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sábado, 4 de setembro de 2010

Diário da Exilada - Recipientes Ocos- IIV


Diário,
Sem data, pois é eterna como eu...

Ouço Flowers of the Sea... As memórias fluem como uma nitidez incrível! Um dia, vivi no mar... É muito mais simples lembrar do mar do que do ontem...

Olho para os vidros da janela cheia de marcas de dedos e patas de gato... As vidraças precisam ser limpas, mas do modo como estão me lembro de outras janelas... Janelas de navios e barcos perdendo-se nos abismos escuros dos oceanos... Um vidro separava meu toque da palma que tentava quebrá-lo. Eu nada podia fazer a não ser ficar ali naqueles últimos momentos que era cada vez menor a cada gole de água salgada...

Complicado viver assim... Mas era mais difícil quando eu acreditava ser a única: existem outros como eu. Nossa essência se difere das demais... Os demais percebem isso mas não compreendem... Chamam-nos de iluminados, luz que brilha, farol...Mas jamais podem ver o que de fato somos! Os nomes... São os que dificultam a comunicação das espécies... Tantos nomes e tão pouca compreensão...Limitam-se aos nomes, e esses não podem conter o real significado sobre tudo.

Muitos de nós estamos em lugares onde ninguém quer estar. Disfarces... Que escondem -se por trás de imagens que agridem o olhar dos cegos... Passam por um mendigo como se ele fosse um cabide de trapos... Mal podem perceber ali uma arca onde está guardada a verdadeira realidade. A maioria não pode encarar isso...

A maioria foge e escondem-se também... Atrás de um emprego bem sucedido, atrás de uma família aparentemente de bem, atrás de um carro do ano, atrás de pedaços de panos com etiquetas famosas, atrás do prestígio, da popularidade, de uma vida social... Para disfarçar o quanto são ocos... O quanto eles precisam desesperadamente de algo que preencha a vida que não querem encarar! A maioria rejeita-se a si mesmo! O que os olhos vêem parecem mais agradáveis... É mais aceitável ser como os outros... Não percebem o alto preço pago... Anulam-se e apagam-se!

Pensamento interessante... Vou até a geladeira e pego uma caixa de ovos... Todos os ovos são brancos... Todos são grandes... Todas as gemas também são iguais? Eu pego um deles e arremesso contra a parede... A realidade de muitos é uma enorme caixa de ovos, repleta de ovos iguais... Se houver um estragado, como saber se há uma casca que os envolve? Somente quando a casca se quebra é possível ver o que está dentro! Péssima sorte a dos ovos... Não possuem nenhum orifício nem recurso para mostrarem seu interior a não ser que sejam quebrados...

Entre uma tragada e um gole de café, um misto de amor e ódio pelos humanos. Nada vai mudar esses sentimentos... Sentimentos que criaram a queda... Humanos são castigo e missão... E através deles virá o perdão... Alto preço que se paga... Pela maioria, os Apocalípticos já teriam manifestado a sentença... A maioria é mesquinha e fútil... Hipócrita e insossa... Superficial e morta!

Alto preço a se pagar... Pela minoria... Almas encantadoras que são um espelho do Eterno! A minoria... Que despertou a cobiça pelo lugar de prestígio no maior dos corações... Eles possuem o direito a escolhas... Nós não!

(continua...)


-=trecho de livro inacabado=-

São Paulo, 20 de Novembro de 2008.


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