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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Lidando com a Morte



O vovô Ranulfo parecia um anjo na vida de todos. Sempre estava preocupado com o bem estar de todos e sempre procurava apoiar e auxiliar nos nossos desejos.

Mas ele ficou muito doente. Já fazia muito tempo que a doença estava nele, mas ninguém e nem ele mesmo sabia. Quando descobriu, os médicos contaram o quanto ainda lhe restava para viver: três meses. Mas para poupar o vovô, ninguém contou nada pra ele.

Enquanto seu corpo ficava mais frágil e deteriorava-se cada vez mais, ninguém pensava que ele iria nos deixar. Todos se esforçavam ao máximo para ajudá-lo assim como ele ajudou a todos, crendo que ele ficaria bom mesmo que os médicos dissessem ao contrário.

Ele viveu exatamente três meses: tempo suficiente para passar o Natal, Ano Novo, seu aniversário e o retorno do filho que estava em outro país. Com este filho compartilhou todos os projetos que havia começado e estava decidido a mudar completamente seu modo de vida.

Ele não pode terminar seus projetos. Deixou-nos no auge dos seus cinqüenta e poucos anos. Todos que conviviam com ele ficaram muito abalados. Era uma perda irreparável, pois ele era aquele tipo de pessoas necessária e útil no mundo. Aquela pessoa que todo mundo gostava e queria por perto. Conversador, sempre tinha muitas histórias para contar.

Foi uma história que trouxe consolo para dois de seus netos que sentiram muito mais que os adultos. A história não apenas fez o choro cessar, como os fez compreender porque perdemos as pessoas.

Com o passar do tempo, a própria Vida foi ensinando a parte mais dura da Morte, mas a compreensão foi mais branda.

" Existem pessoas e seres neste mundo que são muito mais que especiais. Elas são tão especiais e tem muito mais valor que jóias. O Pai do céu as vê como jóias tão preciosas que deseja tê-las consigo.

Mas, como Ele não é egoísta, deixa que estas pessoas e seres fiquem algum tempo no meio de todos para que todo mundo possa aproveitar da presença e companhia deles.

Quando o Pai do céu decide que é a hora certa, resolve guardar a jóia. Ela dorme muito, mas muito que a gente pode ver que ela não vai mais acordar.

Ai então nós fazemos um ritual mágico pra ajudar o Pai do céu: nós colocamos a pessoa ou ser especial dentro de uma caixa bonita parecida com um baú e enterramos do mesmo jeito que se enterra os baús cheios de tesouros dos piratas.

À noite, quando todos estão dormindo, o Pai do céu vai até lá e pega a jóia enterrada e leva para um lugar aonde ninguém vai pode roubar!

A gente sente falta do vovô, mas assim como o Pai do céu, não somos egoístas e sabemos que Ele também tem direito de ter a presença e a companhia dele. Não era bom ter ele por perto? O Pai do céu também acha. Acha tanto que não queria que o vovô sofresse mais nada!

O importante é que ele será sempre especial e nunca vai mudar porque foi guardado pra nunca ninguém roubar!"


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Lidando com a Morte de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

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