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terça-feira, 25 de junho de 2013

Diferente

O mundo foi feito igual para todos, mas eu o enxergo de modo diferente.
Consequentemente, irei interpretá-lo do meu modo, como se a realidade fosse uma tela branca onde só eu posso determinar as cores e formas para compor.

Minha noção de ordem acontece por tamanho, forma e sequência de cor. Enxergo normalidade no que é anormal. Enxergo lógica no ilógico.

Quem determinou que meus sentidos devem funcionar um de cada vez? E quem determinou que eu os use todos ao mesmo tempo: normal para quem busca incansavelmente a certeza em tudo! Por que tantos sons, tantos cheiros, tantas cores, tantas texturas se meus sentidos são apenas 5? Por que luzes piscantes se a luz deveria apesar acontecer e ser e estar...?

Por que devo desperdiçar minha atenção em assuntos desinteressantes que irão apenas ocupar memória em meu HD mental? Eu posso ouvir sem escutar! Posso falar qualquer coisa sem querer dizer nada! Posso realizar automaticamente como um robô! O relevante mesmo é o sentir!

O que considero importante a maioria não quer nem saber... E o que a maioria gosta pra mim é dispensável! Precisei aprender a sorrir pois, isto é socialmente correto. Mas o que acho engraçado a maioria não vê graça alguma... Sigo rindo sozinha - sem que as pessoas a minha volta consiga compreender - das coisas que só eu vejo, só eu interpreto, só do meu modo...

Eu explico tudo... Nos mínimos detalhes e até com linguagem técnica para coisas muito simples. Meus textos são longos porque sou detalhista, acho necessário os pormenores, e tudo deve ser nitidamente esclarecido. Uma linha de raciocínio e pensamento não pode ser resumida!

Não compreendo a linguagem dos números mas faço com as palavras e letras o mesmo que é feito com números. Se números são lógicos pra mim não são!

Precisei aprender a conhecer os músculos do meu rosto e suas funções. Pois as pessoas inconscientemente precisam dos gestos faciais para acreditar que são ouvidas quando falam. A maioria das pessoas é dependente: elas sempre esperam algo de você!

Então, quando falam, esperam que sua sobrancelha se erga, que sua garganta faça um som como sinal se 'sei,estou entendendo'... E quando é sua vez de falar, elas esperam qualquer coisa, menos sua verdade! Elas tem preferência em ouvir aquilo que dê razão a elas... E assim deve ser pois, estar diante delas enquanto desabam ou comemoram sem expressar nem um gesto facial ou corporal dá a elas a impressão de que você é indiferente.

Tem gente que sofre ao viver sozinha. Eu sofro no meio de gente demais. Tem gente que não suporta a solidão. Eu me realizo quanto mais sozinha estiver. Tem gente que não suporta a rotina. Eu não sei viver sem ela. Tem gente que sente um vazio fazendo as coisas repetidamente todos os dias. Eu me sinto repleta. 

Tudo precisa estar exatamente no mesmo lugar sempre e na mesma ordem. Do mesmo modo que precisa ser a organização dos cegos. Se alguma coisa não estiver no lugar que deixei, eu nunca vou saber onde está. Minha memória falha muito, porque na verdade ela é fotográfica: por isso escrevo e penduro tudo o que devo lembrar... Pra fotografar com a mente!

A maioria das pessoas não suportam ficar muito tempo dentro de casa. Eu adoro! Tenho dificuldade pra sair mas, não é por medo. Para chegar em algum lugar eu preciso ter memorizado todo o trajeto para poder fazê-lo mentalmente antes de sair. Se não for assim, me sinto perdida ao chegar na rua. Prefiro sair acompanhada: não preciso olhar os dois lados da rua, nem olhar a cor do semáforo, nem quem são as pessoas estranhas que me rondam, nem fotografar nada com a mente e nem saber como é que se faz o caminho para voltar pra casa ou o ônibus que tenho que pegar. Sozinha pareço abobada.

Todo dia eu preciso das mesmas rotinas para saber onde estou e o que mais devo fazer. Não canso nunca disto. E entre as mesmices é que eu encaixo aquilo que não é um ritual diário. Então, não gosto de me socializar. Porque assumir um compromisso com alguém me exige que eu quebre minha rotina e mude as coisas que quero do jeito que deixo.

É tudo muito esquisito e excêntrico mas, só assim sou eu mesma e me sinto feliz.  Porque vejo a mesma excentricidade nos frutos em uma árvore, nas formas das nuvens, nos planetas ao redor do sol, nas manchas do Leopardo, na tática de caça das leoas, na rotina dos gatos, nas sementes da melancia, nas pintas negras da banana, nas sementes externas do morango, nas cores das flores, na forma das folhas, no caminho do vento, na queda da chuva, no brilho do raio, nas rugas na pele, nas areias do deserto e na íris, na teia de aranha, na água descendo ao estômago, na poeira nos olhos que desencadeiam uma lágrima e na areia na ostra que forma a pérola...

Consigo me envolver e até me relacionar com as regras de normalidade da sociedade... O problema é que eu não vejo fundamento nelas então, usufruo do meu direito de rejeitá-las...

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