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sábado, 17 de julho de 2010

Justificando a Ausência

O tempo voa, e não me dei conta que desde o ano passado não passo por nenhum de meus blogs. Contratempo virtual é fica sem internet. Defender causas e ideias exigem que paguemos um preço bem alto, é preciso mais que peito para bancar a opinião.

Hoje, volto aqui depois de tanto tempo para dar satisfações, se é que há alguém que as queira... Sem internet não me esforcei para ter outra. O apagão detonou meu computador e nem cogitou a possibilidade de me compensar. A empresa de telefônia aproveitou-se ao máximo que podia da boa vontade dos brasileiros, e sabendo só nos cobrar teve que pagar também o que devia. Quando arrumei o computador, ainda não queria internet. Passei tempo demais olhando por esta janela eletrônica e havia me esquecido como a vista de minha janela é tão agradável.

Decidi voltar a escrever o monte de livros que comecei e nunca chego a um fim. Voltei a escrever com caneta e meus dedos doeram por estar tão desacostumados. Voltei ao velho hábito de transformar agendas velhas em diários e livros. Rasbisquei poesias boas para rasgar e jogar fora, mas iriam fazer outras páginas do caderno cair. Me curei da insônia e senti novamente o que é o prazer de uma boa noite de sono. Assisti mais tv, ao invéz de ler noticiários, agora eu os ouvia e via. Me inspirei várias vezes e continuei a me limitar aos diários. Voltei a pintar, desenhar, fazer artesanato e caminhar. A cada caminhada descobri que meus problemas de saúde estava relacionados ao meu ostracismo. Passei a ser saudável e exames médicos comprovaram isso. A vida pareceu-me ainda mais incrível e amei saber que viveria bem mais.

Caminhei pelo meu bairro, me envolvi com as pessoas daqui, relembrei como aqui é lindo, como as pessoas são guerreiras. Dividi minha casa no meio e aluguei. Meus inquilinos são espelhos de mim mesma e às vezes tenho muito que reclamar deles. No meu quintal há menos gatos e mais cães. Há tantas crianças quanto adultos agora. Não existe mais o silêncio de jardim que havia antes, as crianças berra, se misturam aos cães e aos gatos e fazem uma canção bonita.

Voltei a abraçar pessoas ao invéz de despresá-las. Voltei a cumprimentar os vizinhos, a parar no meio da rua para falar com os cães abandonados nas ruas. Conheci a vizinha da frente que sempre viveu lá. Assisti aos filmes e seriados da madrugada comendo pipoca. Voltei a ir ao mercado fazer compras. Notei como me visto mau e levo mais tempo para me arrumar ao sair. Emagreci e voltei a usar várias roupas que antes não me serviam. Passei a comer 6 vezes ao dia, mas há dias que como uma vez só. Parei faz anos com essa coisa de regimes. Parei com os remédios para dormir. Lí mais. Conversei mais. Fiquei mais tempo sem fazer nada. Mudei os móveis várias vezes do lugar. Mudei também meus vasos de plantas várias vezes. Uma delas não resistiu, mas nasceu outra que eu nem esperava que brotasse.

Deixei a garoa me molhar, senti a força do vento, fiquei vermelha ao sol, bebi mais do que devia, ri mais do que aguentava, falei bem menos do que precisava e ouvi tudo e todos.

Descobri então que eu havia encontrado forças não sei bem onde, nadei contra a maré, voltei as cavernas e por lá fiquei. Desejei aquela luz que cega e distorce tudo. Percebi tudo ganhando formas e cores aos poucos num processo lento. Passei a compreender o tempo, embora ainda não use relógio. Estudei, lí, coloquei em prática meus discursos. Sai do ostracismo e aprendi que gosto mesmo de ficar só. Mudei... Muito...

Hoje, olhar pelas janelas da casa e passar pelas portas é prazeiroso. Me redescobri e passei a entender melhor o próximo: ele é espelho meu. Não sei se já retorno ao mundo virtual.. Não sei...
Porque nessas tantas idas e vindas, e de tanto que voltei, a única coisa que sei é que voltei a viver.

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