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terça-feira, 7 de maio de 2013

Justificando a Ausência


Olá queridas Almas Nuas!

Tenho vivido mais um período de extrema mudez. É algo natural que sempre me ocorre. Me isolo, me fecho e não me comunico. Uma reclusão, um clausuro a que me imponho que não sei explicar mas algo dentro dentro de mim compreende bem. Eu até passei a chamar estes períodos de hibernação  Ou talvez, eu realmente vivo o ostracismo que me inspirou tantas vezes em fazer analogias com a Ostra.

Quando passo por longos períodos de contante batalha pessoal, sucessivas adversidades e dores, eu imberno. Me fecho completamente. Portanto, está sendo bem difícil pra mim quebrar meu silêncio mas o faço pois se faz necessário. Tenho recebido inúmeras mensagens que não consigo responder de amigos preocupados com minha ausência que não se dá apenas no mundo virtual mas no real também.

Há um ano atrás - aproximadamente - perdi minha mãe quando ainda não havia processado a partida da nossa bisa, do meu sogro e de meu amigo de infância. Essas coisas nos pegam de surpresa e é complicado lidar com isso. A Morte é inevitável mas nós jamais processaremos esse assunto com clareza pois é algo desconhecido. Embora eu não sofra como a maioria das pessoas o luto, alguma coisa inconsciente acontece dentro de mim que me desorienta e perco o rumo. O vazio que as pessoas amadas deixam em nossa Vida e em nossa história é grande. E cada um que se vai nos obriga a reaprender a viver, agora sem a presença destas pessoas.

No começo do mês perdemos a Oma. Uma pessoa maravilhosa que ensinou muito, principalmente ao meu filho mais velho. Uma mulher dedicada a família, que amava surpreender a quem amava, que fazia agrados em forma de doces, que em toda Páscoa tirava forças e disposição não sei de onde para fabricar ovos de chocolate para todos os netos e que amava muito os animais. Nos deixou tão repentinamente que desta vez parei de me focar em compreender o momento da partida e resolvi me focar na Vida!

Minha Vida tão cheia de manias, limitações e medos. Minha Vida tão felina e repetitiva... Tão cheia de projetos inacabados. De desejos não realizados. Apegada em coisas tão fúteis e tão sem importância...

Por isso, creio que o longo período de mudez só irá terminar quando mudar minha vida radicalmente. Quero sair desta casa embora eu tenha um apego imensurável por ela. Quero sair de São Paulo pois não suporto mais esse caos, a poluição sonora/auditiva/visual/olfativa, não suporto mais essa disputa por vaga/lugar/assento/filas, não suporto mais o sons constantes de sirenes de ambulâncias e carros de polícias e nem os pipocos de tiros no meio da madrugada. Não aguento mais ligar a tv e ver desgraça atrás de desgraça, morte, violência, brutalidade, injustiça, estupro, violação, corrupção, hipocrisia, farsa.Não aguento ter plena consciência de que minhas manias são uma defesa que criei para me proteger mas que acabam influenciando o modo de vida de meus filhos que criei para ser livres! Me corta o coração ver o medo no olhar deles toda vez que precisam sair. Não lavam o tênis para que não chame a atenção dos ladrões. Andam na rua com celular desligado para que não toque e um ladrão ouça. Não podem andar mais de bicicleta porque alguém com certeza irá roubá-la. 

Enquanto isso, eu ainda não consigo ir ao médico e ao dentista porque não confio na máquina que forma pretensos profissionais em suas esteiras de alta produção. Tenho medo de ladrão e de polícia. Tenho medo de ficar em casa mas também de sair dela. Vejo o comércio crescendo no bairro outrora pobre e as pessoas enlouquecidas disputando trapos com etiquetas! O trânsito é caótico é dá medo de atravessar a rua. A rua cheia de gente com carro que parece não saber ir ao banheiro sem carro. Os ônibus mais parecem carro de gado. É sujeira, é multidão, é crime e e falta de educação por todos os lados. Quanto mais gente mais a falta de educação!

Tudo isso é apenas a ponta do iceberg do meu cotidiano pessoal. Na internet eu também cansei de muita coisa. Cansei de ver as pessoas pelo avesso, fingindo que possuem uma vida perfeita ou fingindo ser gente intelectualizada que pensa por si só. Gente que monta uma vitrine de vida bacana quando só Deus sabe o que se passa na cabeça de cada um quando coloca a cabeça no travesseiro.

Ontem li com profundo pesar a morte do filho de meu querido amigo e irmão Pepe. Seu filho foi assassinado e pelo visto o motivo foi banal. Minas Gerias antes a terra do sossego e da tranquilidade agora é tomada pelo mesmo mal que atormenta São Paulo e penso: você pode fugir para o mais profundo abismo ou para a mais alta montanha mas, se houver muita gente o mal vai te alcançar!

Eu olho o mapa e vejo pra onde posso fugir com minha família. Pra onde posso me esconder do Mal! Um lugar que não haja risco de tsunami  de terremoto, que nenhum meteoro ou lixo espacial queira cair, que não seja rota de avião, que tenha pouca gente, que tenha muito mato, que seja ao menos um Paraíso!

Cansei! Cansei inclusive de falar qualquer coisa pra qualquer um. Cansei de debater, de expressar opinião, de cumprir missão, de disseminar as sementes do Bem, de levantar bandeiras e lutar por causas, cansei! Porque infelizmente eu consigo ver muita coisa por detrás dessas ondas todas...

Cansei de pensar na Humanidade, nos rumos futuros do mundo, de protestos e petições, de verdades e hipocrisias. Cansei de ver morte em todo lugar quando o Pai do céu nos deu uma vida pra ser vivida e até ela está sendo roubada de nós.

É isso. Meu mundo hoje é o interior de minha casa e meu jardim debaixo deste lindo céu que nos cobre. Procuro outras terras para levantar minha tenda e começar uma nova vida longe de toda essa baboseira porque esses anos todos preocupada em fazer algo pelo mundo fui esquecendo do meu mundo. Fui esquecendo que tenho uma vida para viver.


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