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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ultrapassando os Limites



Quando o povo de Israel conseguiu enfim sair do Egito, não se deu por satisfeito ao começar sua peregrinação pelo deserto em busca da Terra Prometida. Mesmo recebendo de modo sobrenatural as provisões divinas, muitos reclamavam e ameaçavam fazer o caminho inverso considerando que a vida no Egito - mesmo como escravos - era muito melhor.


Há criminosos que ao conseguir sair da prisão - fugidos ou por meios legais - em dado momento procuram um meio de retornar a prisão depois de constatar que a vida ali é bem melhor do que supostamente livre: ao menos na prisão se tem teto, água e comida e não é preciso trabalhar por isso.


Na Caverna de Platão, apenas um dos homens que viviam ali no interior decidiu correr o risco de sair e descobrir o que havia lá do lado de fora enquanto os outros consideraram menos arriscado continuar olhando seus vultos - criados pela luz da fogueira - que dançavam nas paredes.


Absolutamente tudo neste mundo possuí um sistema que rege tudo - seja grandes ou pequenos grupos. A Grande Cadeia possuí pequenas cadeias que mantém tudo interligado de algum modo. Esta Cadeia mantém sistemas naturais ou humanos.


Parece ser da natureza humana olhar para traz e considerar o que passou melhor do que existe no 'Agora'. Talvez porque o 'Amanhã' seja incerto demais para se apegar a ele: nem todas as nossas expectativas projetadas para o Futuro tornam-se reais.


Com tudo isto, percebo duas coisas que tornam o ser humano infeliz: viver no passado e conformar-se em estar aprisionado. Ambos estacionam ou fazem os passos regredirem.




Viver no Passado


A tendência de sempre olhar para traz parece natural no ser humano. O Passado é a única coisa certa neste mundo: já foi escrito, é e nada pode mudar.


Então sempre nos deparamos com nosso foco no Passado. Seja usando nossos mais profundos sofrimentos para nos posicionar como vítimas injustiçadas, seja para desagradar-se com o Presente comparando e julgando que 'antes era melhor'.


Se você estiver caminhando em uma estrada e em dado momento do trajeto decidir olhar para traz, obrigatoriamente terá que parar e voltar todo seu corpo e seus sentidos para o trajeto de onde veio. Olhar para o Passado é estacionar no caminho!


O único sentido real em olhar para o Passado é motivar-se com as próprias experiências para crer que - se foi capaz de ultrapassar determinados obstáculos - é capaz de continuar fazendo-o. Ou perceber também que, se algo já vivido se repete constantemente, é porque alguma atitude ou escolha também está sendo repetitiva: o sistema age em cadência, seja que sistema for.


Talvez esta nossa tendência de considerar o que já foi melhor seja nossa capacidade de reviver eventos agradáveis já vividos e que não podem em um piscar de olhos ou em um passe de mágica se repetir. Talvez, o Futuro seja incerto demais, um trajeto escuro do caminho onde não podemos ver com antecedência o que iremos encontrar. Talvez, conquistar o que é agradável exija esforço demais. Talvez, o desejo intenso de chegar até uma Terra Prometida ou um porto seguro nos faz focar apenas no que foi bom e isto é certo: não há dúvida no julgamento, o que foi bom foi de fato bom. O que desejamos que seja bom talvez não venha a ser... Há escolhas que a primeira vista nos parecem boas, mas a longo prazo vai revelando a verdadeira face. Talvez, não tenhamos mais expectativas para o Futuro ou esperamos demais por algo novo.  Ou talvez mesmo estejamos prisioneiros de um sistema imposto ou criado por nós mesmos ao qual não conseguimos nos libertar.


O Passado parece tão mais agradável... Mas esquecemos que chegamos até aqui no Hoje! E não há acaso nisto! E muitas vezes, há lamentos de que gostaríamos de estar em um lugar diferente de onde estamos sem nos perceber que chegamos até ali 'as cegas' por andarmos de costas pelo caminho. Você jamais estará olhando onde pisa e para onde vai olhando para traz. 


Talvez, sejamos todos crianças mimadas cansadas de ter que construir tudo que pode ser bom, por nos esquecermos que o que é construído tem valor maior porque possuí muito de nós! Ninguém dá o devido valor para aquilo que é dado gratuitamente... Pode haver um valor sentimental, e é exatamente isto que torna algo valoroso: nosso sentimento dispensado aquilo que passamos a possuir.


O Passado já se foi - o próprio nome diz - e é preciso deixá-lo ir... Se há uma insistência para que ele permaneça é porque o Agora está repleto de um enorme vazio.




O Sistema


Vez ou outra vemos pessoas lutando contra 'O Sistema' e fica um tanto vago o que seria isso, pois são tantos os sistemas... Na maioria das vezes, o sistema é aquele que limita, oprime ou vai contra os ideais de determinado grupo. A bandeira que levantam reflete isto. Todo mundo defende a ideia que acredita, não importa se é a mesma da maioria.


Mas há sistemas atuando sutis e quase invisíveis e não importa a força do seu inconformismo, você sempre estará dentro de um sistema por mais que lute contra um.


Para tudo o que você vive neste mundo haverá a atuação de um sistema. Por mais individualismo que exista, de um modo ou de outro todos estarão conectados a um sistema. Mas, quanto mais individualista, mais fácil será aprisionado dentro dele. E ao mais nocivo de todos.


O Sistema Natural é aquele que atua no curso natural de tudo e age através do extinto, da vontade, do impulso, da ação... Um desencadeia o outro naturalmente: ação/reação, plantar/colher. Este Sistema também age em seu tempo determinado para tudo, pois uma ocorrência depende de outra.


O Sistema Humano funciona do mesmo modo mas através de influência, padronização e condicionamento. E este - ao contrário do Natural - é nocivo e por isso vemos tantas pessoas infelizes: porque limita aquilo que o ser humano é dotado e do que não pode fugir: do Sistema Natural. O ser humano nasceu para ser livre e desenvolver suas capacidades sensoriais e intelectuais. Não é apenas razão, é também emoção! A razão é necessária para o bom funcionamento do Sistema Humano pois precisamos dele para manter a ordem entre os grupos distintos existentes, assim como vemos na Natureza. Mas a emoção é o que nos faz sentir e nos diferencia dos outros seres vivos: sem isto nos tornamos robôs.


O Sistema Humano quando predomina na vida de todos os humanos poda, limita, compacta, padroniza, iguala, mata a emoção. Se não é fato, porque há tantos trabalhadores infelizes? Quantas pessoas trabalham naquilo que não gostam? Quantas pessoas estão em um relacionamento que são obrigadas a manter?


No Sistema Humano, olhar para traz é uma constante... Porque sem se perceber, o indivíduo está andando em círculos, feito um ratinho correndo em uma roda que não leva a lugar algum. Parece estar caminhando, mas está estacionado. Este Sistema diz que você será mais aceito se for igual ao outro, se freqüentar o mesmo lugar, se usar o mesmo tipo de roupa, se conseguir determinados bens, se aparentar ter determinada personalidade. Mas quem se satisfaz em ser reconhecido como mais um número ou mais um rosto como tantos outros na multidão? Ninguém jamais conseguirá ser completamente feliz se negar a si mesmo!


O ser humano foi feito para um jardim, um paraíso... Ali, a satisfação vem de coisas simples como colher um fruto no momento de comê-lo, enxergar o milagre do desabrochar das flores, na eficiência das abelhas colhendo seu alimento e ao mesmo tempo polinizando as flores, em ver o Sol nascer e se pôr, em ouvir o canto dos pássaros, em sentir a chuva cair e deixar o perfume de terra molhada, em transbordar nas coisas simples da Vida e exteriorizar suas emoções! O Sistema Humano vai matando tudo isso...


Devemos fazer o que? Anulá-lo de nosso cotidiano? Não! Sem ele haveria o caos e o ser humano já tão aprisionado seria capaz de resgatar em dias estes valores profundos perdidos há tantos séculos?


Vivemos em comunidade: a Comunidade Humana! E dentro dela para vivermos em paz precisamos viver da melhor maneira tudo o que afeta o coletivo. Mas para vivermos em paz conosco mesmo, precisamos, refletir, escolher e agir como indivíduos. 


Trabalhar em uma função que não queria, se formar em um curso que foi a melhor opção, manter-se em relações desgastantes, tudo isso pode ser mudado através de uma escolha. Há dificuldades sim, pois é como sair da Caverna de Platão: onde se está é mais cômodo do que sair e correr riscos.


Não correr riscos também é uma opção: não se está feliz onde se encontra, mude o modo de olhar o lugar, as pessoas ou a situação, mas tudo pode mudar, basta uma única escolha.


Dentro dos Sistemas Humanos há alguns nocivos... Sutis... Estes alimentam as desgraças humanas, a miséria em todos os sentidos, e todo sofrimento e infelicidade. São como uma máquina que para continuar produzindo determinadas coisas precisam continuar alimentando outras. São máquinas que enriquecem e lucram com isso tudo bem mais que as outras.


Ela mantém as pessoas doentes, mantém a violência, mantém o crime, mantém os vícios, mantém os semi-analfabetos e os não profissionalizados, mantém a pobreza, as guerras, as injustiças, e ao mesmo tempo em que lucram com tudo isso mantendo a mina de extração gananciosa, mantém os indivíduos destes grupos sob domínios destas máquinas que também servem como distração.


Tudo isto é uma distração para que você não mantenha o foco no que deveria e extinguiria tudo isto, caso contrário, já não existiriam mais: acredita mesmo que tudo isso ainda persiste apenas por falta de vontade?




Não perca o Foco Nunca


Você é integrante de um Sistema Coletivo querendo ou não e não importa o quão individualista seja. Nele, o trabalho de outras pessoas depende do seu, suas necessidades suprem outras necessidades de outras pessoas e por ai vai. Você precisa não só como membro deste Sistema, mas também como ser humano, manter suas relações sociais, profissionais, intelectuais, educacionais, culturais e religiosas para manter os grupos distintos. Ninguém é igual a ninguém e por mais que o Sistema Humano tente padronizar e igualar todos, os grupos mantém a identidade particular e única dos indivíduos.


Você também é um individuo que precisa suprir suas necessidades pessoais. Deve saber o que quer e como quer, não se esquecendo de que é membro de um coletivo: tudo o que escolher afetará de algum modo - positivo ou negativo - a vida de outra pessoa. Não deve se anular, nem tão pouco se tornar egoísta. Não pode ser submisso, tem que compreender a submissão. Não pode escravizar-se, deve compreender a diferença de servir e servidão.


Mesmo dentro de Sistemas ou olhando fixamente o Passado, não nos percebemos do que talvez seja um dos motivos fortes de sermos infelizes com mais freqüência do que somos felizes...


Talvez olhemos tanto para o Passado e continuamos aprisionados em Sistemas nocivos por nos esquecermos que - querendo ou não - estamos neste mundo de passagem. Nosso corpo pertence a este mundo - por isso é constituído dos mesmos elementos deste mundo - e desejará ficar aqui sempre. Mas há uma parte em nós que não é daqui, possuí apenas o que é bom e deseja voltar para seu lugar original. O que pertence a este mundo se transforma e permanece aqui, mas o que realmente somos quer partir.


Esta parte que deseja partir quando alimentada, nos faz perder o sentido de tudo neste mundo e almeja coisas que nossa mente nem está preparada para conceber ou compreender. Mas esta parte é o que realmente somos! Se ela não for alimentada, nunca nos sentiremos repletos e felizes.


Se nos mantivermos olhando para traz e aprisionados, não mudará o fato que no tempo certo deixaremos de estar aqui, mas não estaremos preparados para voltar pra casa.


Alimente sua alma desapegando-se do Passado e abrindo espaço para que o que é novo venha para sua Vida! Alimente a alma ouvindo seu coração! Alimente sua alma assumindo quem você é não temendo sua real identidade! Alimente sua alma ousando e indo além! Alimente sua alma desviando seu olhar dos disfarces e acreditando que em tudo há um sentido real!


Licença Creative Commons
O trabalho Ultrapassando Limites de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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