Leia na íntegra em: Via Fanzine - Original Como Você!
Destaque para outras Almas Nuas
domingo, 1 de novembro de 2020
O Ciclo da Violência
terça-feira, 19 de março de 2013
Artigo Via Fanzine: Intolerância Religiosa
Leia na íntegra aqui => VIA FANZINE
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Há vida após o estupro?
segunda-feira, 14 de março de 2011
VF comemora 1 milhão de acessos e novo recorde de visitação e visualização de páginas
olaboradores de VF em distintas partes do mundo comemoraram os novos números.
Comemorações marcam lançamento do vídeo "Mundo Fanzine", com imagens do Acervo VF.
- Clique aqui para assistir o clipe “Mundo Fanzine”
Da Redação*
14/03/2011
O co-editor do portal UFOVIA, Fábio Bettinassi , comemorou as novas marcas de VF tomando vinho em Araxá.
Ele acompanhou os resultados através do contador do portal, também aberto ao acesso público.
- Clique aqui para assistir o clipe “Mundo Fanzine”
LEIA NA INTEGRA, AQUI!
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Os lugares não são feitos de tijolos, mas de pessoas
A dança das cidades:
Os lugares não são feitos de tijolos, mas de pessoas
Tijolos, madeira e paredes não falam. Mas, quando entramos em um lugar que marcou
o nosso passado, é como se tudo isso ganhasse voz e fizesse ecoar toda nossa história ali.
Por Rita Shimada Coelho*
De São Paulo-SP
Para Via Fanzine
Após quase 60 anos, o Cine belas Artes, em São Paulo, deve fechar suas portas.
As grandes cidades brasileiras se superlotam. A migração é incessante, pois as grandes capitais são as terras das oportunidades, onde muitos moradores de outros estados e cidades vêm tentar a sorte. Há uma idéia sedutora que atrai todos aqueles que querem uma vida melhor. E nos subúrbios é que estas pessoas se acumulam. Juntam-se aos moradores antigos, criando uma superpopulação que se reflete na precariedade dos serviços públicos e na falta de moradia adequada. O mapa demográfico muda constantemente.
Uma vida nômade é percebida. São muitos desses migrantes que possuem maior dificuldade em conseguir a sonhada casa própria e por isso, dependem de residências alugadas. De seis meses a um ano estão em um endereço novo. Durante este período, alguns mudam filhos de escola, mudam o endereço no posto de saúde, mudam os hospitais que utilizam. Quem é morador antigo precisa disputar os mesmos serviços. Há dificuldades em colocar os filhos em escolas públicas próximas de suas residências, por falta de vagas. Há dificuldade em conseguir serviços médicos, pois são muitos pacientes disputando os mesmos especialistas e horários.
E essa onda nômade de constantes mudanças de endereços cria uma desordem social. Pouco se vê daquelas famílias que surgem em um mesmo endereço: ali crescem e criam novas gerações. Não se vê mais um endereço que seja lar permanente onde uma história genealógica nasce e passa de geração em geração. A maioria das famílias não possui mais uma raiz, um chão sagrado, onde sua história foi enraizada. Poucas são as crianças que possuem uma 'casa da avó' para ir. Poucas famílias duram tempo suficiente para que seus descendentes criem também suas famílias.
A família é composta pelas pessoas que a forma. O lar é a residência onde esta família vive. Ambos juntos criam um local histórico pessoal que, juntamente com os demais, faz uma sociedade com suas histórias. Quem faz as histórias são as pessoas, e a importância dos lugares se deve às pessoas e suas histórias. Sem isso, um lugar é apenas mais um lugar.
Não somente a migração e as oportunidades de emprego modificam os cenários sociais, as famílias e os costumes. A modernidade e o progresso também exigem mudanças. São erguidos novos prédios para comportar um maior número de produtos, serviços e pessoas. Novas empresas e expansão das que já existem. Nova aparência, fachada e decoração. Tudo vai mudando e também as paisagens. O progresso e o avanço exigem renovação.
Os prédios antigo e novo da tradicional loja Mappin no Viaduto do Chá com a Praça Ramos de Azevedo.
Bazar Inoue, no Capão Redondo
No centro do bairro de Capão Redondo, em São Paulo, há um exemplo típico em sua avenida principal. Em meio a fachadas modernas e defronte a uma banca de jornais, o prédio do Bazar Inoue se mantém de pé. Seu exterior ainda é o mesmo de décadas atrás. Os balcões e prateleiras de madeira nobre também são os mesmos e a única mudança feita foi em suas posições. Tudo foi levado para trás de uma imensa grade de ferro que separa o cliente do atendente. Das duas vitrines que enchiam os olhos em sua entrada restou apenas uma que está vazia há anos. Ali, quem passava pela avenida parava para admirar presentes importados do Japão. Muitos dos antigos moradores não se esquecem da sensação estranha de entrar ali. Era como uma viagem no tempo. Os móveis da loja lembravam um antigo bazar de Velho Oeste. Madeira por todos os lados, vitrine no centro que criavam um corredor e uma variedade de produtos que faziam o olhar se perder. Várias atendentes sempre ocupadas vendiam armarinhos em geral, material escolar, artigos de papelaria, presentes e tudo mais que fosse procurado ali, encontrava-se. No caixa ao fundo da loja, o casal de imigrantes japoneses estava sempre simpático e conversava intimamente com seus clientes.
Naquele tempo vendia-se fiado e todos tinham o nome numa caderneta. Atrás do caixa havia uma escada também de madeira que levava ao andar superior. Ali se encontravam presentes de todos os tipos para todos os gostos. Não eram colocados em prateleiras como habitualmente vemos. Colocavam tudo do mesmo modo que ainda é feito em muitas lojas no Japão: sobre mesas, sendo que muitas eram feitas de madeira forrada com tecido e posicionadas em cima de caixas. Aquele era um lugar agradável e muitos pais endividaram-se ali, encomendando presentes para os seus filhos.
Neste ambiente, o casal Inoue criou todos os seus filhos e netos. Atrás do bazar fica até hoje a residência onde a família nasceu. O bairro todo foi se modernizando e o antigo bazar foi mantendo-se sempre do mesmo modo e hoje parece um prédio fantasma do século retrasado. O senhor Inoue faleceu faz alguns anos, mas sua senhora, Dona Rosa, como é conhecida, até hoje é levada para a loja sempre no mesmo horário que é aberta. Já não tem a mesma energia com a qual recebia seus clientes com um largo sorriso. Seu olhar está vago... Observa vez ou outra quando um cliente chega. Talvez, esteja a relembrar as histórias daquele lugar, assim como muitos de seus clientes ainda fazem.
O Bazar Inoue é um dos três prédios comerciais que ainda mantém aparência original à sua inauguração. A lanchonete do Beto e ao lado, a quitanda - ambos também descendentes de japoneses – também continuam na mesma rotina. Alguém sempre diz: "Nossa! Deveria se atualizar!". Mas estas pessoas talvez não compreendam que, justamente estes imigrantes e suas vidas peculiares ajudaram a montar a história do bairro. São eles parte do grupo de primeiros moradores. Foram eles que iniciaram o centro comercial, que hoje possui um tráfico intenso e bem lucrativo.
Não importa por quantos anos um lugar sobreviveu, deveria ser visto com respeito. Nesses lugares há uma história maior feita de várias histórias particulares. Um lugar sobrevive aos anos, graças às pessoas que o frequentam. Frequentando estes locais, as pessoas também compõem as suas histórias.
Modern Sound: loja que era referência musical no Rio encerra atividades.
Modern Sound e Mappin
Quantas histórias nasceram na Modern Sound no Rio de Janeiro? Funcionando há 44 anos no mesmo endereço (Rua Barata Ribeiro), a loja que vendia em vinil os últimos lançamentos nacionais e internacionais, assim como belas raridades importadas, baixou suas portas, mesmo sendo referência da música de todo o mundo. Mas, a Modern Sound não era simplesmente uma loja de discos, era também uma casa de eventos. Em seu palco se apresentaram muitos talentos que se tornaram grandes sucessos. E muitas pessoas possuem histórias interessantes: ali foi comprado o primeiro LP de muita gente; a música que marcou a vida; o disco que faltava para coleção; ali encontrou um novo amigo; marcou encontro com vários; apresentou o seu primeiro show... Tanto para clientes quanto para artistas que ali se apresentavam, muitas foram as histórias, sob tantas trilhas sonoras.
Poder-se-ia apenas dizer: "É só mudar de endereço", mas, não é simplesmente assim. Quem nunca passou pela Praça Ramos, no centro de São Paulo, olhou aquele prédio imenso e disse: "Aqui era o Mappin e aqui comprei o enxoval do meu filho"? Por quantos lugares passamos e nos lembramos de antigas fachadas e prédios que nos trazem de volta momentos que construíram nossa história?
Não sabemos se o desejo de sempre morar num lugar melhor, de acreditar que é preciso mudar de casa, do desapego com o lugar onde se nasceu, cresceu e construiu a própria história ou a necessidade de progresso que faz muitos de nós pensarmos que muitos lugares turísticos e históricos de nossas cidades não deveriam ser tombados e preservados. Talvez, estejamos nos esquecendo de onde viemos...
É impossível hoje eu entrar no supermercado de meu bairro e não me lembrar que ali antes havia outro, onde morava minha melhor amiga. Brincávamos no depósito com pilhas e pilhas de produtos correndo pelos corredores estreitos. Ali, nasceu uma grande amizade. Ali Eliana nasceu, cresceu e morreu. Depois de sua morte, seus pais venderam o antigo supermercado conhecido de todos e um outro foi reestruturado e apresentou novo nome. Mas quando entro nele, parece que as dimensões se fundem e o tempo volta. Vejo aquele mesmo cenário da década de 70 com os caixas ainda à manivela e em vez de sacolinhas plásticas, sacos de papel.
Cada um considera um lugar importante por este lugar de certo modo fazer parte de sua história. A existência daquele lugar ajudou sua história pessoal ser mais rica. Um lugar possui tanta importância na história das pessoas, como numa história bonita que começou no Cine Belas Artes. Depois de 68 anos reproduzindo histórias e enriquecendo a história pessoal de muitas pessoas, o Cine Belas Artes manterá suas portas abertas até fevereiro. "Menina! Ir ao Belas Arte era um luxo!" - ri o poeta José Reis - "... disse a minha eterna namorada que precisaria fazer um esforço mental enorme para façanha de contar em detalhes nossa história a um casal de amigos quando soubemos do fechamento de Belas Artes" - conta.
Ele fala das antigas emoções do Belas Artes, “A primeira vez que fui ao Belas Artes, com Jacira, minha amada. Foi muito especial. Acho que assistimos ao filme "E o vento levou", ou foi: “Horizonte perdido”, ufa!, Choradeira em três horas de projeção, deliciosa emoção, que aventura! Então um beijo para acalentar a amada, misturado ao sal das lágrimas... Ah, Belas Artes que saudade!”.
Reis também relembra que aquele cinema não se limitava somente às apresentações de películas, pois integrava à cultura regional. Ele lamenta a ameaça de extinção da tradicional casa das artes visuais, “Depois, na saída, tomar um suco e comer um lanche, o que dizíamos ainda extasiados pela delícia do programa? Tudo sobre o filme, éramos todos os heróis! Que Belas Artes, a arte, o espaço, e os sonhos da gente. Isso não pode morrer! Não ao menos dentro da gente, onde a mão da ganância pelo dinheiro, não alcança a nossa humanidade”, relembra.
* Rita Shimada Coelho é escritora e cronista. É colaboradora de Via Fanzine.
- Fotos: O Globo/Anderson nascimento/Arquivo da autora.
- Produção: pepe Chaves
Ainda sobre lugares:
A montagem é do arquiteto Fábio Corradi. Nas imagens, o passado de Itaúna e o presente se fundem contando as mudanças que a cidade sofreu. Os prédios e cenários antigos vão desaparecendo e o novo vai surgindo.
A música é uma ópera escrita e encenada por Itaunenses nos anos 20.
Depois que o Via Fanzine impresso, em 2002 fez uma matéria especial sobre a ópera A CIGARRA DO SERTÃO, alguns artistas e produtores de teatro fizeram uma produção grandiosa desse trabalho, reunindo quase 100 pessoas na produção.
© Copyright 2004-2011, Pepe Arte Viva Ltda.
FONTE: VIA FANZINE
A moda da vergonha na cara
Fora de moda:
A moda da vergonha na cara
Essa moda cairia bem para alguns ativistas, voluntários e levantadores de bandeiras em protestos.
Por Rita Shimada Coelho*
De São Paulo-SP
Para Via Fanzine
São Paulo Fashion Week e um monte de gente preocupada em parecer bonita, descolada e na moda! Festival das futilidades quando as pessoas precisavam é resgatar seus valores mais nobres, pois o mundo agora é que irá mudar!
Ter vergonha na cara deveria ser moda! Principalmente nos largos corredores do Congresso ou das Câmaras! Fazer discurso repleto de vocábulos formais para dar a impressão de intelectualidade e rico de boas intenções deveria causar muita vergonha a quem ocupa sua cadeira no poder. Só ocupam as cadeiras, nada mais! E a vergonha que é boa nada!
A moda da vergonha na cara deveria atingir os criminosos! Grande coisa ter dinheiro no bolso, pagar a roda de cerveja da galera, usar roupa de marca, à custa do suor dos outros! Falam grosso e querem impor medo com um pedaço de ferro na mão. Mas nunca dá a cara pra bater por falta de vergonha! Claro! Homem que é homem não levanta o peso do cano, trabalha e dá duro todo dia! É fácil ser valente com arma na mão, mas valente mesmo é o trabalhador que pega ônibus, come na marmita, ganha uma miséria e ainda faz milagre! Esse sim merece respeito e é exemplo desta moda!
A moda da vergonha na cara cairia bem para alguns ativistas, voluntários e levantadores de bandeiras em protestos. São influenciados a lutar por causas que na verdade não acreditam! E se acreditam, guerreiam contra outros grupos numa disputa de ego! Aliás, o mundo está cheio de pessoas defendendo causas que favorecem elas mesmas, já que o mundo vai ficando pior! É! Porque bêbado, drogado, ladrão, maníacos por sexo, estelionatários possuem sempre uma história carregada de tristeza e sofrimento para justificar seus feitos mal feitos! E defendem com afinco suas posturas!
Torcida organizada deveria se organizar melhor usando uniforme personalizado de acordo com a moda da vergonha na cara! A maioria parece um bando de macacos contaminados pela raiva destruindo tudo o que tem pela frente!
Os jovens deveriam esquecer essa onda atual e aderir a moda da vergonha na cara! Esses, em sua maioria, não têm nenhuma! Educação escolar até tem... Mas da outra! Se preferirem, podem criar uma nova moda! A moda dos bem educados! Os jovens querem ser tão adultos e nem sabem sentar...
Me diz se as religiões não ficariam o 'must' na moda da vergonha na cara? Você não veria mais tantas pessoas iludidas, enganadas e nem limitadas em pensamentos primitivos, pois religião é sim o ato mais primitivo do ser humano!
Antiquada e fora dos padrões da moda estão aquelas pessoas que arrumam desculpas para coisas mal feitas, feito alguns tipos de advogados! A coisa está errada, mas querem a todo custo (depende o valor para cada caso) provar que o errado está certo! Que o culpado é inocente! Que o malvado tem motivos!
A roupa branca não fica bem em qualquer um. Muitos profissionais da área da saúde deveriam ter permissão para trabalhar trajado com a moda da vergonha na cara! Confundir silicone com soro é analfabetismo puro! Cortar a ponta de um dedinho de bebê em vez de cortar o curativo é um sério problema de visão! Dar um diagnóstico errado ou enrolar o paciente e nem procurar um, mas apenas uma desculpa acompanhada de receituário é muita falta de vergonha na cara!
Pessoas que olham para animais e árvores como se fossem seres superiores de fato estão fora de moda! Acreditar que o simples fato de andar sobre as duas pernas o faz humano é uma tremenda falta de vergonha na cara! Maltratar qualquer ser vivo então? Prova onde de fato existe um animal inferior!
Metidos à playboy que precisam muito de um carro para provar sua masculinidade e nunca leram um livro, ou mal conseguem escrever uma redação, poderiam reconhecer o tempo todo cada placa de trânsito? E se são alcoólatras enrustidos, estarão eles na moda?
Calma... Não vou me estender nesta lista! Estou indo, tentar entrar na moda da vergonha na cara, pois eu também preciso de muita! Me falta muita vergonha na cara por sempre crer que dizer estas coisas para as pessoas resolve alguma coisa! Pensando bem, creio que precisarei de uma porção maior que os demais! Pois ainda insisto em ser politicamente correta, ecologicamente correta, tentando ser boa cidadã, honesta e trabalhadora, me expondo aos saqueadores de tudo que posso produzir!
* Rita Shimada Coelho é escritora e cronista. É colaboradora de Via Fanzine.
FONTE: VIA FANZINE
A obra A Moda da Vergonha na Cara de Shimada Coelho foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em shimadacoelho.blogspot.com.
Podem estar disponíveis permissões adicionais ao âmbito desta licença em http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/a-moda-da-vergonha-na-cara?xg_source=activity.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Quando o artesanato se une à reciclagem
Tornar o meio ambiente mais racional e limpo pode
ser mais que uma obrigação: um gesto de arte.
Por Rita Shimada Coelho*
De São Paulo-SP
Para Via Fanzine
Um "puxa-sacos" feito de garrafa pet.
Fazer artesanato além de uma boa terapia é uma ótima atividade ocupacional e de lazer. Há pessoas que desenvolvem tão bem a criatividade que passam a ganhar dinheiro com isso. No meu caso não é diferente.
Meu artesanato tem como matéria prima tudo o que foi descartado para, através de minhas mãos, ser customizado e transformado em objetos de utilidade no lar. Este é um ótimo método de reciclagem.
Em São Paulo, quando chove, o que mais vemos em ruas, rios e córregos são as garrafas pet, cujas empresas deveriam ser responsáveis direta pela coleta. Uma garrafa pet demora aproximadamente 400 anos para se decompor e nesse intervalo de tempo os riscos que causa ao meio ambiente são graves.
Que tal reaproveitar a garrafa pet do refrigerante que você ingeriu? Se não for hábito juntar o lixo para reciclagem, você pode transformar em arte. Muito melhor que ver a garrafa descartada por você flutuando nos rios. Não precisa ser nenhum gênio ou grande artista plástico para começar.
Leia mais clicando aqui!
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Do subúrbio para uma competição na França
Educação
São Paulo:
Dez alunos de uma escola pública do subúrbio de São Paulo representaram o Brasil em competição de vôlei na França.
Por Rita Shimada Coelho*
De São Paulo-SP
Para Via Fanzine
Alunos da escola Euclides de Cunha e a professora Dita, que os acompanhou na França.
De um lado, uma mãe em prantos e o coração dividido. Do outro, um filho emocionado, que puxa a camiseta desbotada tentando, em vão, secar as lágrimas que parecem saltar dos olhos. A mãe está insegura quanto a permitir a partida do filho que deseja voar.
Não, este não é mais um caso de uma mãe desesperada em uma delegacia, nem de um adolescente que ingressa precocemente no crime. Embora este fato esteja ocorrendo num bairro já considerado um dos mais perigosos do mundo, é um acontecimento único de superação, perseverança e muita esperança.
No domingo, 04/07/2010, as 12h30, dez alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Euclides da Cunha, localizada no bairro de Capão Redondo (zona sul de São Paulo), voaram rumo à França para tentar mais uma vitória no campeonato de vôlei entre escolas em Paris.
Depois de vencerem o campeonato regional que os tornaram campeões da zona sul, competiram no estádio do Pacaembu com outros vencedores, inclusive, de escolas particulares, e conseguiram uma vitória inédita para uma escola pública arrebatando também o título de campeões da cidade.
Sem ainda acreditar que em menos de um mês conseguiram ir tão longe, os adolescentes entre 12 e 14 anos vibraram com a notícia de que vestirão o uniforme oficial da seleção brasileira.
Despreocupados com a possibilidade de derrota, ouviram atentos a diretora da escola, dona Miriam, que os lembraram da importância de representar nosso país no exterior, da responsabilidade em ser exemplos para os demais alunos que agora se interessam pelo esporte e da certeza que esta oportunidade já é, por si, um prêmio que fará muita diferença em suas vidas.
Diante da vidraça da diretoria onde estão expostos os dois gigantescos troféus conquistados, os pequenos heróis da escola não esconderam a ansiedade e a alegria, nem seus pais esconderam tanto orgulho.
Eles obtiveram um excelente resultado na competição: um quinto lugar entre todos os times escolares do mundo. Foi uma proeza levando-se em conta a primeira vez deles e o fato de que mesmo considerados altos aqui pra nós, lá eram tratados como 'baixinhos'.
O primeiro lugar ficou com a Bélgica, o segundo para Portugal, o terceiro para a França A e o quarto para a França B (eles tinham dois times participando) e o quinto ficou com o Brasil que representou todos os escolares brasileiros.
A competição durou uma semana e os alunos retornaram repletos de felicidade.
Eles estiveram acompanhados pela professora de Física, Expedita, chamada carinhosamente pelos alunos de Dita. Também acompanharam os alunos, um representante da FEDESP e da Secretaria de Educação de São Paulo.
Eles sabem do quão privilegiados são. Sabem que naquele bairro onde nasceram e crescem, muitos outros adolescentes, tão capazes quanto eles, enveredam pelos caminhos do crime, sem rumo e sem perspectiva de vida por falta de oportunidade e orientação. Abraçaram-se e comemoraram como que agarrando a chance que fará do futuro deles, bem diferente e bem melhor.
* Rita Shimada Coelho é articulista e correspondente de Via Fanzine em São Paulo.
Seu blog é http://projetoadao.blogspot.com/
- Foto: divulgação.
