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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Platônico


A amiga lhe disse:
- Você fica bem apaixonada! Bem e feliz!


Elisa precisava viver apaixonando-se! Era uma Garimpadora de Eternidade! Pois acreditava que a eternidade era grande demais para caber em Deus, então Ele pegou um bom bocado e dividiu, distribuindo porções generosas em pessoas e em pequenos e sutis detalhes. Quando ela encontrava eternidade, apaixonava-se!


Apaixonou-se por coisas que ninguém pode imaginar, pois quem está atento aos detalhes? Namorou nuvens, cobiçou a textura das pétalas das flores... Apaixonou-se pelos micros rios nas folhas, pela estrela retardatária, pelo vento esvoaçando seus cabelos, pelo minúsculo frescor em uma gota de chuva, pela fantástica complexidade em um floco de neve...Mas também se apaixonou por um cavaleiro que, ora galopava nos ares sobre seu cavalo alado branco, ora caminhava sem rumo arrastando sua capa real que distorcia seus rastros...


Ela amava apaixonar-se por ele todo santo dia! Apaixonou-se à primeira vista nas primeiras entrelinhas que ele discursou! Ele não tinha rosto e nem nome, mas era o ser mais lindo que já tinha visto! Mas ela mora no outro lado na ponta do abismo!


Mesmo assim, ela não cansa de apaixonar-se! Apaixona-se pelo ser sem rosto e sem nome, cuja voz é apenas o último gemido do eco, e que mora lá do outro lado da ponta do abismo, junto de seu cavalo alado branco, e que às vezes precisa de um abraço que nunca poderá receber...


Porque garimpando por ai, Elisa descobriu que não há nenhum prazer na partida, apenas ansiedade e expectativa. E que também não há prazer na chegada, apenas cansaço e exaustão. Todo prazer está no trajeto!


E ela mantém-se de pé na ponta do abismo, contentando-se em imaginar como seria o rosto se tivesse face - talvez um Sol...E como seria o sussurro de sua voz aos seus ouvidos - talvez um sopro de vento... Como seria olhar nos olhos - talvez aquele abismo...


Pois descobriu que a eternidade estava em estar apaixonado, não na posse! Desejar, querer, sem ter! O beijo mais gostoso é aquele que não se pode dar! A vontade de beijar é um beijo eterno! O abraço que ele quer ela nunca dará, assim ele sempre desejará o abraço!


Elisa se apaixonou por ele... Sem expressar, sem confessar e sem declarar! Platônico! Porque ela bem sabe o que virá depois... E quando conquistá-lo será como sempre é... Mas enquanto estiver assim, será eterno!  Ela se apaixonará por ele até que tudo de bom que ela tenta fazer chegar até ele continue também no meio do caminho... Caindo dentro do abismo e criando uma ponte!



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O trabalho Platônico de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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