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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Clausuro




A flor que mingua
Vai perdendo sua cor 
E não questiona sua sina...
Logo despencará de seu pedestal,
E ninguém notará...
Até que a vassoura passe,
Mesmo assim - com seu corpo murcho estendido ao chão -
Ninguém questionará...

Sopra o vento e leva para onde bem entender
A folha seca...
Ela não reage,
Não escolhe,
Nem pode,
Jaz morta...

Invoco sonhos reveladores,
Eles pousam confusos...
Surreais...
Nem posso começar a compreendê-los...
Não posso contá-los:
Como falar de coisas que nunca vi?

Os passarinhos dormem,
Piam enquanto sonham...
Murmurinhos noturnos...
Os cães alertam a cada vulto que passa...

As nuvens escondem as estrelas
Mas elas estão lá... Na imensidão...
Cintilam como sempre...
Não posso vê-las mas, estão lá...
Mesmo que não haja olhos admirados,
Nem corações apaixonados
Derretendo-se em juras de amor...

O telefone toca e dissipa
- Feito fumaça -
Meu cenário natural...
Não quero atender... 
Nunca quero usá-lo...
As vozes cansam-me...
Tantas vozes...
Dissesse eu que ecoam dentro da cabeça,
Um decreto talvez traria-me paz...
Que paz haveria se eu mentisse pra mim mesma?

Quero retornar ao cenário noturno
Onde o silêncio impera absoluto...
De que adiantaria 
Se os olhos parecem ouvir...
Se lágrima é o que vê, 
Os olhos podem ouvir o som antes que caia...
Lágrimas tem som - cristal
Sorrisos tem som - euforia
Olhar vago tem som - eco em quarto vazio...

"A Dona Aranha não sobe a parede,
Desce pelo lustre
Que a abrigou."

Empresta-me Dona Aranha a tua teia...
Quero construir para mim um casúlo.




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O trabalho Clausuro de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

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