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terça-feira, 14 de setembro de 2010

É preciso opinião para crer em algo!

A discordância com a opinião alheia está se transformando na verdade em intolerância, e talvez por isso, muitas pessoas não respeitam mais nada de ninguém.



O Blog Zine do Jornal Via Fanzine exibe na capa hoje (14/09/10) uma notícia que reflete bem o fato de que não se pode mais ser sincero muito menos expor nenhum tipo de opinião pessoal sobre nada. A notícia faz referência ao programa de José Luiz Datena do dia 27 de julho deste ano onde ele faz uma pesquisa para saber quantas pessoas acreditam em Deus. Durante a pesquisa, ele teceu comentários que tentavam justificar os atos bárbaros noticiados em seu programa naquele dia.

Exatamente neste programa em questão eu estava assistindo. Não bastassem o caso de Elisa Samudio e de Mércia Nakashima estar em discussão com todos os recursos e burocracias injustos, outros crimes ediondos eram assuntos que tornaram o programa pesado. Quando Datena sugeriu a pesquisa, pareceu-me claramente que ele procurava uma justificativa para pessoas de sua própria espécie serem capazes de tais atos. Provavelmente, apresentar e comentar casos de extrema violência não deve ser um ato agradável ao emocional e psicológico. Para muitos do outro lado, os telespectadores, também não é digerível receber cargas diárias desse tipo de informação.Lembro-me perfeitamente que o apresentador deixou claro que não tinha nada contra quem não crê em Deus, e não duvidaria que os ateus também aderissem a enquete. Neste programa especificamente, Datena quase se desmanchou em pratos. Estava visívelmente abatido com os assuntos que apresentava e inconfomado como é típico de sua personalidade.

Depois que a Liberdade de Expressão ganhou outro significado, o mundo tornou-se um lugar repleto de afetados e as carapuças agora possuem o tamanho Único: serve em qualquer cabeça! Tudo passou a ofender, não o que realmente deveria ser considerado ofensa. Tudo passou a ser motivo para mover processos, mas não o que realmente deveria receber tamanha comoção. Talvez, porque pessoas que assim reagem sejam completamente individualistas e não compreenderam ainda o sentido da coletividade. Pois, enquanto há tantas outras coisas que verdadeiramente são uma ofensa para a maioria da população mundial, pequenas causas agora são nobres. Enquanto há verdadeiramente tantos bons motivos para mover ações, há aqueles que só enxergam a própria bandeira utópica.

Não creio no Deus comercial e convencional, mas creio que há algo superior a tudo o que conhecemos, seja isso uma força da Natureza, seja a própria Vida, seja o curso natural de todas as coisas, seja o coração que bate no peito, seja o sangue nas artérias, é inegável haver algo maior que tudo e muito mais poderoso. Não é porque creio em um Deus que tenho obrigatoriamente uma religião ou sigo uma filosofia religiosa: ambas as coisas deveriam ser completamente distintas. Religião e crença, particularmente, são um mal necessário no mundo, pois sem a existência destas, o mundo estaria bem pior.Mas, compreendo perfeitamente que cada pessoa neste mundo enxerga seu Deus de um modo particular, e isso também é um direito.

Me impressiona os ateus 'brigarem', moverem ações, sentirem-se ofendidos com a manifestação de uma opinião. Se não acreditam em Deus, porque tentam provar que Ele não existe? Como alguém disperdiça tempo provando a inexistência de algo que não crê?

E em todas as áreas da vida e do mundo há os descrentes em tudo o que se pode imaginar, movidos principalmente por sua decepção e experimentação em algo que vivenciou que lhe serviu de base em sua opção. E como os outros devem se portar diante deles? Devem engolir a seco qualquer exteriorização, indignação sobre qualquer coisa, opinião para não ofender alguèm? Então, o sentido da palavra ofensa também mudou! Hoje em dia, o que vejo, são pessoas que se ofendem por não serem privadas da verdade. Dizer a verdade e ser sincero ofende. Muitos preferem a falsidade e a mentira do que sua honestidade e sua sinceridade, mas é isso que esperam do outro.

Agora, estamos todos proíbidos de nadar contra a maré e estar fora de qualquer padrão que não seja aquele que generalize tudo, pois de alguma forma a opção que te leve na contra mão da maioria vai ofender alguém que te considerará anormal, louco, ignorante, despadronizado e pouco evoluído.

Mês passado, os humoristas precisaram acabar com a palhaçada (literal) de proibir o humor relacionado à política. Em época de eleição e com tantas pessoas procurando motivos para rir, o risco de ouvirem alguma verdade sobre esses 'tão distintos' canditados seria enorme.

Um Vj famoso no Youtube foi alvo de ameaças ao criticar em um de seus vídeos as novas bandas que são febre entre os adolescentes. Os fãs, sentiram-se ofendidos com os comentários do Vj, chegando até ao absurdo de ameaçar matá-lo e processá-lo.

Rita Lee sofreu ameaças via Twitter porque simplesmente deu sua opinião ao ser perguntada sobre a construção do novo estádio (e o primeiro) do Corinthians.

Então, 'democraticamente' estamos sendo obrigados de livre e espontânea pressão a se igualar em gosto, aparência, genêro e nível a uma maioria para não desagradar os afetados de plantão. Saia pelas ruas da cidade onde mora vestido como a maioria, falando como a maioria, frequentando os mesmos lugares que todo mundo, fazendo o que a maioria esmagadora faz e você será feliz, aceito e normal!

Para complementar, de preferência, pegue qualquer verdade e qualquer um de seus 'achismos' - já que absolutamente ninguém é dono das patentes da verdade - e esconda no fundo de sua gaveta de trecos. Ela jamais será bem vinda e para que você seja socialmente correto, deverá ser falso sempre que possível e mentir pois a verdade dói e você não quer machucar ninguém.

E diante de tudo isso só posso concluir uma coisa: muita gente está com muita certeza que sabe em que acredita, mas de fato não crê em nada: apenas busca algo em que se apegar para dar sentido a sua vida. Pois, opinião todo mundo tem sobre algo e isso é preciso para ser possível realizar as tantas escolhas que temos que fazer ao longo do dia e da vida. Opinião pode e tem todo direito de ser mudada: hoje você tem o direito de gostar de usar óculos new have e mudar de idéia assim que a modinha acabar. Opinião, pode ser formada ou adquirida... A formada foi processada intectualmente e analisada por experimentação até chegar-se a uma conclusão. Adquirida é apenas o regorgito e o eco do que se leu, viu ou ouviu e considerou, depois de identificar-se, algo que faz parte de seu cardápio de opiniões mascaradas de convicções.

Convicção, é aquilo que se acredita e se concluiu comprovando com a própria experiência. Nada exteriormente muda essa convicção a não ser que uma outra experiência o faça. E incrivelmente, tanto para quem tem opinião ou convicção, não existe ofensa. Pois quem crê em algo, escolheu e experimentou ao escolher sua crença. Quem escolhe o faz porque sabe o que quer. E quem sabe o que quer não está se importando com opiniões externas! Sabe em que acredita, vive baseado em sua crença e não precisa provar nada pra ninguém para estar certo sobre nada!

Quem realmente crê em algo, vive o que acredita e através de seu modo de vida - e não de discursos - prova sua crença. Sua devoção não é aquilo dito como verdade, mas aquilo que seu coração se devota.

A não ser é claro que o que você acredita, faz ou pensa seja diretamente influênciado por alguém... Tá! Isso é opinião?



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É preciso opinião para crer em algo! de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
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preconceito
(pre- + conceito)
s. m.
1. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial.
2. Opinião desfavorável que não é baseada em dados objectivos!. = intolerância
3. Estado de abusão, de cegueira moral.
4. Superstição.

Um comentário:

  1. Gosto de saber sobre a postura das pessoas, pois este é um dos caminhos para aprender a respeitar a crença dos outros, seja lá em que se acredita.

    Um porém, para que continuemos nossa discussão: ateísmo é uma coisa. Não ter Deus embora se diga crer Nele é outra. Contar a todo mundo que acredita num Deus, muita gente o faz... Viver como se acreditasse Nele poucos fazem... O ateismo não crê em Deus, mas crê no ser humano, visto que muito ateu possuí coração e atos mais nobres que muitos religiosos.

    Certa vez trabalhei no Senso e uma das perguntas era 'qual sua crença religiosa?'. Todas as pessoas tinham uma religião, mas a crença não era suficiente para identificar o caráter... Nem todo mundo que tem religião, tem Deus! Nem todo mundo que diz crer em Deus, tem Deus! E muito ateu embora negue, vive como se tivesse Deus!

    Deus não está na afirmação sobre Ele, nemd eixa de estar na negação sobre Ele! Deus está nos atos, tanto de crentes como descrentes!

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