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segunda-feira, 8 de maio de 2023

Em Vão...

 
Arquivo Pessoal:Mandala Orquídeas by Shimada Coelho



As noites sombrias

Passam e levam consigo a escuridão...

Só não levam estas dores... Tão minhas...

Que perduram por dias

Mas, entregar-se ao sofrimento é vão...

*

O amanhecer no Outono é mágico!

Um encanto que só existe nesta estação...

Embora o mundo pareça trágico

Embora este rosto esteja cada vez mais apático...

Embora o corpo lateje em protestação...

*

O sol vem, cobre como um carinho aquecido e não ardido:

Ilumina como na noite tempestuosa ilumina o trovão...

Os pássaros parecem em maior quantidade: te é sabido?

Cantam felizes anunciando um novo tempo... Bem florido

Porque a noite,o sofrimento e o outono também passam, mas, não é em vão...



Licença Creative Commons
Em Vão de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Alma Abatida




Alma triste abatida,
Tristes lamentos, tantos aís...
Perdido o brilho da vida,
Nem teus lindos sonhos tens mais!


Difíceis estão teus passos,
Perdida no que os olhos insistem ver...
Sufocada na multidão de falsos,
Que fingem uma perfeita vida ter!


Os pensamentos se atropelam,
Incertezas a martelar...
As respostas que perguntam,
Das certezas duvidar!


Aquela forte sensação,
De no planeta errado  viver...
Sentindo- se uma aberração,
Por diferente da maioria ser!


Saiba que perceber sua diferença,
É prova de enchergar além...
Neste mundo sua presença,
Vai mudar a vida de alguém!


Essa confusão mental,
E esse sofrimento constante...
Esse jeito sentimental,
Esse inconformismo gritante!


São um conflito interior,
De uma alma que sabe quem é...
É uma essência superior,
Movida por compaixão, amor e fé!


Então, que você se extenda,
Ultrapasse os limites dessa prisão...
Permita- se seguir sua lenda,
Sufoque a enganosa razão!


Caminhe para sua inocência,
Retorne a sua origem...
Seja o ser de luz e prudência,
No meio daqueles que fingem!


Fingem saber quem são!
Fingem completos, fingem ter!
Fingem saber onde estão!
Fingem a verdade perceber!


Veio pra ser diferença,
Você é o sal da Terra!
Deixem notar sua presençam,
Livre- se da prisão que te encerra!


Não sinta insegurança,
De contra o mundo lutar...
Porque a solidão trouxe a desesperança...
Acreditando que és único neste lugar!


Embora você não perceba ninguém,
Na multidão um igual...
Eles apelidos maldosos tem,
Os chamam de "anormal"!


Estão espalhados no mundo,
Para luz levar na escuridão...
Possuem um amor profundo,
Cumprindo uma missão!


Guardiã da Ventura,
Quinta- feira, 26 de Julho de 2007, 19: 28




Licença Creative Commons
O trabalho Alma Abatida de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em www.recantodasletras.com.br.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Desatinadamente Dor


Os versos que hoje rimo,
Fala da constante dor...
Aquela que salta do íntimo,
Seja por angústia, decepção ou amor!

Não sei se todos a sentem,
Sei que não é pra todos igual...
Sei que alguns negam ou mentem,
Outros acham muito pessoal!

Mas, quando ela lateja,
Sufoca ,incomoda e transtorna...
Mesmo que sozinho não esteja,
Ela dói de qualquer forma!

Faz você perder o rumo,
Sem saber o que fazer...
Se sente num túmulo,
Sem força pra viver!

Ela dói tão profundo,
Aqui no centro do peito...
Fazendo- te moribundo,
Jogado, pálido num leito!

Com as pessoas conviver,
Torna- se um grande sacrifício ...
Escondendo seu sofrer,
Omitir- se vira um vício!

Esse gomo na garganta entala,
A passagem obstruindo...
O pranto a voz cala,
O ar vai se exaurindo!

Os pensamentos se atropelam,
Os olhos fixos num ponto...
Sentimentos ruins martelam,
Submergindo lá do fundo!

Aqui dentro deve haver,
Uma reserva de dor...
Onde se escondem as mágoas,
Frustrações e pavor!

Quando se abre da reserva a porta ,
Nossos fantasmas todos se soltam...
Com a dor do momento se misturam,
E desculpas pra essa dor não faltam!

Uma confusão de pensamentos,
Que ressuscitam dores antigas...
E revivemos todas elas,
Reabrem- se inúmeras feridas!

Ai! Essa dor latejante!
Dilacerando o coração...
Dói tão profundamente,
Perdemos a razão!

Mas, se olharmos as fontes
De cada dor que se manifesta...
Sofrimentos aos montes,
Franzidas na testa!

A dor que sentimos agora,
Tem hora e dia pra acabar....
Assim como as dores de outrora,
Não devem mais aqui estar!

Porque o momento causador,
Desse fragelo no peito,
Teve teve seu minuto para transpor,
Passou... Acabou seu tempo!

Então, ao olhar o que passou,
Não são as dores que devemos ver...
Mas, sim as batalhas que lutou,
E tudo que conseguiu vencer!

Que está dor seja deste momento,
Difícil que agora passa...
Não algum antigo lamento,
Que o tempo transpassa!

E dói...Como dói...
Deixa ela palpitar...doer!
Sei que a alma mói...
Mas depois dela alívio... prazer!

Alma Nua,
Quinta- feira, 19 de Julho de 2007, 05:00





quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Filha da Libélula




Se hoje voo livre
Eu devo a ti minhas asas
Oh pequena libélula, não me prive
De vê- la voar sobre as águas rasas!

Tão pouco tempo tem de vida...
Só vives para teu voar...
Pequena libélula querida!
Não ouse me abandonar!

Não voe pequena libélula!
Seu voo pra longe vai levar!

São quinze as tuas fases...
Apenas por quatro ultrapassou...
Em teus voos ainda nem sabes,
O quanto de ti em mim deixou!

Se hoje voo a liberdade
Se ganho o firmamento...
Foi sua grande bondade
Que me foi ensinamento!

O voo é a libertação!
Mas não me coloque no esquecimento!

Por isso, pequena libélula...
Não voe pra longe assim!
Minha alma é assim tão bela,
Porque voaste pra mim!

O bater de tuas asas a voar
Foram as páginas onde aprendi...
A nunca desistir e sonhar
Hoje tenho asas graças a ti!

Bata suas asas e voe grande!
Mas não voe pra longe de mim!

Libélula não me deixe sozinha
Ainda preciso vê- la voar!
A luz do firmamento atrai, pequena minha...
Mas se voar pra longe
Como vou me guiar?

Shimada Coelho

Recanto das Letras
Alma Nua, São Paulo, 13 de Setembro de 2008

- Para Alice, minha mãe.

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Filha da Libelula by Shimada Coelho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Não a obras derivadas 3.0 Unported License.
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Espírito Livre... Coração da Terra



Você diz:
"-Sai desse mundo! Ele não existe!"
Imaginas o quanto me fere quando diz isso?
É o mesmo de chamar-me de louca,
Ou pedir que eu arranque meus olhos,
Ou retalhe minha pele para não mais sentir.
Pesa o mesmo que uma sentença,
Que decreta que eu tire para fora meu coração,
E o substitua por uma pedra...

*
Que mal pode me fazer acreditar?
É melhor caminhar neste mundo feito muitos,
Fingindo que tudo está bem?
Lutam tanto para que fique tudo bem...
E quando conseguem,
Levantam muros ao redor,
Para não enxergarem o que se passa ao lado...
Ou para não dividirem o que conseguiram,
Ou para não serem roubados...
Lutam tanto, e fingem ser o que não são...

Lutam tanto,
E não possuem nada!
Deseja mesmo que eu seja assim?
*
Quantas vezes,
Voltavamos de um passeio,
Do shopping,
Do restaurante classe média alta,
Aquecidos em nosso carro caro,
Em nossos trapos de marca,
Onde só a etiqueta tinha valor...
Com nossas barrigas cheias...
Nossa pele transpirando perfume caro...
Passando diante de tantas pessoas
Que sentiam frio em pontos de ônibus,
Sentindo fome,
Desejando chegar em casa,
Desejando respeito,
Desejando justiça,

Desejando ser ouvidos,
Desejando uma vida melhor,
Debaixo de pontes,
Em barracos de tábuas podres,

Em quatro paredes precárias
Em áreas verdes da prefeitura?
Eu chorava...
Me sentia mal de estar bem,
E existir tantas pessoas vivendo tão mal...
Você pedia:
"-Sai desse mundo! Ele não existe!"

*
Lamento informar:
Não quero sair daqui...
Nunca quis...
Sempre voltei...

*
Como poderia não me comover
Com o olhar da criança?
Como não desejar abrigar
O animal faminto na calçada?
Como negar estender meu prato de comida,
Para quem sente fome?
E diz a si mesmo:
"Por isso não saímos de onde estamos...
"Onde estamos?

*
Ás vezes, já desejei sair daqui...
A Humanidade consegue ser tão ingrata,
Egoísta...
Mesquinha...
Mas, fui colocada aqui...
E não posso explicar,
Este misto de amor e ódio.
Eu aprendi a amá-los...
Me tornei parte deles...
Eu os amo com toda a força do meu coração...
E dói demais não poder fazer algo,
Pois o que faço,
Nada é perto do que
Realmente precisam...

*
Que mal há em acreditar?
Que amanhã,
Junto com as luzes da Aurora,
Virá um novo dia...
Que o Sol é generoso
E brilha pra todos...
Que a Terra dá o bastante
Pra todos...
Que além do horizonte,
Não há apenas a cama onde o Sol dorme...
Que as crianças,
São as luzes acesas que fomos um dia...
E que os idosos são toda a sabedoria
Que iremos adquirir...

*
Que mal há em indignar-se?
Não posso deixar de ver,
Nem de sentir na própria pele...
Por que não lutar?
E por que tenta me impedir?
Foi pra isso que nasci...
E nem comecei o que devia fazer...

*
Lá em cima na imensidão,
Você vê nuvens...
Eu vejo bichinhos de algodão...
Você vê estrelas que já morreram,
Cujo brilho ainda está chegando aqui...
Eu vejo anjos...
Lá no córrego que corre imundo,
Você vê esgoto...
Eu vejo uma das artérias do planeta,
Morrendo...
Nos cães e gatos,
Você vê trabalho dobrado e sujeira...
Eu vejo meus irmãos...
Você olha pra mim e vê beleza...
Um corpo interessante...
Eu vejo uma prisão...
Olha em meus olhos,
E sente-se seduzido...
Eu olho nos teus,
E vejo sua Alma.

*
Por que me pedes para ser diferente?
Jamais irei ser o querem que eu seja...
Jamais irei me adaptar a essa sua realidade...
Jamais irei compreende-la...

*
Que realidade é esta tua,
Onde as luzes se apagam...
As cores desbotam...
Tudo se quebra...
Dura tão pouco?
*

Que realidade é esta,
Que dá felicidade,
Alegria,
Satisfação,
Por tão pouco tempo?
Através de trocas...
É real essas sensações
E emoções
Que se manifestam por 'coisas'?
Quem afinal deve sair de onde?
*
Por que não posso acreditar,
Que na verdade não há poderosos?
Que eles precisam ouvir as verdades
Que só nós conhecemos,
Pois eles estão num lugar alto demais,
Pra saber como é aqui embaixo...
Por que não devo brigar?
Me inconformar?
Por que devo aceitar o que não quero
Nem pra mim,
Nem para os outros?
*
Não posso colocar uma venda nos olhos...
Já tentei.
Não posso ser adestrada.
Não posso mudar o que sou...

*
Sou desatrelada...
Me enjaulei...
Me enclausurei para não ver mais...
Mas ainda posso sentir...

Porque minhas janelas nunca se fecham...
Mas me fechei...
É o máximo que posso fazer...
Mas de algum modo,
Irei encontrar um meio de gritar,
E fazer minha voz ser ouvida.
Mesmo não querendo sair...
Mesmo sem poder ir...
Eu vou.
Eu sempre vou...
*
Você temia que perdessemos tudo...
Eu não...
Pois cresci possuindo tão pouco...
O que era meu,
Era nosso.
O que tínhamos,
Precisava ser dividido...
Não importa em quantos pedaços,
Cada um podia ter um bucado.

*
Isso é família!
Isso é a coletividade!
Família não é uma coleção de despesas...
Família é o princípio
Da coletividade.
Formamos uma,
Para aprendermos a viver
Com os outros...
Isso é o Amor,
Tão confundido com Paixão.
Isso, é como nosso Chuchuzeiro:
Ele se estica todo,
Abraça tudo o que pode,
Fica carregado de chuchus,
Grandes,
Verdes,
Lindos...
Dividimos em porções iguais,
E distribuímos aos vizinhos.
*
O mundo acredita que igualdade
É vestir, fazer, comer
As mesmas coisas que os demais.
Igualdade pra mim,
É me ver em você,
Me ver em meus filhos,
Nos meus animais,
Neste céu,
Nesta terra,
Neste rio...
São todos meus irmãos,
Antes das outras coisas que são.
*
O mundo acredita que liberdade,
É fazer tudo o que se quer,
O que dá na cabeça...
Liberdade pra mim é poder escolher,
É o Livre Arbítrio,
É a opção...
O mundo acredita nestas luzes
Incandescentes...
Coloridas...
Nas coisas palpáveis,
Nos valores monetários...
Eu acredito nas luzes
Que habitam as Almas das pessoas...
Nas coisas invisíveis,
E que as coisas verdadeiras
Duram para sempre.
*
O mundo mudou...
Eu também...
O mundo perdeu...
E embora eu nada tenha,
Só ganhei.
*
Meu coração está ligado a Terra...
Sei bem o que um animal pensa,
Quando olha um humano...
Dentro de mim manifestam-se
Os espíritos ancestrais...
Meus antepassados,
Do Oriente e do Ocidente,
Desde o princípio...

E acredito
Pelos meus descendêntes...
*
Não posso trocar o que sinto,
O que vejo,
O que percebo,
Por sua realidade.
Não posso trocar
Os vôos de minh'Alma,
Pelos valores terrenos...
Meu coração,
Jamais será de uma pessoa só...
Ele pertence ao mundo!

Ao Universo!
Ao Deus Desconhecido!
*
Vê bem como não posso mudar...
Vê como não posso caber aqui,
Mas não posso também sair...
*
Quando estava tudo bem,
Na verdade não estava...
Fingíamos estar bem...
Sempre nos faltava algo...
Sempre havia um vazio em nós...
Quando tudo estava bem,
Eu temia que
A compaixão e amor
Que sentia pelo meu próximo,
Era porque tudo estava bem pra mim...
É fácil ser bom samaritano,
Quando tudo vai bem,
Quando se tem tudo...
*
Porque o sofrimento alheio me incomodava?
Por que eu me importei?
*
E agora...
Como me pede para que saia daqui?
Como quer que eu não acredite?
Que mal vai fazer?
Sou uma Alma presa num corpo...
Sou uma pessoa presa numa casa...
Sou um espírito livre!
*
É agora que preciso acreditar!
É agora que preciso lutar!

Porque a questão não é mais ter ou não ter...
É também ser ou não ser...
Ir ou não ir...
Conseguir ou não conseguir...
Pois estamos sentindo na pele...
Pois agora estamos do outro lado...


*
*
-=Shimada Coelho=-
São Paulo, 11 de Agosto de 2009.


Creative Commons License
Espírito Livre... Coração da Terra by Shimada Coelho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Espírito do Sol Nascente



O Espírito do Sol Nascente
Vem nascendo junto com a Aurora,
Trazendo as luzes do Oriente,
E a Grande Filosofia de outrora...
*
É a voz que clama incansável,
No deserto e no Ocidente,
Com convicção inabalável:
Ecoa após o Poente...
*
É a Luz guia que aconselha:
" -Retornem a Inocência!"
É humilde pastora que resgata a ovelha,
Desgarrada e sem prudência!
*
Perdida em vãos encantos,
Passageiros e sem sentido...
Causadores de teu pranto,
Tornando o espírito perdido...
*
Criando variações de caminhos,
Apontando direções opostas,
Seduzindo com enganosos ninhos,
Enganando com falsas propostas...
*
Resgata-te do teu próprio abismo!
Das profundezas de tuas entranhas...
Não tem nada haver com Ocultismo,
Nem com crenças estranhas...
*
"A Humanidade é composta de humanos!"
Onde estão eles, então?
O véu da cegueira é mundano:
Corrompe o coração!
*
Pergunto-te afinal:"-Quem tu és?"
Uma máquina de carne inteligente?
Um monstro que caminha com dois pés?
Ou uma Alma que viverá eternamente?
*
Grita no fundo de teu poço:
Talvez não seja um eco que responderá...
Teu interior será apenas um fosso,
Ou uma fonte que sempre jorrará?
*

"Acalma teu coração...
Um dia novo virá!"
*
"Há montanhas a tua volta?
Por detrás dela o Sol nascerá...
O mar está em constante revolta?
Ao nascer da Aurora acalmará..."


-=Shimada Coelho=-
Sâo Paulo, 05 de Agosto de 2009.


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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Nâo Morrerei

Infelizmente, desconheço o autor da imagem...


Eu preciso dormir...
Mas o corpo não quer se entregar a cama...
Eu preciso ensurdecer...
Mas os ouvidos são antenas
Captando todos os mínimos ruídos...
*
**
*
Eu preciso calar...
A voz que grita
Dos lábios inertes...
Ressequidos pela mudez
Preciso calar esse som que sai...
Mudo...
Mas agudo...
Como navalha cortando a pele...
E flui...
Como uma onda gigantesca
E assustadora...
*
**
*
Eu preciso comer...
Mas a boca muda
Se fecha para o som que sai
E para o alimento que entra...
Só a Alma está aberta...
Só ela se alimenta...
E o trapo perece...
Torna-se saco vazio...
Não tão vazio...
Pois a Alma lá dentro engorda...
*
**
*
E eu preciso retirar esse peso...
De cima dos ombros...
De dentro da cabeça...
Da pança que incha...
Murcha...
Cresce...
Desaparece...
Como meu Eu...
Que tento matar todo dia...
Assassinar em grande agonia...
*
**
*
Eu preciso aliviar...
Soltar meus dejetos...
Defecar minhas entranhas féditas...
Lavar a alma...
Esvaziar...
Para preencher até saciar...
*
**
*
Eu preciso escrever...
Não um livro...
Escrever idéias, pensamentos,
Raciocínios, devaneios...
Quero escrever...
Pois é quando surto...
É quando alucino...
E posso vomitar e engolir de volta!
Ruminando...
*
**
*
Mas...
*
**
*
Eu preciso viver!
Desprezo a morte.
Quem disse que quero morrer?
Que morte que nada!
Quero viver!
Muito...
E bem...
*
**
*
Não esperem que eu atente contra mim...
Não esperem que eu me exponha ao perigo...
Enlouquecerei um pouco a cada dia...
Até o fim do grande começo...
*
**
*
Há quem diga:
- Cuide-se, ou irás definhar!
Não morrerei!
Nem a Morte este gostinho tem!
*
**
*
Não serei objeto guardado em urna...
Não serei pó e nem cinzas...
Nunca fui metade,
Jamais serei restos.
Serei semente...
Plantada em lodo, lamaçal
Ou num monte de esterco...
Ali... Seja lá onde for...
Renascerei!
*
**
*
Deixem-me viver então...
Seja lá como for...
Pois não há afronta da Morte contra mim...
Eu já limpei meus pés
Na barra de seus vestidos negros!
*
**
*
Deixem-me viver...
Dormir enquanto caminho...
Ouvir com a pele...
Falar com os olhos...
Comer vento...
E também conhecimento...
*
**
*
Então defecarei minha ignorância...
Vomitarei minha arrogância...
Pois só então...
Desse modo...
Pra sempre viverei!
*
**
*
- O que é que esta louca grita?
Não queira entender...
Sou impossível de compreender...
E por favor...
Não me compreendam...
Já me acostumei assim!
*
**
*
Deixem-me viver..
E alucinar na vossa sanidade!
Deixem-me cuspir em vossa integridade!
Arregalem os olhos enquanto minha boca espuma...
Corram ou arrancarei a dentadas vossa hipocrisia!
*
**
*
Deixem-me... Louca...
Mas não esperem que eu morra....
Pois não nasci para morrer!
*
**
*
Descabelem-se indignados!
Não há lágrimas em minha face...
Não há derrotas que me enfraqueçam...
Não há frustração... Não há agonia...
*
**
*
Lamentem-se e contentem-se...
Pois na minha rebeldia...
Meu livre arbitrio é minha liberdade.
E mesmo que eu rasteje...
Me arraste para seguir...
Sorrio...
Gargalho...
Pois não vou morrer!
*
**
*
-=Shimada Coelho=-

Publicado no Recanto das Letras.
Texto com o código T1585600

Respeite os Direitos Autorais.
Dê ao autor os devidos créditos.



Creative Commons License
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Chuva e Lágrimas


Chove e está frio...
O silêncio é quebrado pelas gotas
Que caem...
Realidade em tumulto,
Onde entre as sombras negras,
Um vulto,
Caminha cabisbaixo...
Pequena centelha num mundo sombrio....
*
**
*
Entre as paredes mofadas,
Encontra então um refúgio...
E contempla pela janela a chuva
Que cai...
Na vidraça escorrem gotas frias...
Mas, no reflexo surgem gotas quentes...
Dos olhos também caem gotas...
Gotas quentes de emoção...
Embora no aconchego do ninho,há frio...
É fria a solidão...
*
**
*
É noite enfim...
Não há estrelas e a Lua sumiu,
Pois chove:
Caem gotas geladas como o frio...
O horizonte também se escondeu...
O olhar então não se fixa... Se perdeu...
E gotas rolam nos olhos... Quentes, feito um rio...
*
**
*
A chuva cai e lava as ruas...
Um pedido foi feito:
"- Lava com as gotas tuas,
Esta Alma que a ti se curva!"
*
**
*
Não há ouvido que ouça...
Não há a mão que aponte o caminho...
Perdido em meio a tempestade,
Barco órfão navegando sozinho...
*
**
*
Resta-lhe descansar...
Cedo ou tarde vem a aurora...
Também o Sol vem, aquece e revigora...
Dissipa as sombras e podes enxergar.
*
**
*
-=Shimada Coelho=-

Respeite os Direitos Autorais.
Dê ao autor os devidos créditos.



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Chuva e Lágrimas by Shimada Coelho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Entre Tempestades e Bonanças


Tudo neste mundo é uma ilusão...
Mas a dor tem poder dilacerante...
Quando sob a pele - oculta navalha cortante
Rasgando profundo o coração...
*
Se te afogas no mar das dificuldades
Nada encontra ao seu redor...
Nenhum sinal de um dia melhor...
Apenas avista adversidades...
*
De fato, nada há a sua volta...
São enganos que preenchem a visão...
Lágrimas aos olhos embaçando a percepção...
Na verdade a Alma que é revolta...
*
Um gomo dolorido na garganta entala,
Quando tenta engolir os prantos...
Esconde tuas dores pelos cantos:
Pois o choro tua voz cala!
*
O olhar se perde no horizonte...
Esperando que algo venha... Em vão...
Mas os olhos não se cansam... Aguardam...
Que o Sol traga a seca à fronte...
*
Num mundo onde o caos impera...
Cantam insistentes os passarinhos...
Aconchegam seus filhotes nos ninhos...
Livres do medo: cantando a Alma refrigera!
*
O choro invade... Afoga... Então, clama!
Estendendo a mão não há onde segurar...
Afoga e transborda a chorar...
Vê-se no charco de lodo... Na lama...
*
Continua com as mãos estendidas...
Acredite que o socorro virá!
Tempestades não são eternas: cessará!
Ninguém recebe com as mãos encolhidas!
*
Todas as coisas que seus olhos alcançam
Desaparecerão no tempo determinado...
Persevera, mesmo que estagnado:
As Almas jamais se cansam!
*
Enquanto choras, o mundo segue girando...
O rio segue seu percurso solitário...
Mas a vitória não é um desejo imaginário,
Para aqueles que continuam caminhando...
*
-=Shimada Coelho=-
São Paulo, 30 de Abril de 2009.
*
Sem sentido... Sem métrica... Só sentidos...

*
Publicado no Recanto das Letras
Texto código T1580142

*
Respeite os Direitos Autorais!
Dê os devidos créditos ao autor.