criaram hortas e animais.
E tudo que chamavam de 'seu' conheceu o que é destruição.

Então, o progresso passou por aqui.
Considerou que o círculo de mettos e metros de diâmetro
E que delimitava as gigantescas Araucárias não deveriam estar ali...

As grandes árvores estavam onde era chamado de 'seu'.
Foram exterminadas todas...
E em sua memória aquele lugar das árvores deu o nome deste lugar.

E as gentes continuavam a vir...
E os donos, que compraram dos donos que pegaram o que não tinha dono enriqueceram...
E todo mundo se dava bem...

Quem não se deu bem foram os peixes, as nascentes e os córregos onde a cobiça certo dia veio pescar.
As águas límpidas agora são os pruridos do já morto córrego...
Sem peixes há muito, hoje jaz um fio largo de esgoto.

Um paraíso resumiu-se a esgoto...
Ainda hoje, no tempo das chuvas, o esgoto vira córrego...
Com mais chuva vira rio que grita: '- Não, este lugar é meu!'




Licença Creative Commons
Como nasce um Bairro de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sentidos



“A cotovia (autorretrato)“, feita em 1989 por Heinrich Vogeler


"As palavras da Sabedoria me abandonaram... Os grandes olhos expressivos já não estão mais sobre mim... Acabei de cair e me encontro na mais sombria de todas as escuridões. Não há nada mais abaixo...

O mundo brada por misericórdia e o que há para ser dito? Nada. O que pode ser feito? Nada... A cegueira não permite enxergar os rumos... Há apenas os sons: ora alertam, ora encantam... E quem quer ouvir?

Tantas mãos estendidas e como uma única pode preencher cada palma aberta? Desce a mão sobre a própria fronte e medita dia e noite... Quem sabe a Luz venha e revele cada pedra de tropeço pelo caminho.

O frio dói cada vez mais por causa da grandeza da Solidão. As ruas estão superlotadas, mas veja quanto acre de terra entre um e outro alguém! Nos cânticos de uma suposta liberdade, chacoalham as cercas e tremem os muros em todos os seus diâmetros. São exatamente quantos m³ de Ilusão em cada um destes recipientes?

Aprisiona o precioso ar em um balão e solta-o... Não sabe onde vai... O vento o sopra para onde quiser assim como a folha seca que leva... Vaga sob olhares indiferentes...Não importa onde vai parar. No final, o fim é um recomeço. Um ciclo constante e repetitivo que também é pura ilusão. Há de ter alguém que sinta a mesma coisa todo santo dia de sua longa existência?

A Cotovia saúda o Sol com a mesma velha canção. O rio ainda segue seu mesmo curso não importa quantas sejam as tentativas de matá-lo. As flores nunca se cansam de abrir, murchar, morrer e renascer. Ciclos intermináveis... Parecem - tão somente parecem - tão iguais. Mas ontem senti o ardor do Sol e á noitinha o frio inchava meus poros. Logo, logo vai chover, pois a garoa já cai. 

Para meus ouvidos a Cotovia não canta todos os dias, pois eu nunca a posso ouvir. Nem ver. Não existe rio se não está ao alcance de meus olhos. As flores sempre irão surpreender porque são a cor viva que se destaca no verde que é tão o mesmo...Sempre o mesmo verde...

Não vi o Sol nascer, mas senti o seu calor. E mesmo que as sombras cubram a Terra trazendo a noite, ainda assim ele estará lá."

Licença Creative Commons
O trabalho Sentidos de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Encontrada, embora Perdida...

Imagem: disponível no Google

Me perguntas por onde ando?
Em círculos...
Quadrados...
Triângulos:
Das Bermudas, do Dragão, do Forró.

Por onde ando?
Não fui a lugar algum...
Não caminho...
Só sei voar!

Vou voando...
Nas asas da imaginação,
Da alucinação,
Do pensamento,
No firmamento,
Onde tento me perder de vez.

Me perderia,
Se este céu fosse os olhos,
De olhar profundo...
Qual dois lagos negros,
Onde mergulho,
Me afundo,
E desejo me afogar.

Por onde ando?
Estou nos braços do meu amor,
Que desaparece quando amanhece...
Estou enclausurada...
Estou livre...

Estou aqui...
Ao mesmo tempo
Não sei onde estou!
Quero ser encontrada,
Mas ninguém pode me achar...

Estou aqui...
Cá...
Dentro...
Perdida em mim!
Só assim posso me encontrar...

Licença Creative Commons
O trabalho Encontrada, embora Perdida... de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Filosófica

 


Percebe o vento que toca sua face?
É muito mais que um toque: é pura reação Física!
Teus pés descansam sob a areia da praia...
O toque da onda é apenas o reflexo mais fraco:
A onda mesmo é uma força maior!


O que ergue o Sol todo santo dia ao amanhecer?
Quem aponta a direção para as nuvens no céu,
E para onde vão quando se dissipam no ar:
- Aquela nuvem que passa jamais voltará!


Como os peixes podem enxergar a rota nos oceanos?
E quem ensinou as Baleias a cantar?
Por que o broto se desenvolve e busca o céu?
Por que o vômito das abelhas é doce?


O que sentem as roupas no varal embaladas pelo vento?
O que o corpo diz reagindo a canção?
Por que cantamos? Por quem choramos?
As lágrimas de alegria e  tristeza vem da mesma fonte?


A inspiração é um ser vivo, um espírito ou uma reação química?
O que nos faz continuar a leitura de um livro?
De onde vem a força quando já não nos resta mais nenhuma?
E por que ainda se persevera, se acredita e continua?


Quem dividiu as estações, distribuiu as estrelas e partiu o dia?
Um vulcão e uma espinha na face tem algo em comum?
Por que a Lua não tem sua própria luz?
Por que tem sorrisos que se parecem um Sol?


Como a voz caminha pelos cabos telefônicos?
E porque um olhar consegue falar mais que mil palavras?
O cérebro foi inspirado em uma nóz?
Por que o desejo de voar quando não se consegue ficar com os pés no chão?


Por que algumas árvores só geram flores e outras podem conceber frutos?
Por que a inocência morre quando de deixa de ser criança?
Pior...Por que é feio manifestar a criança interior?
Por que só adultos sabem o que é infelicidade?


O essencial a vida sempre é invisível?
Não vejo o ar e a água não tem sabor...


Não canso de perguntar...
Porque depois de engatinhar eu aprendi a andar,
Mas ainda não sei a direção certa!
Os caminhos do homem abrem-se como um leque,
e não há um caminho invisivel na terra assim como no céu!


Depois de aprender a falar, aprendi a pedir...
E parece que é só isso que sei dizer!
A criança mimada agora chama a atenção pra si de outro modo...


Os caminhos do mundo estão cheios de gente e carros...
Carros e gente...Vontades e carências...
Passam tantos rostos por você na rua,
Rostos estranhos... Uns não se vê mais... Outros se repetem...
Onde estará eu? Cadê minha mãe? Onde está meu pai?


Quando eu era criança seguravam minha mão para andar pelas ruas...
O caminho é triste quando de segue sozinho...
Quero uma mão... Quero colo... Quero ser amado...


O mundo de onde vim era melhor...
Não me preocupava com contas à pagar...
Nem qual seria a religião certa...
As pessoas no mundo tinham uma cor só...
Falar com o amigo invisível não era loucura...
Perder tempo organizando tudo não era mania...
Ouvir a mesma música cem vezes não era estranho...
Tomar sorvete e ficar com a cara suja era bonitinho...
O cardaço desamarrado não me tornava um bobo...
Acreditar que os anjos brincavam nas nuvens não era insano...
Muito menos dizer que uma delas era um elefante!

Licença Creative Commons
O trabalho Filosófica de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Caminho das Trevas



Imagem:Blog do Kedj


Vaguei em tantas noites escuras
Perdendo-me entre becos, atalhos, breus...
As lições da noite são tão duras,
Despertaram todos os meus 'eus',
E todas tão completamente noturnas,
Todas na verdade são uma,
Tornando cegos os olhos meus.


No vale de sombra e morte fui concebida,
Meus pés enveredavam nas estradas da escuridão,
Por tantas vezes desgarrei-me, vi-me perdida,
Por tantas vezes isolei-me abraçando a solidão,
Caminhando constantemente em descida,
Tropeçando e gemendo as feridas,
Do decepcionado coração.


Na floresta de árvores inférteis e secas,
Sob as névoas frias e tão densas,
Deparei-me com um charco onde vi refletida minhas facetas,
Distorcendo-se no lamaçal de minhas crenças,
Todas em mim são tão completas
Também permanecem tão incertas:
Morte, Vida, liberdade e sentenças.


Sem brilho próprio, a luz da Lua é a única luz que me vem,
Transformando a realidade em sombras - tão assustadora distorção -
Somente eu, a Lua, as sombras e mais ninguém,
Tateando com passos e mãos tocando o vácuo espaço da escuridão,
Pois no escuro se nada se vê, nada tem,
Além do medo e da incerteza que te sobrevem,
Afogando a alma casada em aflição.


Perde-se na multidão a negra alma, de branco disfarçada,
Tão farta das mentiras usadas como motivação,
Não influenciam e nem convencem a ovelha desrraigada,
É preciso seguir, portanto probido mudar a direção,
Enquanto no mundo é apenas mais uma alma encarcerada,
Sabendo que dele jamais levará nada,
Pois abaixo de tudo, aqui é o Inferno e o resto... Ilusão!



Licença Creative Commons
Caminho das Trevas de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Livro dos Dias


Tão soltas as páginas do Livro aberto para a Vida,

Tocadas suavemente pelos sopros do Tempo,
Jamais apagadas - as tantas linhas - nenhuma sequer perdida,
Às vezes repousando mantendo próximo quem as está lendo...

Não há como medir o valor do enredo: alegrias e fracassos...
Ora escritas - letras sofridas - com sangue e suor...
Ora mal escritas - letras corridas - com quedas e passos...
E nenhum destes Livros é obra pequena - nenhuma delas é menor...

Nestes Livros vislumbra-se em cada capítulo tantos cenários,
Muitas confissões, sentimentos reprimidos, doídos, tantas histórias...
Realidades grotescas, sonhos fantásticos, amores imaginários,
Batalhas travadas, tantas derrotas, conquistas e vitórias...

Em capas diversas, em tantas cores e texturas - todas são máscaras...
Atraindo interesse para as tais páginas - ora apenas letras, ora algumas cenas...
Nas prateleiras são tantas capas, como no mundo são tantas caras,
Que ora são carrancudas, multicoloridas, sombrias ou serenas...

Tão soltas as páginas do Livro - calendário de vivências...
Tocadas suavemente pelos sopros do Tempo - dia após dia...
Cada qual é registro histórico de tantas vivências,
Cabidas em uma única Vida que tantas Vidas lia...

Ainda que mantida sob pó nas prateleiras dos Universos,
Abraçadas por tão diversas capas - de proteção, revestidas...
Inspiram palavra por palavra nas páginas da Vida e de meus versos,
Pois há páginas tão soltas, sopradas suavemente e ainda não escritas...


Licença Creative Commons
O trabalho Livro dos Dias de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Otimistamente... Seguir


Hey!
Levante a cabeça que segue
Gemendo, remoendo o passado
A dor é passageira
Não te forma um derrotado!

Estás acima disso tudo...
És milagre incontestável...
Na fraqueza brota a força
Te tornando inabalável!

Hey!
Não desistas agora
Navegue dentro da alma
É você quem dá força aos problemas
Sempre que perdes a calma!

Percebe nas batidas
Harmoniosas do seu coração
Vozes não contidas
É a vida em canção!

Hey!
Sente no peito
Essa forte sensação
Como as ondas que explodem nas rochas
Mas são ondas de emoção!

Olha que fascinante,
O deslumbre do que os olhos enxergam...
Mas é com o olhar da alma
Que as fraquezas se encerram!

Hey!
É assim mesmo...
Cabeça erguida... Atrevimento!
Vencerás os obstáculos...crescendo e aprendendo
Todas as lições do tempo!

Guardiã da Ventura,
Quarta- feira, 03 de Fevereiro de 2007


Licença Creative Commons
Otimistamente... Seguir de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

Essa tal Inspiração


Olhando pela vidraça
Suavemente a chuva cai...
O tempo está sempre passando,
E essa dor no peito não saí!

Porque será, meu Senhor,
Que me voltam essas lembranças?
Não deveria a memória registrar,
À partir de nossa infância?

Me sinto testemunha
Da história da humanidade...
Recordo de histórias antigas,
Não havia luxo, nem futilidade!

Porque passei tantos anos,
Buscando por uma pessoa?
Porque dentro do peito,
Um pacto ecoa?

Uma vida perdida numa busca..
Poderia ter sido mais intensa!
Mas o desejo de encontrá- la,
É o que o coração mais deseja!

Até a palma da mão...
Se lembra de tudo que tocou!
E a alma tem memórias,
Do que o mundo vivenciou!

Eu lembro de muitas pessoas,
Em eras diferentes...
Lembro com tanta clareza,
Como se lá estivesse presente!

Meu corpo reflete o peso...
De anos já vividos...
Me sinto com noventa anos,
Mas só tenho trinta e cinco!

Receitas, histórias e conhecimento...
Não foi em livros que ví...
E esses rostos na mente,
Eu nunca os conhecí!

Hábitos e costumes...
Guerras, lamentos e dor...
Experiências diferentes...
E a busca pelo amor!

Essa obrigação latejante,
De uma missão a cumprir...
Será que é pra minha alma,
De algum erro se redimir?

Não creio em reencarnação,
Nem tão pouco em vida passada!
Mas as lembranças vem tão fortes,
Deixando a mente cansada!

E essa necessidade,
De beleza ao mundo dar?
E esse ânsia tão louca,
Do próximo ter que amar?

Porque não posso viver,
Como qualquer pessoa normal?
Porque essas vozes ecoam,
E sinto o plano astral?

Quem são essas pessoas,
Que me olham ao passar aqui?
De onde vieram, quem são?
O que querem de mim?

Essas histórias estranhas,
Será imaginação?
Detalhes tão intensos...
Me fogem a compreensão!

E essas vozes que repetem,
Todo dia palavras bonitas?
Elas são a maioria de meus textos,
Que por muitos são lidas!

Nunca fui boa,
Em Portuguès ou Literatura...
Só amo escrever de tudo,
E sei ler uma partitura!

Não conheço as regras,
Para uma boa poesia escrever...
Mas, eu tenho muita certeza,
Que só da arte sei viver!

Não me venham questionar,
Diplomados e intelectuais...
Até mendigos fazem poesia
Com assuntos bem mais reais!

Se alguém acha,
Que o que escrevo não é poesia...
Reclame ao Deus que me fez,
Vejo a vida como melodia!

Meu vocabulário é pobre,
E minha rima é simplória...
Mas meus olhos enxergam além,
De sua suposta glória!

Fonte de Memórias,
Sábado, 14 de Julho de 2007, 23: 37


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Tempo


O tempo passa...
E juntos com ele pessoas que cruzaram nosso caminho!
E o tempo voa!
Junto com ele alguns sonhos não conquistados...
projetos inacabados...
O tempo passa...
O que foi vivido não volta mais!
E o tempo voa!
Mesmo que tente, as oportunidades
não aproveitadas não se pode recuperar!

Mas as pessoas que fazem parte de sua história,
passam e ficam!
E com elas compartilhamos novos sonhos...
As novas conquistas que surgem...
O que se viveu, passou e voou!
Mas a cada manhã novos momentos teremos pra viver!

E nessa mágica de viver,
novas oportunidades virão!
E o que foi perdido, se for seu, voltará as suas mãos!

E nesse tempo que passa...
Nesse tempo que voa...
Deixe voar sua mente!
Liberte- a!
Deixe passar os sentimentos ruins,
e voe... dê asas a sua alma e sua imaginação!

E a mente voa!
Ela não passa! Tudo registra!
E podemos ver que nada passou, pois fica aqui dentro!

E nessa mágica de viver...
No tempo que passa...
e na mente que voa...
Cada dia é um novo nascer!
E tudo é novo!

Alma Nua,
Sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007, 14:29



Licença Creative Commons
O Tempo de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Lágrimas

lagrima
Infelizmente,não sei a autoria da imagem
Caem chuvas incessantes
dos olhos que vagam perdidos
molhando a alma trincada
de sonhos não vividos!
Saudades do que se perdeu
tão perto do alcance da mão...
Saudades do que nem se viveu
são só ecos do coração!
Ecos de desejos intensos
do querer sem ter
Ecos de sonhos pretensos
do ser...e ser...e ser...
Cada eco gritante
rasga a alma lá no fundo
dá um nó desatante
sela a boca, fica mudo!
Minha sina eu aceito
único meio de ter o amor
aforga- me no mar de lembranças
me perdendo no abismo da dor
Alma nua,
Sexta- feira, 16 de Março de 2007, 04:13
@shimadacoelho




Licença Creative Commons
Lágrimas de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

sábado, 27 de agosto de 2011

Melodia do Vento

Imagem de Arquivo Pessoal: Cerejeira do Rio Grande do Sul



Acima, na imensidão, sob a Cerejeira que floresce creme, o azul é absoluto.

As nuvens estão de folga e foram passear longe para contemplar outras terras e deslizar em outros céus.

O Vento tenta chamar a atenção da poetisa que acredita poder descrever a Vida. Sopra livre e parece querer substituir os encantos das brumas de algodão tão alvas, mas foi ele mesmo a carruagem que as levou daqui.

As longas folhas bordô que parecem ter se embriagado de todo o vinho do mundo continuam altivas e esnobes, mas não conseguem disfarçar que dançam discretamente ao som da Melodia dos Ventos.

As Palmeiras que se abrem agradecidas para o céu, celebrando o pequenino pedaço de chão, não disfarçam e nem são discretas, fazendo percussão esfregando as folhas umas nas outras, num murmúrio que tenta cantarolar a canção.

Um rastro de nuvem é percebido, quase imperceptível no céu, mas o Vento logo delata que as nuvens seguiram rumo ao Norte.

A Ameixeira, plantada pelos passarinhos, não dança e nem canta porque disputa espaço com a Espirradeira, mas pra que se ambas são assim com 'eira' sem beira?

O Ype parece morto, mas na ponta de seus galhos secos exibem-se graciosas flores de um amarelo intenso, não tanto quanto o dourado dos raios de Sol que as destacam.

Morta mesmo está àquela parte da Unhas-de-Gato que de tão audaciosa, desejou fugir do seu lugar e apegou-se a uma parede sem vida. Agora sabe que sua liberdade ia até onde lhe desceu o facão e ainda tão dependente espera que alguém a arranque dali. Por enquanto, por tão dependente que é, agarra-se ainda à parede tão sem vida quanto, revelando-se Arte de Natureza Morta que perde pouco à pouco as folhas que ainda lhe resta e que caem secas.

A cachorra deita ao lado da poetisa como se ouvisse seus pensamentos e neles fosse ninada. Se for assim, parecem agradáveis, pois agora dorme tranquilamente. Logo sentirá sede, beberá água e buscará um canto onde o Sol arde porque o sono faz sentir frio. A poetisa prefere as sombras, pois nelas sente-se escondida: antes frio que a ardência.

Um pequeno passarinho rasga o céu e como não notá-lo nesse vazio azul todo? Embora apenas um que passou, ouve-se o canto dos passarinhos, mas não se pode vê-los.

O Jacarandá usa o Vento para sacudir-se e faz chover sobre a cabeça pensante de mente insana, finos gravetos e folhinhas secas para dizer:
"- Acorda poetisa! A Melodia dos Ventos não tem fim!"


@shimadacoelho


Licença Creative Commons
Melodia do Vento de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Cegueira


Eu caminho pela escuridão...
Ás vezes, um relâmpago...
Ilumina numa fração de segundos...
Só então eu sei:
Posso ainda enxergar!
Minhas mãos calejadas
Estendidas no ar...
Tentam apalpar o nada...
Para que nada venha
Ferir-me ainda mais...
Todas as boas virtudes
Ainda estão aqui...
Mas esconderam-se...
Fugiram...
Para dentro das cavernas
A mão, às vezes,
Toca algo que não pode
Identificar...
Causa repulsa...
Causa medo...
Causa insegurança...
Causa a causa...
É preciso seguir...
Caminhar...
Continuar...
E não sei onde estou...
E se estou...
À um passo do abismo...
Ou se nele já cai...
Se, ouço a voz...
Bravia do Trovão...
Virá a luz...
Que durará o tempo
Que as janelas abrem
E fecham...
E se vier...
Pois virá...
Saberei se ainda
Enxergo...
E se há Raios...
Se há Trovões...
Se há Relâmpagos...
As nuvens são negras...
Tão negras quanto a escuridão...
Pois não posso vê-las...
Nem senti-las...
Mas sei...
Sem sentir...
Estão lá...
E quando não mais
Houver as nuvens
Enegrecidas
E se dissiparem...
Verei a luz?
Se ainda meus olhos
Puderem ver
Verei uma luz?
Algo dói no peito...
No peito que grita...
Que grita sem boca...
Sem voz...
Então...
Volto meus olhos
E tento ver
Sentindo com as mãos
Se um espinho me feriu...
Olho pra dentro...
Vejo um ponto luminoso...
Vou até ele...
E caminho...
E sinto meus passos
Declinando-se...
E caminho...
Profundo...
No fundo...
E vejo nas cavernas
Chamas que dançam
Nas paredes interiores...
Vejo todas as virtudes
Ali reunidas...
É ali...
É lá...
Dentro...
É onde está a luz!
São Paulo, 24 de Fevereiro de 2009.
[Nota: Com áudio]
http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/cegueira


Licença Creative Commons
Cegueira de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Idas e Vindas



Eu vivo desvivendo...
Perdendo o fôlego e a cor,
nas oscilações bruscas da montanha russa que é minha vida...
Os sons cotidianos e o som das agonias humanas
lateja nos meus ouvidos e todas as vozes me irritam,
exceto aquelas que mais ninguém consegue ouvir...
Invoco a loucura e quão mais fácil seria se louca eu fosse!
Pois o que há de normal nessa realidade a minha volta?
As casas, os automóveis, os pedestres, os aviões,
não serão apenas fruto de minha imaginação fértil?
Real mesmo são as nuvens, é o vento, são as árvores, é o relento...
A fumaça do cigarro se dissipa lentamente como se dissipam as nuvens que namoro...
O maldito cigarro que me mata pouco a pouco e isso também é uma ilusão sensorial:
"Viver é ir morrendo aos pouquinhos!"
Minha coluna e meu quadril vão se despedaçando devagar, pois todos os processos são lentos... Deteriora-se o meu corpo porque vivo no espaço... Nos espaços... Em todos os espaços...
Sou o bonito balão da criança que numa fração de segundos, abriu a mão e o perdeu... E ele voou e foi-se embora... E ele foi avistado por outra criança e para esta o balão não vai, só está chegando...
A confusão mental - que não me permite saber em que lugar estou neste momento - é tão sincera... A única coisa certa é que estou aqui dentro de mim. Pessoas estranhas que nunca vi - e provavelmente jamais verei - me param nos corredores do mercado e conversam como se me conhecessem. Será que só eu não me conheço ainda?
E vou me desinteressando... Desapegando-me... Debochando de mim mesma e transformando-me no iceberg que irá rasgar o casco do meu próprio barco.
Não sei se faço um curso... Não sei se arrumo um emprego fora... Não sei se termino mais um livro...Não sei se quero estar aqui, pois ao mesmo tempo quero estar e o que vai mudar: estarei mesmo estando ausente...
Não sou como as aves ou os peixes que enxergam o caminho invisível no céu ou no mar...Meus sentidos funcionam mais do que deviam mais não servem para estes sons desnecessários...
Fecho os olhos e vou para cima das nuvens brancas e alguém perto de mim diz: '- Ela está em transe!'
Eu não estou aqui, mas as pessoas dizem que estou. Não sabem ainda que sou apenas fruto da imaginação delas... Fecho minha boca e meus dedos coçam... Fecho meus olhos e meus ouvidos se escancaram... Encolho-me toda e me escondo, mas o mundo inteiro me invade cabendo dentro de mim...


Licença Creative Commons
Indas e Vindas de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at shimadacoelho.blogspot.com.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/indas-e-vindas.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Altas Torres



Cada pedra colocada
Erguendo esta prisão,
Representam uma mágoa
- Feridas do coração!

De tantas vezes morrendo,
Revivendo sem cessar...
Construi esta muralha,
Para nunca mais chorar!

Coloquei- me num lugar alto,
Afastando- me da multidão...
Isolando- me do mundo,
Escolhendo a solidão!

Das duas única janelas
Nesta torre colocadas
É que vejo vossas vidas
Sem nunca poder tocá- las!

Mas mesmo assim a distância
Contemplando vossa dor...
Seus tormentos me abrem feridas,
Ecoando no peito um clamor!

São gemidos contidos,
Rasgando-me a alma...
São contrações intensivas,
Tirando- me a calma!

Transformando expontâneamente
Este peito numa cela...
Onde atrai angustias alheias,
E as dores refrigera!

Se benção ou maldição.
Foi assim que nasci...
Para aliviar- te a tristeza,
Fazendo seu rosto sorrir!

Contemplo a distância
Na minha solidão
Vidas perdidas, vazias
Perdendo o rumo e a razão!

Deixando as lágrimas verterem,
Pelos cegos que vagam...
Na ignorância confusa,
Nas hipocresias que matam!

Assisto vossa perdição
Seus tropeços, seus passos...
Sem poder nada fazer,
Prevendo seus fracassos!

Vibrando constantemente
Por aquele facho de luz...
Que abrirá teus olhos tristes,
Aliviando tua cruz!

Guardiã da Ventura,
Quinta- feira, 28 de julnho de 2007, 22: 46




Licença Creative Commons
Altas Torres de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Permissions beyond the scope of this license may be available at
http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/altas-torres.