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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Erro de Direção



Hoje em dia, as pessoas vivem tão presas... Correm de um lugar para o outro e se fecham em lugares. Precisam tanto de estar com outras pessoas, mas estão cada vez mais sozinhas.

Elas podem caminhar e usufluir seu direito de ir e vir, mas quando não se aprisionam, seguem caminhos tortuosos e perdem-se de si mesmas. Acreditam possuir um rumo, mas seguem a mesma trilha de todos, perdidos e esperando por placas de sinalização.

Elas podem enxergar, mas limitam-se apenas em ver. A única janela em que são capazes de se debruçar é a de um computador e dali, visualizam suas fantasias e sonhos, fugindo da realidade. A chuva que cai não são apenas um punhado de gotas d'água que despencam das nuvens. Há um milagre de Vida e Renovação em cada chuva. Mas, quando observam a chuva cair, são transportadas para suas angustias, suas dores, seus sofrimentos, como se a chuva fosse algo ruim.

Elas podem ouvir, mas limitam-se a escutar. Os únicos sons audíveis são aqueles que se destacam no mar que congestiona pessoas e carros. Escutam, mas não podem ouvir. Desaprenderam. Quando seu irmão se aproxima e lhe fala, sua mente está em outros lugares e preocupações. Interrompe porque quer mesmo é falar.Compreendem-se cada vez menos. Há muito tempo os sons que ouvem são aqueles que perturbam a mente e a alma. O coração se calou, pois a única coisa que ecoa é o ego.

Elas podem expressar-se, mas limitam-se a falar. A língua ficou desenfreada, e mesmo quando outro fala ela não tem freio. Gabam-se de suas conquistas que na verdade não as satisfazem, mas falam como querendo convencer os outros e a si mesmas. Precisam se auto afirmar, se auto elogiar, se auto engrandecer.

Convicção foi confundida com falar-se o que quer, reproduzir o que leu e ouviu de alguém importante e segurança confundida com falar o que vem na cabeça, não importa o que seja. Precisam ter certeza que acreditam em algo. Escondem assim, seus medos, suas dúvidas, suas fragilidades e sua real essência. Se fecham cada vez mais como ostras, e se revelam cada vez mais vazias a cada vez que falam. Não há mais expressão. Nem na face, nem no tom da voz, nem nos gestos. Tornaram-se máquinas robotizadas programas para sentir superficialmente.

O Coração tornou-se apenas o tema dos poetas e um pedaço de carne que pode mudar de um corpo para outro. Sua voz foi costurada, e seu ouvido tampado. Rotularam-no de 'o guia' que conduz aos impulsos instintivos para aqueles que não possuem também mais remorso. Tornou-se a fossa fétida onde estão depositadas as piores ameaças.

A Mente enferrujou-se. Os neurônios desacostumaram-se a manifestar-se, pois acostumaram-se a apenas receber informação, não conhecimento. As Mentes hoje, sofrem de obesidade mórbida, por devorarem todo o tipo de informação possível sobre qualquer coisa fútil e sem importância legítima. Os questionamentos limitaram-se a questões exteriores que enriquecem o ego, que fazem com que permaneça no alto patamar o altar dos devotos do corpo e da aparência. Da superficialidade e das máscaras. Se hoje é dito que pode-se ingerir café, então toma-se e justifica-se reproduzindo a informação recebida. Se amanhã é dito que café é prejudicial, não tomarão e justificarão que se permitem mudar de opinião, não podendo compreender que na verdade, estão programadas para obedecer a uma ordem invisível.

A História da Humanidade tornou-se repleta de fatos irracionais de violência, ganância e mesquinhez.. O Coletivo ganhou sinônimo de Sociedade. Só é ativo quando um interesse próprio guiado pelo dom carismático do orador consegue firmar a ordem para seguirem os rumos de seus intentos. Todos seguem acreditando terem compreendido e escolhido. Apenas obedecem.O valor real de tudo faleceu. O caráter foi extinto. A honra definhou. A Consciência vazou seus olhos e seguiu pelo caminho da cegueira.O sangue foi regando a terra a tal ponto que a chuva já não pode mais lava-lo.

E a História chega a um momento onde os disfarces e as desculpas já não são suficientes. A falsa paz é perturbadora, inquietante e tenta rasgar a Alma.Ninguém pode encontrar a Felicidade renunciando-se a si mesmo. Quem pode ser feliz deixando de ser e aceitar quem se é?

A pessoa perto de ti é vista como irmão ou um igual? Ou como inimigo? Podes ver-se nela? Podes segurar-lhe a mão? Para roubar ou para ajudar? Considera-se trigo em meio ao joio? Retira-se para o punhado de trigo, mas é mesmo trigo?

O mundo está à um passo do abismo do caos, e ainda assim, os saqueadores de Vida e Conquistas não se cansam. Revelam-se cada vez mais monstros cuja única finalidade em sua existência é matar, roubar e destruir, e não podem se dar conta disto pois não podem caminhar, escutar, enxergar.Não podem se dar conta disto pois não há mais coração, apenas um pedaço de carne... Há apenas uma massa dentro da caixa craniana e a consciência assassinou a culpa e depois de suicidou.


-=Shimada Coelho=-
São Paulo, 11 de Agosto de 2009.

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