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sexta-feira, 20 de março de 2020

Noção ou Consciência de Igualdade.



Depois que todo mundo encontrou o botão "Foda-se", tudo no mundo ficou avacalhado... Perdeu-se a noção dos limites individuais e coletivos de vez. A falta de boas maneiras e de senso de ridículo se mascarou de "sou desencanado", "eu não ligo para que os outros pensam", "sou assumido", "faço, penso e digo o que quero"...

Mas, quem pode fugir do botão "Reset"? Por que esperar que o caos chegue ao ápice gerando um apagão global onde tudo seja forçado a parar repentinamente e sem preparo prévio?

Enquanto meio mundo brinca de "entidade" defendendo esquerda e direita, enquanto tanta gente alimenta a auto ilusão de vidinha ideal postando fotos no Instagram, enquanto todo mundo age por impulso achando que é crítico profissional apto, achando que é filósofo nato, achando que possuí todas as chaves do Conhecimento, digladiando com outros Egos inflamados nas redes sociais, o planeta que nos foi emprestado para estadia temporária vai bradando que todos parem um pouco...

É fácil falar de alguma Greta espremidinho em sua área de conforto... Aquela menina "esquista" tem apenas algo que a maioria das pessoas não parece ter: uma visão ampla, panorâmica, global diante do que realmente preocupante, não apenas pra si mesma, mas, pra todos!

Na avalanche de falso Conhecimento expresso em rede social, de comentários com tom típico de quem está desobstruindo frustrações pessoas por detrás de falso entendimento sobre alguma coisa, a consciência que torna um humano um ser humano de fato vai entrando em vias de extinção... Tudo o que caracteriza um ser humano se extingue e o que vai ficando é o reles mamífero, o animal bípede... E sabe o que acontece dentro de superpopulação de animais?

A Natureza é sábia! O planeta possuí o mesmo processo de auto regeneração assim como o organismo dos seres vivos. O Universo não funciona diferente e a Lei suprema é Equilíbrio para que tudo possa seguir seu curso livremente... Com a quebra do Equilíbrio, tudo precisa parar dentro de um caos e recomeçar....

Não é preciso ir na Savana Africana para dar um exemplo... Você pode refletir observando seu gato.O Centro de Zoonose só permite que uma residência abrigue até 30 gatos. Mais do que este número é necessário que se construa um gatil com todo suporte necessário padrão, o que quer dizer que, bem diferente de um ambiente doméstico. Tal regra é necessária porque a aglomeração de mais de 30 gatos faz com que eles gerem vírus que contaminam uns aos outros, reduzindo a população. Em toda Natureza existe este tipo de recurso para que o Equilíbrio seja mantido.

O modo como funciona a cadeia de predadores serve exatamente para isto: para manter os bandos dentro de um equilíbrio populacional e saudável, o que preserva o bando. Se você observar quais de um bando as hienas e leoas escolhem, você compreenderá melhor isso.

O ser humano se comporta hoje como se fosse um animal domesticado (humanizado) que sente prazer em domesticar outros animais... Sendo humano, o sistema de seu bando deveria funcionar diferente dos bandos no Reino Animal, porque supostamente é dotado de uma tal Racionalidade... Quando ele deixa de ser humano e passa a se transformar cada vez mais em animal, precisa se enquadrar as regras da Natureza, inclusive animal... O ser humano matou sua humanidade se alimentando de lixo e um animal não pode se alimentar da mesma coisa: fracassa como humano e como animal também. O modo de vida alterou o modo como o organismo humano funciona o tornando vulnerável até a uma emoção. Sendo animal, este modo de vida não lhe serve...

Há algo muito errado quando seu cão ou gato apresenta doenças que humanos adquirem... Há algo muito errado quando o sistema imunológico humano não consegue mais vencer uma gripe e esmorece tanto com um resfriado... Há algo muito errado quando os sistemas de auto preservação da Natureza começam a surgir no meio dos humanos...

A gripe teve filhotes, cada um mais forte que o outro. Ao longo dos séculos foi mudando de nome e de estrutura. Dizem que os vírus se adaptam a antibióticos.E se o organismo humano é que se adapta aos antibióticos compreendendo que eles são substâncias naturais de seu organismo? Dizem que há vírus criados em laboratórios para serem usados como armas biológicas, não necessariamente em uma guerra. E se a alta população de humano está gerando vírus como os animais? Dizem que um país enviou o vírus como arma biológica para outro país porque existem governantes no mundo que se comportam como crianças minadas. E se a Natureza enviou este vírus para que os humanos dessem um tempo em suas ações predatórias e destrutivas? Dizem que é o Apocalipse e o mundo vai acabar. Mas, o mundo já não acabou para cada ente querido que já morreu? Dizem que neste milésimo Fim dos Tempos, há um céu esperando para os bons e um inferno para os maus. Por que há uma fácil predisposição a transformar o mundo em um inferno e uma dificuldade absurda em transformá-lo em um céu? Entre tantos questionamentos e teorias da conspiração, só consigo estar certo de algumas coisas...

Neste momento da História Humana, tanto faz se você é rico ou pobre. Tanto faz se é magro ou gordo. Tanto faz se é bonito ou feio. Tanto faz se é famoso ou anônimo. Tanto faz se é ateu ou teísta. Tanto faz se é branco ou negro. Tanto faz se é hétero ou homo afetivo. Tanto faz qualquer coisa...

Neste momento, eu só vejo duas classes de pessoas: as egoístas e as solidárias. As egoístas não apenas pensam em si mesmas como também se aproveitam da situação para tirar do outro. As solidárias são empáticas, possuem consciência de que todos estão no mesmo barco, compreende que a necessidade do outro também é a sua, se tiver um pouco demais pra si, irá dividir com o outro... Diante das atitudes destas duas classes de pessoas, todas as fotos, postagens, discursos, comentários e máscaras caem por terra... A situação obriga muita coisa, inclusive que cada um se revele assim como é de verdade.

Um vírus não tem preconceito, não julga, não faz dissenção,não descrimina, não se importa com sua religião, sua cultura e não é racista... Vivemos um momento em que nos é permitida a oportunidade de termos a noção do que é sermos iguais para quem sabe alcançarmos a consciência disto...


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Noção ou Consciência de Igualdade de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Balbucio



Não sou mais a adolescente 
De 17 anos que se apaixonou
Por um homem  com bem mais idade
Que tão displicente,
Aproveitou-se da vulnerabilidade
E a Vida... O Futuro... Arruinou.

Para a idade que tenho agora
A falta de rugas, o rosto enganam
Tanto quanto este meu jeito infantil...
Mais uma vez - sem explicação plausível - 
Mais um foi-se embora...
Doeria menos se fosse mais sutil,
Mas, para alguém tratada como invisível,
Desprezo e indiferença esbanjam...

Sei bem o que é a Realidade...
Sei do modo mais duro...
Mais cru...
Mais dolorido..
Fui exposta a ele de corpo nu...
Sei muito bem:
Obrigando-me a abandonar a infantilidade,
Sentindo tudo o que era puro rompido:
Como se empalada por alguém!

Eu sei... Sei...
De todas as injustiças do mundo,
Da capacidade violenta e agressiva,
Escondendo a Empatia lá no fundo,
Da incapacidade de bondade massiva,
Quantas vezes chorei, mas, meu ombro também dei...

É por saber tanto
Que fujo para outros mundos e dimensões...
Para o mundo dos sonhos e fantasias,
Para onde ninguém vê meu pranto,
Onde mergulho no Mar de Pensamentos,
Onde é  livre a imaginação,
Onde é permitida quaisquer heresias,
Onde há cura para meus lamentos,
Onde realidade são sentimentos e emoções...

Mundo irreal - utopia pouco provável - 
Tão improvável na realidade...
Ali do lado... Tão Vizinho...
Paralelo: Mundo da Ambiguidade...
Este cuja porta eu mesma quis abrir
Deixando-a aberta e
Estando bem certa
Que estaria livre para ir e vir:
Porque no meu surrealismo
Nas entrelinhas do meu aforismo
A realidade é lamentável...

A Vida, tanto quanto a Morte,
Meu amor,
É Agora!
Não importa se pensas tudo ter
Ter bens, ter o controle, ter sorte...
Mesmo achando poder dominar a dor,
Um dia, todo mundo vai embora!

Deseja-se a eternidade
Porque a Vida é tão breve...
Inconscientemente sabemos a verdade:
O Agora é tudo o que temos
Nada mais...
E outra verdade que tememos,
E dela fugimos demais:
Importante mesmo é 'Sermos'!







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Expirado



Mais uma vez, eu me sinto 'apagando' novamente...
Lentamente...
Já faz alguns dias...
Tudo o que tinha para me apegar era a Arte...
A Inspiração ameaça dar-me ás costas:
Acontece ás vezes... Faz parte...
Há o período para fluir...
Há o período para se fechar...

Mas, a Inspiração não tem como permanecer...
Se não se enxerga mais encanto,
Se não há em que se inspirar,
Se não há mais motivos para o canto,
Muito menos para respirar...
O poeta, então, começa a esmaecer...

A Inspiração não falará mais...
Porque não haverá mais frequência
Impossibilitando a comunicação:
Telepática!
Fica a sensação intensa de 'nunca'... 'Jamais'...
Fica a incapacidade da eloquência...
Esvazia-se mente... Alma... Coração:
Abate- se pragmática...

Um poeta não se auto destrói
Nem sofre de imenso vazio...
Um poeta possuí uma clareza que corrói...
É tão repleto - constante vulcão em erupção -
Cada véu que cai é corda bamba
Deixando- o não há um passo:
Há um fio...
Como panela de pressão que expele a tampa,
Como eterno Universo em expansão...

Vinho para aquecer do frio do inverno
Pois, já basta o frio da Morte que se aproxima...
Barbitúricos - veneno legalizado -
Para quem sabe cair em um sono eterno....
Quem sabe depois haverá deixado um legado...
E tudo será apenas apenas a banal sina...




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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Em que Vale à Pena Acreditar




Tenho amigos de infância que considero jóias de imenso valor e que fazem parte do meu tesouro: são partes das preciosidades desta vida que não abro mão.Passamos a maior parte de nossa infância na escola do bairro onde moro até hoje... Praticamente crescemos juntos, e fomos testemunhas uns dos outros da passagem da infância para adolescência, das descobertas da vida, do amor, dos obstáculos, da chegada da juventude, das confusões emocionais, da hora de ser adulto. Depois de pouco tempo após nos formarmos e sairmos da escola, cada um precisou seguir seu rumo atrás de suas conquistas, encarando a Vida que cada um precisava encarar... E por alguns anos ficamos separados... Distantes... Até que a rede virtual possibilitou que todos fossem encontrados. Houve o primeiro reencontro... O segundo... A constatação de que apesar de todos terem amadurecido bastante, aquela criança do passado ainda estava viva e a cada reencontro a sensação de que o tempo não passou, que paramos no tempo, e que ainda éramos uns para os outros os mesmos.Como era antes, tornou-se impossível aceitar a distância e os reencontros sempre acontecem.

Hoje, tivemos que nos reencontrar de um modo que nunca esperávamos. Pois juntos parecíamos tão crianças e eternos... Juntos, o tempo parava, regredia e estacionava naquele tempo crucial que permitiu que cada um de nós criasse nosso caráter... Os anos passaram e não nos demos conta... Os filhos da década de 70, que se descobriram nos anos 80 pararam no tempo, embora o tempo esteja sempre curto, embora sempre estejamos sem tempo...

Um de nós partiu. E tivemos que nos reunir para nos despedir. Uma despedida dolorida, pois não haveria como sempre ocorre, a possibilidade de reencontro.Eu olhava para cada um deles cheia de orgulho por ter convivido com eles num período tão importante de nossas vidas. Eu enxergava com clareza o valor de cada um para este mundo, para minha história pessoal, para minha vida.


Impressionante lembrar que mesmo quando estávamos tão distantes uns dos outros, a simples lembrança operava milagres como se nunca tivéssemos nos separado.O tempo passou tão rápido, mas cada rosto ainda é o mesmo...

A dor da perda não foi maior porque estávamos juntos. Nos apoiando uns aos outros, consolando e oferecendo generosamente carinho, como na infância nos momentos de confidência ou peraltices... Mas, eu podia ver no olhar de cada um, um brilho estranho...

Eu não conseguia chorar...Tentei me convencer que seria essa minha mania de 'ser forte' para que o outro não se renda demais... Tentei me convencer que acredito realmente na vida após está vida, e que realmente creio que a morte não é o fim, e isso se refletia na minha atitude.Eu apenas tentava me convencer...


Estava era confusa... Estava em um tipo de choque... Estava a muitos dias com muito medo que esse dia chegasse. Porque de repente, me dei conta de que embora pensasse ser ainda aquela criança, o que há por fora não permitia que eu me enganasse.

Nos abraçamos como se fosse a última vez... Nos abraçamos como se fosse um de nossos reencontros para festejar nossa duradoura amizade... Nós abraçamos com força como que dizendo:- Estamos juntos nessa também!E nosso amigo, já havia abandonado aquele corpo há algumas horas... Só restava ali o que lhe servia de casa para esta estadia temporária. O que pertence ao mundo físico a ele é devolvido. Nós, que ainda estamos presos a esta casca, sentimos quando foi preciso sepultar o que restou daquele que era um em todos, pois somos todos em um. E esta nossa parte física fraca, corruptível sentiu a dor da perda. Deixamos seu corpo ali, naquela cova, debaixo de toda aquela terra. Tínhamos que retornar a nossas vidas. Ás vezes nós olhávamos para trás olhando mais uma vez, sem acreditar que ele estava ali. Ao longe, via sua sepultura coberta de flores e tentava me convencer que aquilo que estava enterrado ali era apenas o que restou dele.

Cada um retornou às suas vidas, depois de anunciarem o próximo reencontro.E o dia pra mim seguiu estranho... Eu ainda não sentia nada... Nada... Não conseguia chorar ou sofrer com o ocorrido... Mas, sentia medo... Ainda aquele medo de dias atrás...Estava sofrendo, mas não com a partida de nosso amigo... Sofria porque nunca tive tanta certeza de que todos nós iremos embora sem saber quando.

A morte de nosso amigo colocou-me novamente diante do medo da Morte. Ela quem tantas vezes desafiei. Ela que tantas vezes venci. Ela que tantas vezes busquei. Ela de quem mais fugi. Posso senti-la rindo de mim, pois pode ver em meu rosto a minha certeza de que não há para onde fugir.

A vida pareceu algo sem sentido, pois vivemos fazendo planos, traçando metas, ocupados demais nestas buscas, planejando o amanhã que nem sabemos se virá, sem poder usufruir as coisas simples da vida que são o que tornam uma Vida realmente completa.Tudo se perde quando a Vida acaba.

É preciso crer que somos mais que uma máquina complexa programada que simplesmente reage aos estímulos. Deve haver ou há algo que torna esta existência tão verdadeira que seja o real sentido... Deve haver algo que torne nossa existência um propósito para algo além e maior que tudo o que ambicionamos.

O mundo cheio de suas teorias, donos da Verdade, verdades absolutas generalizadas e sem piedade alguma quando ao 'sentir', está matando todos os dias todas as crenças que tornam possíveis vencer a dor da perda e a incerteza dos motivos de existir. Tudo isso derruba todas as pontes que tentamos construir para dar um sentido a Vida. O único fato que parece certo e podemos crer sem sombras de dúvidas é que existe um amanhã, mesmo que ainda não tenha chego.

Os impiedosos preferem propagar suas crenças de que a morte é o fim de tudo, para contaminar todos com sua crença de que a vida é uma maldição sem sentido que serve apenas para nosso tormento enquanto aqui existirmos. Tentam desmascarar nossa capacidade de sentir e produzir os mais nobres sentimentos pela própria incapacidade de ver sentido em algo...Por serem capazes de crer apenas no que podem tocar, ver com os próprios olhos, e não dão conta de que com isso criam também a descrença no abraço, no outro, no que o outro é capaz por nós.

Hoje o fel na minha boca tinha vários teores e intensidades... Engoli um a um e senti tão amargo... Hoje pude me vestir de tantas crenças e descrenças... Hoje, vi meu mundo ruir e enxergar apenas um imenso e enorme nada! Hoje, considerei o viver a coisa mais imbecil a se fazer!Hoje pude saber com exatidão o que é não crer em nada...

Mas mesmo assim, como um broto que luta com a terra para contemplar a luz do Sol, senti uma fagulha acesa lá no mais profundo do meu ser. Pois, embora tudo isso tenha se passado dentro de mim, há algo que insiste em existir e é forte.


Apesar de tudo isso, aqui dentro existe algo que me diz que vale à pena crer... É como um pequeno milagre que acontece... É como a gota que o orvalho forma... É isso o suficiente para seguir acreditando, pois existe, independe se eu acredite ou não.

Mundo Interior


Aceitei viver literalmente como prisioneira:
Este meu corpo é cela... Reles prisão!
Onde também sou fantasma: - Aventureira
Vagando de dimensão em dimensão!

A cela também é Ostra que logo será selada
Serão geradas pérolas, mas, não entrará mais nenhum grão...
A  Arte será ritual diário: A Inspiração será velada:
Porque há pessoa que são grãos machucando o coração...

Corpo... Ostra... Prisão... Sepulcro...
Cada um irá gerar o que puder...
Se pérola ou carniça: de acordo com o próprio fulcro
Depende a semente... Depende do fruto... A amadurecer...


Ser realista é ser prisioneiro no ápice da hipocrisia!
O surrealismo é o ápice da essência!
Para o realista sobra apenas anistia...
Para o surrealista a realidade além de mera aparência!

É que tudo que espera-se no mundo exterior
Na verdade, é reflexo do que cada um gera em seu mais profundo
Dentro: há Reinos Fantásticos da Consciência Superior...
Da Alma Nua é realidade... Verdadeiro mundo!


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terça-feira, 25 de junho de 2019

Embalagens


Pessoas são produtos em prateleiras comunitárias?
Com seus rótulos, valores, formas, cores, tamanhos e utilidades
São ora mercadorias, ora humanos - gerados por suas realidades imaginárias - 
Apegando-se às suas imagens, reafirmando-se com futilidades.

Se mercadorias, são sanguessugas que se corrompem por baixo lucro...
Se humanos, doam-se tanto que as reservas transformam-se em carência...
Mercadorias nem sempre possuem conteúdo ou são como um sepulcro,
Humanos são fontes,mas, esvaziam-se quando focam-se na aparência...

Os rótulos se soltam, valores não correspondem, formas mudam...
Cores desbotam, tamanhos nem sempre cabem, o que de fato é útil?
Com foco no externo, o Ego se farta tonando-se obeso - nele se afundam - 
São meras embalagens tornando o viver algo tão fútil...

Inertes nas prateleiras, ansiando que o passante desperte interesse
E recebam um toque, sejam avaliados, para provável aprovação:
"Quem sabe cabe? Quem sabe serve?" - subjuga-se a entretece
Se julgados pela aparência - varia a utilidade - pode haver rejeição...


Corredores infinitos com prateleiras enfileiradas
Zona de conforto para quem espera que alguém surja e dali seja levado...
Ao apagar e acender das luzes são meros objetos pelo Tempo empoeirados...
Meros 'utensílios', descartáveis, com prazo de validade determinado...




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Convite para Jantar


Ela vaga pelos corredores do supermercado como se estivesse em um labirinto, mas, nunca está buscando a saída: sempre mudam os produtos de lugar e ela sempre busca pelas mesmas coisas...

Enquanto seus olhos se embaralham com a poluição visual de rótulos diversos, os mesmos pensamentos se despertam, fazendo com que, ou ela acabe passando por onde deveria parar, ou fique parada parecendo olhar a prateleira que nada lhe tem para oferecer... Parecendo porque sua mente voa longe...

"Tenho cismas com corredores: lugares sinistros. Os corredores dos supermercados devem ser propositadamente agrupados desta forma para que o Efeito Corredor não se manifeste durante a noite, quando está vazio e tudo está escuro... Imagine a quantidade de pessoas passando por eles, deixando suas energias, inclusive com o toque - porque a maioria das pessoas vê com as mãos e não com os olhos. Se os corredores não estivessem dispostos da maneira que estão, haveria um acúmulo de energia e os supermercados seriam assombrados..."

"Por que há sabão para roupas brancas e sabão para roupas coloridas? Por que todos não são como esta única marca que deixa branco a roupa branca, mas, também limpa a roupa colorida sem deixá-la branca? Por que há shampoos de cabelos para cada estado em que o cabelo se encontra? Os fios são permeáveis para absorver cada promessa que está nos rótulos? Quanto tempo estarei gastando para descobrir em qual estado estão meus cabelos para saber qual o shampoo certo devo comprar? Os sucos são ligth, diet, zero açúcar e convencional... Por que não retiram logo de vez o açúcar dos sucos?"

Enfim, ela para na prateleira onde está aquilo que procura. Pensa em qual receita o produto servirá para fazer um belo jantar. Não nota que um senhor também para ali, próximo a ela, quase ao seu lado. Só nota quando ele começa a falar, olhando para os produtos, mas, se dirigindo a ela:

"- Tudo está tão caro, não é? Haja criatividade para levar a mesa algo merecedor de ser apreciado!"

Ela olha para ter certeza do que a certeza já havia revelado: ele estava falando com ela. A primeira impressão é de um senhor de cabelos grisalhos, cavanhaque, muito bem afeiçoado, do tipo Richard Gere. Ela se foca no comentário e responde:


"- É... Em tempos de dietas e intolerâncias alimentares nunca foi tão difícil apenas acalmar a fome..."

Ele riu. Comentou que pretendia fazer um Capeletti a Bolonhesa e para acompanhar apenas um bom vinho estava adequado. Ela ainda em dúvidas sobre o que iria escolher, apenas responde: "-É uma boa pedida!".

Ele virou-se à ela, estendeu a mão, olhou-a nos olhos e se apresentou dizendo seu nome, dizendo sua idade (65 anos de beleza e gentileza, foi o que ela constava), e ainda dizendo em qual local ali do bairro mora. Faltava-lhe entregar um Curriculum, como quem diz "não precisa ter medo, sou do bem". Hoje em dia, não se vê pessoas com um comportamento tão distinto.

"- Você sempre vem a este mercado? Eu sempre venho desde que inaugurou e nunca a vi aqui... Se tivesse visto em algum momento com certeza não passaria despercebido!" - disse a encarando, como se seus olhos rissem, mas, na verdade, brilhavam. "- Perdão por perguntar, mas, você é nissei?".


Ah, a pergunta que a coloca com um 'pé atrás', a faz recuar, a coloca em alerta! "Homens, por mais maduros que sejam, deixam de o ser quando estão diante de uma japonesa" - é o que ela pensa. O mito e as fantasias com japonesas vagam na mente de muitos homens...

"- Sou sansei, neta de japoneses... Também frequento este supermercado desde que inaugurou, mas, não com muita frequência..." - respondeu indiferente, focando-se nos produtos na prateleira como quem quisesse acabar com a conversa.

"- Perdoe-me o atrevimento, mas, você teria Whatsapp? Você a primeira vista me parece tão inteligente, além de ser muito elegante e educada. Seria um prazer enorme convidá-la para jantar, conhecê-la melhor... Com certeza teremos conversas bem agradáveis!".

Ela não virou apenas o rosto para ele: virando todo o corpo e colocando-se diante dele, encarando-o. Ficou por alguns segundos muda... Só ela sabia quantos pensamentos fluíam em sua mente naqueles míseros segundos...

"- Eu sinto muito!" - já revelando de imediato qual seria sua resposta final - "Você é um homem de postura incomum para os dias de hoje e com certeza seria uma ótima companhia para uma refeição e um bom papo, mas, infelizmente, nos encontramos aqui nesta prateleira justamente em um momento em que decidi me abstrair de qualquer tipo de relacionamento, pois, afinal de contas, somos adultos e não precisamos de firulas e jogos adolescentes para não encararmos aqui a que nível de relacionamento seu interesse desperta. Eu já sei como isso vai acabar e não há mais espaço para cicatrizes dentro de mim... Se me der licença, preciso ir. Parabéns, você é muito agradável!".

Deu meia volta, esqueceu-se do jantar, das compras, dos produtos, das prateleiras e do labirinto e encontrou a saída como se ali dentro só houvesse uma linha reta.

Por mais que ela tente se permitir as delícias que seu lado emocional tão sensível é capaz de levá-la, a racionalidade sempre falará mais alto, fazendo com que ela creia piamente nos padrões de comportamento, nas máscaras e ilusões que todos vestem, nos processos e consequências...

Hoje, ela se permite ser tudo o que pode ser, pra si mesma. Cansou de mergulhar nas ilusões e fantasias dos outros. Cansou fingir não enxergar e deixar seguir tudo aquilo cujo resultado para ela é tão previsível. O encanto nas pessoas que a levou a estudá-las foi extinto pelo desencanto que são capazes de gerar... A única pessoa que ela aceita que a decepcione e é capaz de perdoar é ela mesma...



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domingo, 23 de junho de 2019

Bata na porta.

Eu durmo entre 4 à 6 horas/dia... Posso me bombardear de medicações para dormir, isto não muda. As horas restantes são usadas para tarefas domésticas, meus trabalhos e estudar.

Amor próprio vai além de cuidar da aparência e do corpo: o tempo, cada segundo dele é extremamente precioso para mim! Cada ação minha é um empreendimento à mais no meu mundo interior! E como amo meu mundo interior!

O céu e o inferno pra onde você irá, é o mundo interior que você construiu e onde está.

Meu mundo é meu refúgio... É onde sempre estou comigo mesma e como amo estar comigo! Ele foi construído com muita dor, muito pensamento, muita reflexão, muita conclusão... Eu mereço estar trancafiada nele!

Minha vida foi e ainda é uma batalha constante para preservar meus neurônios... Eu posso tudo o que quiser, mas, não devo tudo o que quero. Eu policio o que se mantém e o que deve ser deletado de meus Arquivos Mentais.

Sejam meus defeitos, sejam minhas virtudes, cada pessoa que passa em meu caminho só saberá aquilo que eu quero que saibam... Por outro lado, só terão meu melhor de acordo com aquilo que cativam... Meu pior? Não quero pra mim e nem pra ninguém!

Portanto, se, eventualmente, eu interajo com alguém, doei meu tempo! Meu precioso tempo! Se posso acrescentar algo, eu terei para doar. Caso contrário, haverá mudez confundida muitas vezes com frieza e indiferença, o que para mim, tais opiniões são irrelevantes...

Se não posso te oferecer algo, o que é ruim não te darei. Porque sei que ao se doar ou ao se receber, tira-se ou acrescenta-se ao mundo interior: meu mundo é obsceno ao mesmo tempo que é sagrado!

Não me tire de minha quietude se não possuí nada valioso para me doar... E se você me cativa, doarei de bom grado o melhor que eu tiver sem esperar nada em troca.

Cada um dá o que tem e doar é algo despropositado, espontâneo, generoso e não é barganha. O que doei, doado está. Jamais tomarei de volta, nem tão pouco jogarei algo ruim que mate o que foi doado e foi bom...

As questões do mundo, as carência e deficiência no Reino dos Homens, as bandeiras e ideais conheço todas... Sou inconformista, mas, também realista! Ser realista é a consciência de que tudo é nada! Tudo é o que é!

Sei tanto quanto qualquer um acredita saber, de algumas coisas sem muito mais e em tudo isso, a única conclusão a que cheguei é que nunca vou saber o bastante e no final, não sei nada!

Então, vivo eu no meu mundinho, onde a ninguém incomodo e espero não ser incomodada. No meu mundo, opiniões e convicções são irrelevantes. No meu mundo, carne e osso e tudo o que se relacionam a isso, não me serve...

Meu mundo é feito de tudo o que pode ser enxergado além do que os dois olhos podem ver, e de tudo o que pode ser sentido ultrapassando todas as camadas epidérmicas.

No meu mundo não há espaço para pessoas, para o físico e para as supostas realidades fatídicas: nada disso encanta, tem cheiro, tem cor ou sabor de verdade. Eu quero Almas! Nada nunca será mais encantador do que Almas!

sábado, 22 de junho de 2019

Voto para o Clausuro


Um estranho bateu a porta,

A educação mandou atender...
Poderia ter feito como sempre fiz:
Nem responder e ignorar fechando a porta!
É muita ousadia tirar-me de minha quietude...

Nós nos enganamos sempre...
Estamos sempre nos enganando e assim é:
A realidade é ilusão, tudo é vão, nada é verdadeiro.
Como poderia ser verdadeiro alguma coisa se tudo,


Absolutamente tudo passa...


Na quietude do meu mundo

O que mais posso querer?

Uma ilha sempre será ilha...

Por que mostrar o mundo novo

Para depois escorraça-la dele?

Maldade, talvez?

Do lado de fora nada é real,


Nada é encantador,

As cores são mera ilusão,
Sentimentos e emoções

Meras reações químicas

Da máquina de carne e sangue...


No meu mundo estou segura...
Segura do ciclo vicioso de decepções...
Da prisão neste loop de Tempo
Que muda cenários,

Muda rostos,
Muda estações,

Mas, tudo continua tão igual...

A ação resultou na mesmice...

Tente ser qualquer um,


Será tratado como qualquer um!


Deus não existe?
Consequentemente nada existe!
E o que sou eu guardo...
Mantenho seguro no meu mundo


Ali sim tudo é real!

Do lado de fora
Tudo é mentira...

Tudo é falso...

Porque nada é real!
Nada existe...

Tudo é mera fantasia da mente de cada um...
Cada um...
Isto também é mentira:
Você está sozinho

Criando uma suposta realidade...


Se nada existe,

Guardo então o que me é mais intenso,
Verdadeiro,
Real,
Precioso...
E do lado de fora
É onde se despeja a frieza
A indiferença,
O pouco caso...

A ostra vez ou outra se abre...
Logo se fecha:
Tempo suficiente para receber mais um grão,
Para gerar novamente mais dor...