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domingo, 7 de dezembro de 2008

Apocalíptica


Foi saqueada a terra das oportunidades
Tanto se mutilou que torna-se retalhos
Não compensam mais o trabalho
Sobras de todas as iniqüidades...
*
Não invocais a um deus salvador
Pois ele te virou as costas à tempos
Assistiu tua alma em remendos
Arrancando-te as asas em dor...
*
Quanto vale o trapo de imundícia?
Que arrasta-se de eras em eras
E que chance para o retorno esperas?
Não és, nunca foste... Uma lenda fictícia...
*
Anunciam as negras nuvens revoltas
O despertar de Apocalíptica!
Juntais aos demais, alada mítica...
E te tornem tuas amarras soltas...
*
Cobiçosa que ambicionou os desejos vãos
Não pode lutar contra própria indiferença
Ser criado para anunciar a sentença
Apenas movendo as suas mãos...
*
Não podes mudar tua própria natureza
Não relutes em apontar os condenados
Escória por todos os lados
Não podes evitar tua frieza...
*
Não disfarce a indiferença que em ti habita
Não tente lhes explicar a tolerância a dor
Não ouse oferecer-lhes a dádiva do amor
Execute com competência a ordem dita...
*
Afasta-te...Isola-te... E almeje
O que jamais para ti foi designado
És anomalia e ser alado disfarçado
Jamais conseguirás, não rasteje...
*
Não insistas e te oculte novamente
E de seu abismo prolifere o fim
Pois para isso foste criada assim
Dos sete, és o mais indiferente!
*
A natividade é tua marca enquanto há vida
Lembrará que proliferarás cólera e dor
Cumpri o teu dever não se coloque na berlinda
Não foste criada para o amor!
*
Shimada Coelho


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Apocalíptica by Shimada Coelho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

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