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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Empatia Sombria


Meu mundo tão perfeito é sombrio, negro, repleto de névoas e frio. Meu amante perfeito Érebus. Eu gosto pois de que outra maneira eu poderia ver o Mundo? Na muita Luz eu só posso ver formas destorcidas, vultos imprecisos, formando uma realidade desconexa... Como então saber o que ou o que estava lá?

Nas sombras posso ver o que não há e nem é! Nas sombras, se nada vejo e nada há, sei o que realmente preciso. Nas sombras, tudo é mais que um vulto negro, sendo parte da escuridão. Nas sombras, só há uma única certeza e ela é o que sinto! Assim, o Invisível se revela a mim!

E quem pode enxergar na escuridão? Se me faltam os olhos, tateio. Sem olhos posso ouvir, sinto melhor o sabor e os sentidos se abrem.

Meu nariz esfrega-se com volúpia em tudo que quero mergulhar. Pois há um nariz interno que sente cheiros incomuns... Cheiro de passado, de presente, de lembranças, de hormônios... Quase não se pode ver as orelhas, mas os ouvidos são radares... Não captam sons comuns, mas o modo como tudo faz barulho: cada movimento tem um som único!

Minha pele reage sempre... A tudo e ao mínimo. Vibrações, energias, toques, intenções, primeiras e segunda, perdições... Empatia!

Uma maldição que me esconde por detrás.. Vivo na penumbra... Vivo nas sombras... Prefiro meia luz! Maldição que aumenta o peso da cruz... Tira a tranquilidade... Quer roubar minha paz...

Espectros de todas as cores tão mortos ou nem tão vivos são Mariposas atraídas pela falsa luz. Hipnotizadas pelo reflexo que bate na água que jorra parecendo sem fim, tão descarada. Sabem sem saber: a fonte também é fossa!

As sanguessugas pedem mais, e mais, e mais e não se fartam! Querem o suor, o sangue e a alma! Dá!Dá!Dá! Crescem e não se fartam!

Meu mundo é morto! São nas árvores secas que posso ver folhas verdejantes que acabaram de brotar. É quando os moribundos passam por mim que sei o quanto de Vida ainda me resta ou quanto ainda dela ainda preciso viver. Naqueles rostos distorcidos com testas enrugadas é que sei o quanto ainda preciso sorrir. Os olhares vagos me são túneis astrais: Buracos de Minhocas que matam minha curiosidade... Os olhares vagos são o vazio falando...

Quero ser diferente! Quero mudanças! Quero morrer e ser tão morta quanto os cadáveres andantes ao meu redor. Troco as coisas de lugar, arrasto os móveis no escuro treino minha cegueira. Me acabo na cama até que o suor escorra, eu perca o fôlego e a força, pois à força quero preencher esse meu vazio escuro...

Só me desgasto... Estigma que não pode ser mudado... Mudar é brigar com a Vida! Então, volto para as sombras... Vou atrás de pensamentos e palavras para copular com elas... Não quero os homens e mulheres com suas caras bonitas, nem o corpo tão rico em cheiros... Quero a alma e o pensamento , pois meu emocional faleceu e prefiro as sensações. Além de cega, morri! E procuro quem me traga de volta a Vida! Quem pode ser capaz de me fazer sentir além com o que mais quero?

Ninguém! Pois meu mundo é feio e sombrio... É uma criação de Hesíodo pra me agradar... Ele se põe nu e o que vejo é apenas um corpo nu. Aceitei meu mundo sombrio pois é assim que consigo ver beleza!


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Empatia Sombria de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

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