Talvez eu seja apenas um sopro
E todas as vezes que tentares me desenhar em alguma nuvem
O vento me levará para mais longe
Talvez...
Quando a tua mulher estiver grávida
E quando estiveres com o filho em mãos logo após o seu nascimento
Não esquecerás o amor que dedicas a mim
Nas poesias de inverno e verão
Talvez na morte
Nossos túmulos sejam relativamente próximos
E assim teremos a proximidade que não tivemos em vida.
Eu amo o que ninguém mais quer aceitar
Até porque o amargo tem gosto doce pra mim
Não pretendo enganar-te
Contigo meus lábios são mais risonhos
Mas, um poeta que ama outro poeta...
Conhecemos bem a realidade
Coração de poeta
Só por um coração fica rendido
Coração de poeta
Ama-se... Por amor sentir...
Quer-se... Querendo... Mesmo distante...
Ama-se... Amando... A todo instante...
Nunca foi difícil amar-te
Mas o nosso amor (no sentido mais cru da palavra)
Nunca passou de uma inspiração poética
E um poeta que ama outro poeta
A gente sabe bem como é
Outras almas ilustrarão futuras poesias
Na verdade, ninguém é de ninguém.
Não pretendo enganar-te
Todas essas desconexões tentam gerar algum nexo
Um brilho de alguma estrela azul perdida no espaço
Para que tu deixes de ser apenas uma representação dos meus belos sonhos
E gere um amor em mim além da poesia
Ou então, eu te esqueça de vez.
Poderia ser fácil assim... Antes fosse...
E quem resiste ao teu olhar charmoso?
Meu esforço insensato... Minha alma...
Tudo pode não passar de um sopro
Fico feliz mesmo assim.
**A foto também pode ser vista em http://www.flickr.com/photos/chirifulfly/6329663209/**