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sábado, 17 de setembro de 2011

A Montanha e o Vale

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Imagem: autoria desconhecida.
Retirada do site: Carrinho de Pipoca




O pequeno discípulo aprendiz tinha uma lição que parecia aos seus olhos bem simples. Seu mestre ordenara que subisse a montanha e quando bem pretendesse deveria descer trazendo consigo o que havia aprendido.

Durante quase uma semana escalou a montanha, sentando-se vez ou outra para tomar fôlego e percebia que as nuvens pareciam cada vez mais baixas. Nas noites frias, procurava um lugar onde pudesse acomodar seu corpo. Sem nenhum conforto, olhava as estrelas tentando pegar no sono.

Assim foi até alcançar o topo da montanha. Jogou sua trouxa ao chão e caiu de joelhos: seus pés latejavam de dor e suas mãos estouravam em grandes bolhas.

Havia ainda comida e água suficiente para um dia e uma noite, então, decidiu ficar ali e descansar para iniciar a descida. A descida era bem mais difícil e parecia levar muito mais tempo para concluí-la. Mas enfim, chegou ao pé da montanha e encontrou o mestre:

- Trouxe consigo a lição? - perguntou o mestre.

- Sim, Sensei! Para se conseguir alcançar um objetivo é preciso muita perseverança! - respondeu o discípulo ofegante.

- É uma boa lição... Mas você já deveria ter aprendido isto com muito menos esforço!

O mestre estendeu a mão e entregou uma trouxa cheia e pesada e disse:

- Você ainda não aprendeu! Volte até o topo da montanha!

Contrariado, o discípulo obedeceu e repetiu o percurso. Chegando ao topo estava bem mais cansado e agora as bolhas nas mãos estavam abertas em feridas. Diferente da outra vez, nem desejou repousar: queria acabar logo com aquilo. Retornou ao pé da montanha e encontrou o mestre Sensei:

- E então?

- Se você não aprende a lição da primeira vez terá que repetir o trajeto até que aprenda a lição... - disse o discípulo apoiando-se com as mãos nos joelhos.

- Pensei que esta você também já tivesse aprendido, mas disse bem... - estendeu a mão e ofereceu outra trouxa.

Isso se repetiu por várias vezes até que o discípulo, sentindo-se fracassado e incapaz, disse:

- Mestre Sensei... Sou indigno de aprender esta lição! Não sei o que tenho que aprender com ela...

Como que já sabendo que esta seria a resposta do discípulo, o mestre entregou-lhe outra trouxa e carregou consigo uma também. Convidou o discípulo para subirem novamente até o topo da montanha.

Durante o trajeto o mestre colhia folhas e flores de ervas. Sentava-se vez ou outra e sorridente admirava a paisagem. O discípulo observava atento cada movimento. Na primeira noite na montanha, o mestre preparou um emplasto com as folhas e flores que encontrou no caminho e colocou nas feridas do discípulo.

Logo chegaram ao topo da montanha, e desta vez, o discípulo sentia as pernas mais firmes e o caminho lhe pareceu mais curto.

- Quando alguém nos acompanha pelo caminho, a caminhada é mais fácil, Sensei...

- Sim... Mas esta não é a lição que quero ensinar. Durante o trajeto há muito que aprender! Mas existe uma única lição que precisa ser aprendida para que as outras sejam possíveis e façam sentido.

O Sol nascia no horizonte quando chegaram ao topo da montanha. Sentaram-se e o mestre preparou um chá que tomaram enquanto admiravam a paisagem.

- O que você pode ver aqui de cima?

- Toda a beleza do Vale, Sensei! Não tinha notado antes. Estava muito focado na dor e no cansaço que sentia...

- E o que você vê aqui em cima na montanha?

Olhou em seu redor e percebeu:

- Nada cresce aqui! Toda a vegetação está em volta da montanha!

- Se quiser ver toda a beleza do Vale é preciso sair dele e subir a montanha. Não há nada no topo da montanha. Tudo o que você precisa só conseguirá no Vale!



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A Montanha e o Vale de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

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