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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Espírito Livre... Coração da Terra



Você diz:
"-Sai desse mundo! Ele não existe!"
Imaginas o quanto me fere quando diz isso?
É o mesmo de chamar-me de louca,
Ou pedir que eu arranque meus olhos,
Ou retalhe minha pele para não mais sentir.
Pesa o mesmo que uma sentença,
Que decreta que eu tire para fora meu coração,
E o substitua por uma pedra...

*
Que mal pode me fazer acreditar?
É melhor caminhar neste mundo feito muitos,
Fingindo que tudo está bem?
Lutam tanto para que fique tudo bem...
E quando conseguem,
Levantam muros ao redor,
Para não enxergarem o que se passa ao lado...
Ou para não dividirem o que conseguiram,
Ou para não serem roubados...
Lutam tanto, e fingem ser o que não são...

Lutam tanto,
E não possuem nada!
Deseja mesmo que eu seja assim?
*
Quantas vezes,
Voltavamos de um passeio,
Do shopping,
Do restaurante classe média alta,
Aquecidos em nosso carro caro,
Em nossos trapos de marca,
Onde só a etiqueta tinha valor...
Com nossas barrigas cheias...
Nossa pele transpirando perfume caro...
Passando diante de tantas pessoas
Que sentiam frio em pontos de ônibus,
Sentindo fome,
Desejando chegar em casa,
Desejando respeito,
Desejando justiça,

Desejando ser ouvidos,
Desejando uma vida melhor,
Debaixo de pontes,
Em barracos de tábuas podres,

Em quatro paredes precárias
Em áreas verdes da prefeitura?
Eu chorava...
Me sentia mal de estar bem,
E existir tantas pessoas vivendo tão mal...
Você pedia:
"-Sai desse mundo! Ele não existe!"

*
Lamento informar:
Não quero sair daqui...
Nunca quis...
Sempre voltei...

*
Como poderia não me comover
Com o olhar da criança?
Como não desejar abrigar
O animal faminto na calçada?
Como negar estender meu prato de comida,
Para quem sente fome?
E diz a si mesmo:
"Por isso não saímos de onde estamos...
"Onde estamos?

*
Ás vezes, já desejei sair daqui...
A Humanidade consegue ser tão ingrata,
Egoísta...
Mesquinha...
Mas, fui colocada aqui...
E não posso explicar,
Este misto de amor e ódio.
Eu aprendi a amá-los...
Me tornei parte deles...
Eu os amo com toda a força do meu coração...
E dói demais não poder fazer algo,
Pois o que faço,
Nada é perto do que
Realmente precisam...

*
Que mal há em acreditar?
Que amanhã,
Junto com as luzes da Aurora,
Virá um novo dia...
Que o Sol é generoso
E brilha pra todos...
Que a Terra dá o bastante
Pra todos...
Que além do horizonte,
Não há apenas a cama onde o Sol dorme...
Que as crianças,
São as luzes acesas que fomos um dia...
E que os idosos são toda a sabedoria
Que iremos adquirir...

*
Que mal há em indignar-se?
Não posso deixar de ver,
Nem de sentir na própria pele...
Por que não lutar?
E por que tenta me impedir?
Foi pra isso que nasci...
E nem comecei o que devia fazer...

*
Lá em cima na imensidão,
Você vê nuvens...
Eu vejo bichinhos de algodão...
Você vê estrelas que já morreram,
Cujo brilho ainda está chegando aqui...
Eu vejo anjos...
Lá no córrego que corre imundo,
Você vê esgoto...
Eu vejo uma das artérias do planeta,
Morrendo...
Nos cães e gatos,
Você vê trabalho dobrado e sujeira...
Eu vejo meus irmãos...
Você olha pra mim e vê beleza...
Um corpo interessante...
Eu vejo uma prisão...
Olha em meus olhos,
E sente-se seduzido...
Eu olho nos teus,
E vejo sua Alma.

*
Por que me pedes para ser diferente?
Jamais irei ser o querem que eu seja...
Jamais irei me adaptar a essa sua realidade...
Jamais irei compreende-la...

*
Que realidade é esta tua,
Onde as luzes se apagam...
As cores desbotam...
Tudo se quebra...
Dura tão pouco?
*

Que realidade é esta,
Que dá felicidade,
Alegria,
Satisfação,
Por tão pouco tempo?
Através de trocas...
É real essas sensações
E emoções
Que se manifestam por 'coisas'?
Quem afinal deve sair de onde?
*
Por que não posso acreditar,
Que na verdade não há poderosos?
Que eles precisam ouvir as verdades
Que só nós conhecemos,
Pois eles estão num lugar alto demais,
Pra saber como é aqui embaixo...
Por que não devo brigar?
Me inconformar?
Por que devo aceitar o que não quero
Nem pra mim,
Nem para os outros?
*
Não posso colocar uma venda nos olhos...
Já tentei.
Não posso ser adestrada.
Não posso mudar o que sou...

*
Sou desatrelada...
Me enjaulei...
Me enclausurei para não ver mais...
Mas ainda posso sentir...

Porque minhas janelas nunca se fecham...
Mas me fechei...
É o máximo que posso fazer...
Mas de algum modo,
Irei encontrar um meio de gritar,
E fazer minha voz ser ouvida.
Mesmo não querendo sair...
Mesmo sem poder ir...
Eu vou.
Eu sempre vou...
*
Você temia que perdessemos tudo...
Eu não...
Pois cresci possuindo tão pouco...
O que era meu,
Era nosso.
O que tínhamos,
Precisava ser dividido...
Não importa em quantos pedaços,
Cada um podia ter um bucado.

*
Isso é família!
Isso é a coletividade!
Família não é uma coleção de despesas...
Família é o princípio
Da coletividade.
Formamos uma,
Para aprendermos a viver
Com os outros...
Isso é o Amor,
Tão confundido com Paixão.
Isso, é como nosso Chuchuzeiro:
Ele se estica todo,
Abraça tudo o que pode,
Fica carregado de chuchus,
Grandes,
Verdes,
Lindos...
Dividimos em porções iguais,
E distribuímos aos vizinhos.
*
O mundo acredita que igualdade
É vestir, fazer, comer
As mesmas coisas que os demais.
Igualdade pra mim,
É me ver em você,
Me ver em meus filhos,
Nos meus animais,
Neste céu,
Nesta terra,
Neste rio...
São todos meus irmãos,
Antes das outras coisas que são.
*
O mundo acredita que liberdade,
É fazer tudo o que se quer,
O que dá na cabeça...
Liberdade pra mim é poder escolher,
É o Livre Arbítrio,
É a opção...
O mundo acredita nestas luzes
Incandescentes...
Coloridas...
Nas coisas palpáveis,
Nos valores monetários...
Eu acredito nas luzes
Que habitam as Almas das pessoas...
Nas coisas invisíveis,
E que as coisas verdadeiras
Duram para sempre.
*
O mundo mudou...
Eu também...
O mundo perdeu...
E embora eu nada tenha,
Só ganhei.
*
Meu coração está ligado a Terra...
Sei bem o que um animal pensa,
Quando olha um humano...
Dentro de mim manifestam-se
Os espíritos ancestrais...
Meus antepassados,
Do Oriente e do Ocidente,
Desde o princípio...

E acredito
Pelos meus descendêntes...
*
Não posso trocar o que sinto,
O que vejo,
O que percebo,
Por sua realidade.
Não posso trocar
Os vôos de minh'Alma,
Pelos valores terrenos...
Meu coração,
Jamais será de uma pessoa só...
Ele pertence ao mundo!

Ao Universo!
Ao Deus Desconhecido!
*
Vê bem como não posso mudar...
Vê como não posso caber aqui,
Mas não posso também sair...
*
Quando estava tudo bem,
Na verdade não estava...
Fingíamos estar bem...
Sempre nos faltava algo...
Sempre havia um vazio em nós...
Quando tudo estava bem,
Eu temia que
A compaixão e amor
Que sentia pelo meu próximo,
Era porque tudo estava bem pra mim...
É fácil ser bom samaritano,
Quando tudo vai bem,
Quando se tem tudo...
*
Porque o sofrimento alheio me incomodava?
Por que eu me importei?
*
E agora...
Como me pede para que saia daqui?
Como quer que eu não acredite?
Que mal vai fazer?
Sou uma Alma presa num corpo...
Sou uma pessoa presa numa casa...
Sou um espírito livre!
*
É agora que preciso acreditar!
É agora que preciso lutar!

Porque a questão não é mais ter ou não ter...
É também ser ou não ser...
Ir ou não ir...
Conseguir ou não conseguir...
Pois estamos sentindo na pele...
Pois agora estamos do outro lado...


*
*
-=Shimada Coelho=-
São Paulo, 11 de Agosto de 2009.


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2 comentários:

  1. MUITO BOM. GOSTEI BASTANTE. QUE DEUS TE ABENÇOE.ABRAÇOS FRATERNOS.

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    1. Amém! Que Deus te abençoe também nesta tua árdua tarefa, amigo! A.F., P.P.

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