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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A Real Grandeza Habita no que é Singelo



Sempre disseram que tenho sérios problemas com hierarquias... Eu defendo minhas escolhas e meu ponto de vista e nunca me importo qual seja o suposto nível do outro.  Claro que não me esqueço da minha educação mas, uma coleção de diplomas numa parede ou no fundo de uma gaveta nunca vai determinar pra mim o caráter da outra pessoa. Não vai determinar que eu nunca esteja certa em algo e que não sou apta de tirar minhas próprias conclusões. Principalmente depois de vermos por tantas vezes que o mau caratismo independe de idade, de classe social, de profissão, de grau de intelectualidade, de raça, de credo e cultura e de formação superior. Quando respeito alguém, não é pela formação da pessoa mas, pelo caráter que revela através - não de suas palavras - mas, de suas atitudes.

Quando alguém se apresenta diante de mim fazendo auto propaganda de seus 'grandes' feitos que são apenas resultado de seus esforços para alcançar umas ambições pessoais, meus olhos caem numa reação de cansaço em ver mais um... Aos meus olhos, é só isso que este tipo de pessoa representa: só mais um. Assim como aos olhos dos mesmos, eu, cidadã comum, sem sal e sem açúcar, sem formação acadêmica ou profissional sou vista.

Considero desinteressante gente que se apresenta declarando um monte de letras e títulos antes do nome. Gente que nunca é ela mesma: ela é a profissão dela,  é a síndrome ou o transtorno dela,  é a crença dela, é o partido político que segue, é o estilo musical da banda favorita, é o que está na moda, é um rótulo andante. É uma eterna Miss Universo desfilando com sua faixa nas passarelas imaginárias de suas vidas...

Essa gente fala como se fosse inglês - com um ovo na garganta - com aquele ar de superioridade, com aquele olhar de cima, com aquela falsa segurança baseada nos papeis emolduradas e pendurados em suas paredes. Essa gente é tão desinteressante que me dá tédio, me cansa, não me surpreende, não abre meus sentidos, me mantém em um estado vegetativo de puro marasmo.  Essa gente, se auto proclama bem sucedida e por isso, melhor que eu ou você, reles mortal miserável que tem que suar sangue a cada um real conquistado! Essa gente diante de mim é só isso: gente!

Mas, nem tudo está perdido neste cenário do mundo tão variado e cheio de variantes... A Vida que pulsa dentro de mim fica eufórica diante de um ser humano. Principalmente aqueles despidos que revelam suas almas tão radiantes, luminosas, brilhantes!

Seres humanos costumam ter um rosto que lembra um sol! Não possuem limites para rir, para achar graça ou para se divertir. Quando se apresentam dizem seus nomes, dizem quem são e não o que fazem! Não te olham de cima e nem debaixo: estão sempre no mesmo nível que você, não importa quem você seja ou como você vive. Possuem uma educação - boas maneiras - que sua elegância não está nas roupas que vestem: está no seu modo de falar, de se mover, de se portar. Elas só matam de tédio alguém que seja vazio ou invejoso. Porque nunca são a mesma pessoa todo dia, tamanha sua capacidade de sempre surpreender. Sempre que chegam é como se fosse a primeira vez. Quando partem, sempre ouvirão um 'fica mais um pouco'. Do mesmo modo que encantam, se encantam com tudo: com uma pequena flor, com o besouro, com o passarinho que passa, com o frescor ou a força do vento, com coisas que a maioria nem dá atenção. É como se o mundo estivesse dentro delas e não elas dentro do mundo.Elas não te cansam! Não te levam pra baixo: te levam pra cima, cada vez mais alto e elas de um modo estranho, se mantém ainda no mesmo nível que você. É... Porque elas não precisam de tantas máscaras sociais para se sentir no cume da montanha: elas sempre estão lá, sabem descer e subir quantas vezes for necessário. Quando argumentam, não declaram uma infinita lista de títulos, atribuições e feitos: se baseiam nas coisas que já foram vividas, experimentadas e nunca foram um problema, apenas lições que aprenderam muito bem. Justamente essas pessoas - tão humanas - nunca estarão sem argumento. E nem precisam apelar para nada que a realidade  declara supostamente como superioridade ou destaque ou ainda 'melhor'.

Então, não é que eu tenha problemas com hierarquias... Apenas estou consciente que minha raça não é asiática, é humana. Apenas estou consciente de que como seres humanos, todos possuem as mesmas capacidades e cada um pode ser grande naquilo que escolhe desenvolver. Consciente de que todas as conquistas refletem apenas uma dedicação e perseverança quanto aquilo que se desejava alcançar e não é algo que se veste e torna alguém melhor ou mais apto a alguma coisa.

Um dia, tive o prazer de conhecer um grande médico, diretor de um grande hospital aqui da cidade. Sua humildade e empatia diante do sofrimento humano anularam suas atribuições profissionais e vi apenas um ser humano de fato. Igual a ele, conheci uma senhorinha miúda, analfabeta, que conhecia tudo sobre ervas e tinha muito mais sabedoria que qualquer mestrado em Filosofia um dia poderá alcançar. Do mesmo modo, um advogado conhecido na região se revelou um verdadeiro canastrão, diante de uma mulher simples e sem formação alguma que apenas queria o que era seu por direito.

Quando minha cachorra anda pelo corredor - tão grande, com sua força aparecendo nos músculos e seu olhar de meter medo - e encontra o pequeno gatinho peralta, ela o cheira, abana o rabo, e parece frustrada em não conseguir brincar por causa de seu tamanho. Ela se joga ao chão, de barriga para cima, e imita o gato tomando sol. Se lambe do mesmo modo que ele como que dizendo: somos iguais com nossas diferenças e te respeito. Em momento algum ela usa sua predominância entre todos os animais da casa, nem usa sua força para maltratar, expulsar ou machucar nenhum deles. Ainda se sente na obrigação de proteger seja lá quem viva na casa.

E nós - uns humanos e outros apenas gente - perdidos ainda na incapacidade de assumir a própria identidade, vamos nos achando grande coisa por causa de um carro, um diploma, uma posição na sociedade, uma religião ou um monte de notas de dinheiro, precisando ainda de tudo isso para se auto afirmar alguma coisa quando, na verdade, vai anulando o que realmente é.

O que lhe parece grande, pode encher´te os olhos mas, nem sempre o coração.

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