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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Como nasce um Bairro


Um dia desapareceram com os índios daqui...
E eles não eram aqueles vistos ás margens do límpido córrego a pescar...
Na verdade, estes eram aqueles que cobiçaram a beleza do lugar.

Foi quando a ambição passou por aqui,
Ergueram suas barracas, se encheram de apreciação pela noite,
Pela Lua, pelas campinas e morros cobertos de verde...

Decidiram por aqui ficar e chamaram o lugar de 'seu'.
Onde seus olhos alcançavam diziam: '- É meu!'.
E sendo deles, decidiram o que podia ou não ser ou estar...

Os morros foram ficando nús e muitas árvores foram desaparecendo como os índios.
As nascentes agora eram propriedade particular.
Até os peixes tinham dono.

Outras pessoas com menos poder também quiseram o lugar.
Fugiam da fome, fugiam da seca, fugiam da guerra...
Com menos poder erguerram barracos...

Pouco a pouco, o horizonte antes delineado com a copa das árvores mudou.
O horizonte agora perdeu suas linhas por causa do contorno dos telhados.
E surgia nova gente chamando seu pequeno espaço de 'seu'.

Então um dia, a ganância também passou por aqui.
Dividiu a terra dos donos, que roubaram as terras que não tinham dono algum.
Decidiram que não deveria haver árvores nem mato, só chão.

E apareceram umas gentes que pagaram pelos pedaços de chão que chamavam de 'seu'.
Ergueram casas e cavaram poços, criaram hortas e animais.
E tudo que chamavam de 'seu' conheceu o que é destruição.

Então, o progresso passou por aqui.
Considerou que o círculo de mettos e metros de diâmetro
E que delimitava as gigantescas Araucárias não deveriam estar ali...

As grandes árvores estavam onde era chamado de 'seu'.
Foram exterminadas todas...
E em sua memória aquele lugar das árvores deu o nome deste lugar.

E as gentes continuavam a vir...
E os donos, que compraram dos donos que pegaram o que não tinha dono enriqueceram...
E todo mundo se dava bem...

Quem não se deu bem foram os peixes, as nascentes e os córregos onde a cobiça certo dia veio pescar.
As águas límpidas agora são os pruridos do já morto córrego...
Sem peixes há muito, hoje jaz um fio largo de esgoto.

Um paraíso resumiu-se a esgoto...
Ainda hoje, no tempo das chuvas, o esgoto vira córrego...
Com mais chuva vira rio que grita: '- Não, este lugar é meu!'




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Como nasce um Bairro de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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