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sábado, 27 de agosto de 2022

O Poeta das Noites Sujas




Dá- me um pouco disto que você tem?
Um pouco deste talento nato,
Deste fluir sensato,
Desta expressão que mais ninguém tem?

Ensina-me como dançar com as letras tão levemente,
Como envolver as palavras como que a contorná-las,
Como se nos movimentos um tesão aparecesse de repente:
Seduz as palavras para uma orgia e passa a convidá-las?


Há um modo específico que a ti a realidade se apresente?
Como enxergas o mundo?
O regente de suas sinfonias é um sentimento bem profundo?
Teu expressar é como interpreta o que sente?


Empresta-me teus olhos?
Deixa-me enxergar através deles
Como é a distorção no Reino dos Tolos,
Como é enxergar de cima, devido sua grandeza, como são reles...

Deixa-me entrar em ti?
Sentir quais os ritmos de seu coração?
Se eles se alteram a cada emoção,
Se permites que o mundo entre totalmente em si...


Qual tua relação com a pena?
É tua varinha de condón?
Extensão da tua mão?
Parceira de registro de cada simples cena?


Qual sua relação com a Inspiração?
Ela desce e vocês copulam ardentemente?
Então, ela sopra em teus ouvidos merecidamente,
Por ter valido à pena a tua invocação?


Segura minha mão e ensina-me a escrever...
Encosta-te em mim para que eu sinta o que sente...
E assim, ensina-me, mesmo que a mão esteja a tremer...
Ensina como exteriorizar o interior e expressar realmente!


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O Poeta das Noites Sujas de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Passado Presente



Se passa o passado
E o passado já passou,
Por que é presente atualizado?
Por que foi e já voltou?

O Tempo é esfera 
Com ponteiros delatadores:
Se no futuro, há espera...
Se no passado, dissabores...

O ontem já se foi: passou!
E o hoje ontem será!
Amanhã será o hoje, que voou!
Amanhã também passará!

O hoje é o ontem
Do amanhã que nos espera
É o amanhã do anteontem
E o passado? Ainda impera?


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Mentiras e Verdades


A mentira é a inverdade
Da verdade que não se quer dizer...
É a falsa realidade
Que se inventa pra bem viver!

A mentira é verdade contida
Que omite um caráter torto...
Oculta a personalidade corrompida,
Ou denuncia um corpo morto!

A mentira alivia a notícia ruim
Ou poupa a mente frágil...
Encaminha pactos a um fim...
Facilitador da mão ágil!

A mentira é o que torna falso
É a base da hipocrisia...
Mesmo com a verdade em seu encalço
A mentira se contraria!
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Gratidão...


"A graça por esta passagem...

Desejo antigo estar aqui. 
Desejo realizado e punição.
Tão dadivoso e tão sofrido.
Tão espetacular e tão caótico.
Gratidão por esta passagem...
Em nenhuma outra esfera vivenciaríamos esta metamorfose constante..."

Shimada Coelho
09/08/2014



terça-feira, 24 de abril de 2012

Confesso: Assassinei a Amélia




‘Seu’ delegado, vim me entregar...
Ofereço-lhe minhas mãos para a algema!
Tenho um crime pra confessar...
Resolvi quando voltava de Diadema...

Levem-me pra Franco da Rocha
Ou internem-me no Carandiru:
Assassinei a Amélia com minha garrocha
Feita de vara de bambu!

Encerrem-me de vez numa camisa de força,
Ou amarrem-me enfim numa jaula:
Transformei-me numa onça,
Quando percebi que Amélia é maula!

Ela colocava-me vendas constantes
Cobrava-me sem cessar!
Suas exigências, incessantes!
'Ói' só:Avisei que a ia matar!

Amélia não se conformava
Que nasci artista da vida!
Ela sempre me atrapalhava
A seguir por aquela avenida!

Que me levou a conhecer o Bexiga
E as rodas da velha guarda!
Arrumava motivos pra briga,
Vinha até os dentes armada!

Só pensava em lavar, passar e cozinhar!
Em servir como escrava o marido!
Enquanto por ai eu queria cantar...
Por ela, eu é quem tinha morrido!

Ela me dizia não ser sensato o vinho...
E que 'dificir', 'nóis vai', era incorreto!
Que ser prendada era mais 'bonitinho'...
E que devia renunciar meu dialeto!

‘Doutô', eu nasci na terra certa!
Eu me fascino pelas ruas do Centro!
Mas a época não está correta!
Vejo a roda dos boêmios, caio dentro!

Eu nasci pra escrever, pintar e cantar!
Nasci para fazer 'Arte'!
Nem Amélia queria aceitar,
Poesia pra mim está em toda parte!

Foi ela que me impediu ganhar a rua
Fazer carinho no pandeiro da alegria...
Sem meu banho diário de Lua...
A cada longo dia eu morria!

Dentro da bolsa, no fundo escuro ocultada
Guardado por causa do zumzum,
Minha caixa de fósforos abandonada
Saudosa pelo quaiscalingudum!

Pode prender-me 'senhô' delegado!
Eu assumo a minha culpa!
Só deixe-me minha gaita de brilho niquelado,
Pois pra cantar não existe desculpa!

Sim, dei fim na dona Amélia...
Não nasci pra ser tão prendada assim!
Chega de pilotar fogão feito a Ofélia,
Prefiro a boemia vivendo dentro de mim!



-=Shimada Coelho=-
São Paulo, 17 de Novembro de 2008.

Homenagem a vanguarda da boêmia paulista


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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Isso é um Adeus?




O manto negro cobre o céu que dizem estar nublado
Não sei...
Está tudo escuro lá fora
Não vejo nuvens, apenas à escuridão.


Há anos que os sons dos grilos não são mais ouvidos na noite
Somente veículos em alta velocidade, sirenes e tiros.
E estranhamente o mundo ainda parece o mesmo
Mas, bem sei que só parece.


Durante todos esses anos tenho aprendido a me manter viva
A mirar à mesma estrela que sempre insiste em brilhar
Diante da minha janela
Talvez seja este o meu ponto de esperança
Que mesmo envolto nesta densa escuridão
Nunca apaga ou ainda não apagou.


Ainda assim continuo a falar sobre a morte
E há quem pense que há algo de errado nisso
Há quem morra de medo só de pensar na morte
Mas eu não posso negar
Que sempre que chega essa escuridão
A morte me abraça mais forte


Sou suicida
Tenho uma relação com a morte muito além do que a vã filosofia possa oferecer
Permito que o meu passado, presente e futuro se amontoem num frágil pedaço de papel.
Pois numa hora futura essa estrela terá que parar de brilhar
E então chorarei em saudade a minha própria esperança que se perdeu
E se amontoará aos ecos de ausências que descrevem a minha historia de vida.


E antes que a hora do impacto chegue
Antes que o reflexo vivo da minha vida
Esse meu contato direto com Deus enegreça
Sobrevivo como sempre fiz
Sobrevivo e respiro nessa poluída escuridão
E tudo o que enxergo é essa estrela
Só ela insiste em brilhar...
Só ela vejo no céu...
Antecipadamente sentirei sua falta, sempre...
E também de tudo o que possa se tornar ausente...
Quando essa estrela -
O reflexo vivo da minha vida nesta escuridão -
Enegrecer.

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O trabalho Isso é um Adeus? de Shimada Coelho e Anderson Nascimento foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O Jardim das Vidas Findas



Um relâmpago revela as silhuetas na escuridão...
Cabisbaixos - ora com asas abertas, ora recolhidas - os anjos olham o que?
Um trovão e o medo percorre a pele...
Cercam-me vultos brancos com rostos em prantos...


No Jardim de Vidas Findas o céu sempre parece cinza...
O Sol esconde sua face para que ninguém veja sua dor...
São tantos rostos desbotados, tantos nomes e tantas datas...
Quem se lembrará de algum deles?


A terra resiste a força da pá que desce sem pedir licença...
Obriga-a a engolir as flores que logo estarão murchas
Ou as jóias que perderam seu fulgor...


Flores... São de cores mórbidas...
Flores... Com perfume de pesar...
Coroas - não de glória - apenas insignia da batalha travada e que acabou,
Velas... Com chamas trêmulas por causa daqueles que passam...


Passam... Os rostos, os nomes, as datas,
As dores, as coroas, as chamas,
As nuvens do céu cinza, o cinza...


A urna é concha que guarda seu segredo,
Logo, logo se abrirá e devolverá pó ao pó...
A lágrima escorre pelo rosto e se transforma em pérola de dor...


São tantos rostos que nunca vi...
Nunca souberam também se eu existi...
Nomes que ninguém se lembra mais...


Depois de tanto apego, tanta luta, tanta devoção,
Parte a Alma - agora livre - sem olhar para trás...
O apego deteriora-se como o mal que a levou...
A luta é herança e disputa um lugar...
A devoção vai murchando em tantos vasos espalhados na escadaria...


No Jardim das Vidas Findas foi e é mais uma...
Um tesouro enterrado que a noite alguém resgatou...
Dorme agora no Reino etéreo,
Tão procurada...Ninguém mais a achou...

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O Jardim das Vidas Findas de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

Súplica à Inspiração

(Imagem: Arquivo Pessoal - Trilha no Parque Egológico de Avaré)


Em meu esforço - feito um parto - não consigo poetizar...


Quão impotente me sinto... Sem poesia, não estarei mais enxergando a beleza que ainda há... Ou ela de vez desapareceu?


Poetizar jamais será uma fuga... E nem preciso fugir!


Poetizar é transcender além desta realidade e acessar - não reinos de fantasias ilusórias - mas outras realidades tão sólidas e palpáveis quanto esta!


Não consigo poetizar, porque minhas asas se fecharam, meus pés estão muito firmes no chão - enraizados -  e sendo assim, não consigo transpor a banalidade desta existência tão medíocre e retirar o melhor que há nela...


Aquelas pequenas coisas descartadas... Aqueles pensamentos tão íntimos e que passam mais rápido que a luz... Todos os sutis estímulos aos sentidos...
Onde estará minha melhor poesia? Talvez a última já foi escrita...


Não... Ainda pulsa sossegado meu coração, pois sabe ainda está vivo!


Ela apenas se esconde em uma de minhas cavernas interiores, temendo manifestar sua grandiosa regalia ou sua enorme simplicidade, talvez...


São tantos os caminhos que nos conduzem ao mergulho profundo em nós mesmos...
E são tantas as pedras que bloqueiam nossa passagem...Nosso introspecto...


Dá-me então, um bom bucado de tua essência...
Dá-me teu sopro... O gesto leve de tua mão no ar...
Dá-me a profundidade enigmática de teu olhar...


Quem sabe assim - impotente diante de tanta escuridão interior- eu encontre em ti minha melhor Inspiração...


Venham então, ventos errantes a soprar...
Despertando todos os sentidos para os meus sonhos que insanamente sonho acordada...


Desçam sobre mim cada nota desta suave melodia andante... Feito orvalho ou a chuva revigorante Outonal...


Que o tom mais agudo esteja em sintonia com o compasso mais forte de meu ansioso coração...
Tão doce e profundo mergulhar... Resgata meus dedos sobre as letras, feito os toques ao piano...


Submerge das minhas profundezas, ó Inspiração, feito o broto que vence tão árido chão... Ressuscita ao chamado de tão suave canção!


Quem sabe assim, diante de um olhar - teu olhar - eu veja o Amor que do mundo se escondeu... E quem sabe a existência real necessária do sonho mais belo chamado Alma!





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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sampa


Fizeram-te tão cinza e concreta... Parece tão triste...
Sentes solidão?
Pois é uma gente que te cerca, e gente que te invade...
Gente que te inunda, gente que te imunda...

Quando a luz dourada vem desnudando o mundo,
Crescem tuas sombras e te tornas tão fria...
Cansativa poluída!
Estufa de sementes alienadas,
Alucinógenas e alienígenas!

Os delatadores vivem de ti,
Depredadores que nada tem, mas tudo querem!
Os corruptos são quem mais oportunidades tem:
Gigantesca promissora!

O que esperar de ti?
O primeiro gole da dose é para o santo,
E segue escorrendo pelo chão, pela vala, pelas guias...
Criando um rio de pinga, esgoto e sangue...
Logo haverá em ti um mar de sangue embriagado,
De Vida que vai, porque veio!

Sepultaram-te viva debaixo do concreto, bem sei...
Posso ouvir teu gemido emergindo...
Ninguém te ouve: manifestação cotidiana barulhenta!
São buzinas, a aceleração, a freada,
Os outdoors, a fumaça, as conduções lotadas...
Nos arredores da inquietude são cães
Incomodados com a canção chata do caminhão de gás...

Ninguém te ouve... Poderão te ver?
Cobrem-te com cartuchos perdidos das balas,
Com o lixo que se acumula nas calçadas,
Com o desejo de consumo e de auto- realização mesquinha:
Teu brilho noturno está tão artificial...
Os Vaga-lumes e Borboletas já te abandonaram...
Ficaram apenas as Mariposas e
As abelhas saqueadoras que te exploram!

Fincaram-te prédios, casas, casebres
E as malocas de Adoniram se estendem mais e mais...
Rainha desejada, decepção inesperada de muitos...
És bela, mas tão poucos podem ver...
Mesmo que a tenham transformado na mais desejada meretriz!
Mina extrativista, paiol de fragilidade,
Gigantesca senzala de livres fingidores...
Bolsa de valores perdidos,
Centro comercial e propaganda,
Núcleo financeiro, violento e negligente:
Segue enriquecendo de pobreza!

Não te perturbes jamais te deixarei!
É meu berço de ouro, poluído e tão cinza...
Roubaram-te todo o glamour...
És a sepultura onde encontrarei os portais da eternidade!
Meu Inferninho preferido...
Minha cidade pesada feito um país...
É um país -
Minha Sampa!


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Sampa de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

sábado, 13 de agosto de 2011

SPECULUM – IMAGE REFLECTERE



Espelho meu...
Minha imagem refletida...

Eu invoquei a Morte
Para que enfim ela me arrebatasse...
Supliquei para que logo me levasse...
Cansada da falta de 'sorte'...

Eu caminhei por anos procurando...
Algo que pudesse me tornar mais viva!
Pois eu amo demais a vida...
Mas por ela seguia me arrastando...

Cansada de olhar o horizonte...
De esperar o que poderia não existir...
Esperando pela razão maior do meu sorrir...
Vigiando as estrelas à noite...

Vivi isolada, feito mulher das cavernas...
Sentindo-me como se aqui acabasse de chegar...
Seguia sem rumo...Folha seca a vagar...
Minhas noites eram eternas...

Eu acreditei por tanto tempo
E o tempo já me vencia...
Da espera desistia...
Cansada do lamento...

Eu necessitava desesperadamente
De um modo de poder me enxergar...
De me perceber para encontrar...
O amor desejado eternamente...

Tornei-me cacos de um espelho quebrado...
Cuja imagem destorcida não reconhecia...
E a cada dia mais me perdia...
Era um vaso... Por trincas... Rachado...

Estava tudo pronto para o último suspiro
Quando aquele "Sol" gigantesco surgiu...
Meu desespero sucumbiu...
Lembrei-me que eu respiro...

Foi um reconhecimento instantâneo...
O horizonte trouxe-me o que eu esperava...
Sol de vida que em esplendor brilhava...
Sem falso brilho momentâneo...

Meu espelho nítido e inteiro...
Onde só então pude me enxergar...
Fez por mim me apaixonar...
Descobrindo amor verdadeiro...

A luz era intensa assim...
Não apenas devido sua luz aquecedora...
Mas porque minha imagem se fez reveladora,
Quando em ti eu vi a mim!

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SPECULU – IMAGE REFLECTERE de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

@shimadacoelho
Publicado no Recanto das Letras
em São Paulo, 08 de Dezembro de 2008

Forasteira

Se magnífico, ora também tão estranho este ser...
Pois sendo forasteira de terras tão distantes, caminha
Enfrentando agruras, pedras, espinhos e monstros sem temer,
Focando seu futuro - também seu passado - a vida que dantes tinha...

Comeu do fruto proibido e dele sabe o segredo...
Abriu-lhe os olhos para a maldição que a cobriu...
A cobiça foi tanta que perdeu o temor e o medo,
Ganhou um purgatório dentro de seu corpo vil...

Se merecer o Inferno - jaz nele - até quando não sabe...
O conflito violento entre corpo e alma é a pior de todas as agonias...
A tentativa de reconciliação é a única coisa que lhe cabe...
Por isso perambula pelos séculos... Pelos anos... Pelos dias...

Lançou-se para cair de joelhos - em queda constante
O arrependimento não traz o castigo, mas o desejo realizado...
Então é esse ser meio necrófobo, meio morto-vivo errante...
Tanto alma estendida nas galáxias quanto arbusto enraizado...

Escapa-lhe entre os dentes as torturas internas que rasgam as entranhas,
Do peso de tão grande mistério aprisionado em seu peito...
Se contasse revelaria insanidades cujas imagens estranhas,
Que a tornaria semelhante ao delirante moribundo que se entrega ao leito...

Em terras tão estranhas - reino primitivo - arrasta-se de braços abertos feito cruz...
Sem saber se deseja partir ou se prefere ficar - pois sente sua hora...
Cada vez que caminha afasta-se mais ainda da Luz...
Nas Sombras da Morte - sem escolha - é onde mora.

Vazaram-se os olhos – é cega - incapaz de enxergar através do véu,
Demente ordinária, sem massa encefálica - incapaz de compreender...
Ao trocar sua morada para estar aqui perdeu o céu,
Para tê-lo de volta - o estranho ser - vida após vida precisa viver!


@shimadacoelho


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Forasteira de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Divagando sobre Humor


É efêmera a condição sutil do humor...
Pois que, a disposição psicológica e emocional
Só se vê mesmo com a convivência,
Oscilante em paraíso ou terror,
Variável... Paradoxal...
Caracterizando a normalidade em demência.

Passados os tempos não mais meros fluídos corporais...
Pois se corpos organizados, agora mentes infames...
Se antes, um dos quatro era vital,
Talvez equilibrasse a saúde até com florais,
Embora a mente doente o corpo esparrame
De males criados para a Humoral...

Assim então se verte em pus a reles matéria,
Ou em licor de mais nobre sabor,
Depende do Humor Viciado?
Pois se entope a artéria,
Ou derrete-se em amor,
A saúde depende do estado...

Em humidade o humor é aquoso do olho,
Em graça mordacidade chistosa,
É negro que zomba do aleijado, do manco e o caolho,
Se ironia delicada é recebida como rosa...

Da índole é apontador,
Se escrófula é tuberculose e caixão...
Mas o incrível da palavra humor
É ser apenas figura para o ânimo e a disposição.

@shimadacoelho


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Divagando sobre Humor de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Flerte



Será um rosto ou Sol?
Ofusca o olhar, mas aquece o coração!
Será mera ilusão de ótica, fruto da imaginação
Ou apenas mais uma foto naquele rol?
Imagens são tão irreais!
Verdadeiro mesmo é o toque sutil,
Inseguro ao som que a agulha arranha no vinil,
Em meio aos pensamentos que voam entre atividades semanais...
Antes, o mundo ruía e tornava-se sombrio...
Tédio matava e a espera por nada era certa...
De repente, o peito é nascente de um límpido rio...
O coração palpita diante do gesto que flerta...
Imagens, cores, linhas torpes...
Irreais... Imaginação!
Real mesmo é a vontade de ouvir um murmúrio...
É a mão que finge um toque acidental...
Toques!
É a vontade da boca cinza... Surreal!

@shimadacoelho


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A obra Flerte de Shimada Coelho foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Quero


Quero minha vida de volta!
Quero meu espaço,
Observar onde fracasso,
Ficar bem longe desta revolta!

Quero meu lar doce lar,
Quero minha paz de espírito,
Com a desarmonia me irrito,
Estressa-me ver irmãos brigar!

Quero meus problemas diários,
Quero esquecer os dias e lembrar-me de olhar os calendários...
Usufruir do meu suor e hospedar a paz,
Continuar me superando, pois sou capaz!

Quero respirar e viver minha família,
Quero continuar a ser uma ilha...
Segurar com o coração o que lutei tanto pra ter,
Pra minha felicidade jamais se perder...

Quero distancia das maquinações e ciladas,
Quero manter bem firme minhas pisadas,
Preservar o que considero meu maior bem,
E não ser machucada por mais ninguém!

@shimadacoelho



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Quero de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Um olhar para o Céu...


"O Vento brinca com as Nuvens criando rastros e retas,
Em um rascunho sutil, pois tenta desenhar bichinhos no Céu...

Posso ouvir as Nuvens gargalhando gostoso,
Não sei se pelas cócegas ou porque bichinhos ficam mesmo é na Terra...

E o Vento faz, desfaz e refaz as retas, as curvas e as formas
Pois seus rabiscos são sonhos que tenta materializar...

Enquanto se expressa, comanda tudo...
Mas no fundo sabe que há algo maior que acrescenta
Um pássaro, uma pipa, o avião e uma bola gigante branca...

Na sua fúria, é temido e impiedoso...
Na sua brandura é menino peralta fazendo desenhos em um alvo papel."

Shimada Coelho
@shimadacoelho



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A obra Um olhar para o Céu... de Shimada Coelho foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em shimadacoelho.blogspot.com.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ass: Anônimo


O anônimo não tem nome...

Portanto não tem cara,

Não tem Alma,

Não tem endereço,

É um sem eira e nem beira!


Se é sem nome,

Sem cara...

É também sem teto,

Sem terra,

Sem chance?


Pois se sem cara,

Sem boca,

Então, sem voz!

Sem olhos,

Sem visão,

Sem ouvidos,

Nada ouve!

Sem caixa... A craniana!

Sem massa encefálica,

Sem massa corporal,

Nada sólido...

Dissolúvel!


O anônimo se manifesta,

Mas não tem atitude!

É o Troll: espírito de porco virtual!

É desse anônimo que falo:

Sem cara e sem a vergonha...

Sem pudor e sem limites...


Não é o praticante do bem

Que tenta preservar a vida,

Pois desse querem dar cabo sempre!

Não é o que preserva sua privacidade,

Não gosta de ser o foco!

Muito menos aquele que se envergonha!

Timidez!


É aquele outro!

Faz o mal feito,

Crê ser o certo, pois

Se lhe satisfaz

Está bom!

Faz...

Escondido!

Insatisfeito consigo mesmo,

Incapaz

,Avestruz...

Não existe,

Mas tenta aparecer!



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Ass: Anônimo de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Para ver melhor



Eu não escrevo sobre sexo!
As sensações ardentes entre minhas coxas
São muito íntimas,
Pessoais,
Individuais,
Só minhas...
São segredos guardados na caixa preta
Revestida de quatro paredes...
Além do mais, há muito aboli o sexo.
Depois disto só fiz amor... Muito amor!

Mas, eu não escrevo sobre amor!
Teria que narrar a rotina
Dos trezentos e sessenta e cinco,
(se bissexto trezentos e sessenta e seis),
Dias dos meus trinta e nove anos...
Amor não se vê em palavras...
Pois, amor tem algo de Física:
É ação e reação!
E ação só quem age sabe como é...
E a reação só quem recebe pode sentir...
E quem pode sentir por mim?
Ainda não aprendi a sentir por ninguém...

'E o que você escreve afinal?' - alguém me perguntaria.
Nada! Afinal, o que sinto só eu posso sentir...
Ninguém aprendeu a sentir por mim.
Mas vou escrevendo...
Para abrir os olhos...
Embora se alguém,
Vir a abri-los,
Poderei ver a direção para onde olha,
E quem sabe também ver...
Pois escrevo para os olhos se abrirem...
Para meus olhos se abrirem e enfim,
Eu poder ver!



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Para ver melhor de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Verdadeiro Poeta



Um poeta não nasce poeta...
Reencarna!
Vem de outras vidas... Versejando...
Sua vida é inspiração predileta...
Escrever... Talvez karma...
Mesmo na infelicidade segue... Cantando!

Um poeta vê vida
Onde nada mais brota...
É um arco-íris mágico trazendo de volta... Cor...
É um anjo quando a esperança finda...
É o sinal que surge no meio da rota...
É o último fragmento do verdadeiro amor!

Um poeta não tem mil faces...
Tem mil vidas que cabem numa alma só...
Ele dá muitos nomes aos sujeitos dentro do ser...
Mas sabe que é apenas um...Em qualquer das fases...
É humilde, reconhece que é apenas pó...
Sua missão: mostrar a todos que vale à pena viver!

Um poeta tem dentro do coração
Todo amor que emana do Universo...
Não ama Ágape, Filos ou Eros...
Ama sem restrição através de sua canção...
Respeita e ama tudo... Vê-se em cada verso...
Fala tranqüilo...Não aos berros...

Um poeta sente a paixão e o desejo como ninguém...
Ele se entrega incondicionalmente
Faz-se escravo... Dono... Amante...
Seu amor existe por certo alguém...
Sua amante? A Lua somente...
Não se deturpa...Não se vende... É brilhante!

Um poeta não usa a paixão para iludir...
Ele não usurpa...Não arruma desculpas para inspirar-se...
A inspiração é parte de sua essência...
Não veio explicar...Nem confundir...
Ovelha do rebanho...A desgarrar-se...
Transforma em sabedoria...Sua experiência!

Ele busca o amor de sua vida inteira
E busca em todas as faces o par perfeito...
Em um momento percebe que para ele apenas há uma!
Ele se reserva e se torna melhor para a musa verdadeira...
Ele não usa...Não torna objeto... É direito...
Convicto sabe que amar apenas uma é sua fortuna!

Um poeta é arauto da ventura...
Transforma suas dores em poesia intensa...
Faz do feio, belo... Não cria mais sofrimento...
Mesmo embriagado mantém a compostura...
Vive de tudo... Sua dimensão é imensa...
Desconhece o arrependimento!

Um poeta não confunde assumir-se com depravar-se...
Ele tem caráter e respeita tudo que canta...
Ele é honesto primeiro consigo, depois com os demais...
Ele não ilude...Não machuca... Sem enganar-se
Ele é mensageiro de vida e amor... Encanta...
Não cria tormentos, nem semeia ais!

Um poeta não escreve para se auto-afirmar...
Nem tão pouco para envaidecer-se...
Ele fala do que ninguém nota... Nem quer ver...
Escreve para os sentimentos eternizar...
Para que não sejam extintos...Para ninguém esquecer-se:
Que o sentido da vida é viver!

Um poeta vive e bebe a noite escura
Pois dentro dela ninguém o vê chorar...
Todos os sentimentos dilaceram seu peito aberto...
É sábio...Vivido... Possui brandura...
Seu dom: escrever... Sentir...E amar...
Seu amanhã...Completamente incerto!


São Paulo, 04 de Novembro de 2008

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sonho



Dentro da floresta virgem,
Caminhando entre névoas...
Surgindo como vertigem,
Em meio às úmidas relvas!

Se move lentamente,
As finas vestes a esvoaçar...
Apenas a Lua insistente,
Vem sua aura contrastar!

Sobre a folhagem recolhendo,
O doce orvalho da madrugada...
Da doçura da noite bebendo,
De vida embriagada!

Com sua voz suave e terna,
Chama por ele que a deseja...
Esse chamado é um coração que anela...
Nessa voz sua força fraqueja!

Ele estremece inteiro,
Seu coração a palpitar...
O que sente é verdadeiro,
Quer fugir, correr, gritar!

Aguda grita no peito,
A vontade de buscar...
No seu vazio e triste leito,
Aquela que quer amar!

Sentindo o perfume da flor,
Plantada na sua memória...
A garganta grita amor,
E sua alma rasgada chora!

Entrega- se a escuridão,
Da noite impiedosa...
Que transforma um coração,
No espinho de uma Rosa!

Sente ciumes do vento,
Que com ela está a dançar!
Sente ciumes do tempo,
Que com ela está a caminhar!

Vai de encontro a floresta,
Quem sabe lá ela more...
Busca- la é o que resta,
Porque o amor não morre!

Correndo por toda parte,
Pela suave luz procurar...
Que sua boca não se farte,
De por ele sempre chamar!

Nada de luz, só a Lua...
Rindo- se dele... E ele a perguntar...
"-Onde está ela, quero a nua!
Quero aqueles lábios beijar!"

"- Tolo romântico apaixonado!
Não foi a voz dela que escutou!
Foi aquela estrela ali do lado,
Que um desejo realizou!"

Com madrugada e o sono findo,
Ele logo despertou...
Tudo foi um sonho lindo,
Que ela com a estrela desejou!


Alma Nua,
Terça- feira, 02 de Outubro de 2007, 02: 06



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