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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Divagando mais uma vez...

[Imagens: de Arquivo Pessoal - Flores do meu Jardim]

Hoje o sol estava tímido e foi impedido pelo vento gelado de livrar-nos da falsa sensação de estarmos ainda no inverno. Talvez, aquele terremoto que resultou no Tsunami na Indonésia tenha mudado drasticamente algo no planeta e as estações estão atrasadas.

Mesmo assim, sentar diante do jardim e observar as roupas dançando no varal é agradável. Os dias de chuvas se estenderam e as roupas para lavar se acumularam por haver poucos varais cobertos. Qualquer aparição do sol já serve para encher os varais e mesmo quando ele se esconde, o vento ajuda muito.

O sol sempre nos remete a esperança. Depois das fortes tempestades ele sempre volta a brilhar. Mesmo que algumas nuvens insistam em desfilar pelo céu, a esperança se faz presente. Máquina de secar roupa pra que? Já não aramos, semeamos e colhemos para aprender sobre o tempo certo de todas as coisas. Resta-nos as roupas no varal. As nuvens nos mantém atentos a possibilidade de chuva. Mas quando vemos os raios de sol, o temor das chuvas é menor do que a esperança que as roupas sequem.

Agora a noite fui ver o noticiário. Ouvi que há pessoas tratando-se de Nomofobia, uma dependência de celular. Lembrei que quando escrevi sobre isso muita gente torceu o nariz pois, no fundo, não queriam admitir que elas dão mais valor as relações virtuais do que as reais.

A dependência tecnológica robotiza as pessoas e consequentemente elas param de pensar e com isto para de questionar. A cultura do consumismo e do 'ter' já as deixaram influenciáveis e manipuláveis. Fica fácil um pequeno aparelho eletrônico dominá-las de vez.

Meu filho comentou comigo semana passada que circulava um alerta na rede. Alguém havia encontrado um rato dentro de uma garrafa de refrigerante de marca famosa. Logo lembrei de tantos hoax compartilhados na rede e por emails. Há uma ação robótica nas pessoas quando leem 'URGENTE! REPASSEM!'. Elas nem sempre leem todo o teor da mensagem e muito menos conseguem perceber o absurdo que se desenvolve nela. Também não vão até um mecanismo de busca e se certificam se aquilo que irão espalhar é fato ou não. Então penso que, será que tudo o que leem, assistem, ouvem recebe tanta crença e é disseminado do mesmo modo? 

Poxa vida... Será que ao ver um rato dentro de uma garrafa ninguém se questionou que na era tecnológica não há como um rato ser engarrafado? Até no Youtube podemos assistir como diversas empresas engarrafam seus produtos!

Apesar dos noticiários nos bombardeiam com relatos de crimes hediondos, as pessoas se comportam como se todos fossem bons porque elas querem ser boas para o olhar alheio. Ao compartilhar um caso de desaparecimento, estas pessoas tão boas e de mentes tão puras não podem conceber que há quem crie falsas divulgações de desaparecimento apenas para brincar com todos e por isso, não se dão ao trabalho de se certificar se aquela pessoa sumiu memo ou se já foi encontrada. Assim no real quanto no virtual, qualquer ação que livre nossa consciência e nos iluda de que somos pessoas engajadas, preocupadas, politicamente corretas, de opinião e essas coisas todas que hoje caracterizam pessoas do 'bem', serve. Não importa se é fato ou não.

Talvez porque a onda da era tecnológica exija que ser antenado é ter máquina de secar roupa e pendurar roupa no varal seja algo antiquado. Plantar a coroa do Abacaxi pra que se podemos comprar, descascar e consumir? E de repente, o Abacaxi que brota no quintal seja bem mais saudável do que aquele que comprei e retirei a coroa pra plantar... 

A tecnologia vai não apenas nos tornando dependentes como também cegos e prisioneiros, incapazes de enxergar um palmo à frente do nariz. E ai, não adianta viajar o mundo inteiro se ainda não se é capaz de vasculhar todos os cantos do próprio ser. Não adianta chegar a Lua ou a Marte e não conseguir mergulhar na própria mente. Não adianta conseguir tudo o que se quer e ainda assim se sentir vazio ou com aquela sensação que ainda falta alguma coisa.

Dias atrás, acompanhei meu marido ao açougue e ele escolhia a linguiça que queria levar. Ele sempre escolhe a mesma marca por conhecer bem. Ficamos surpresos ao perceber que a linguiça era falsificada. A marca preferida e uma outra tão famosa quanto tinham lacres da mesma cor e aparência idêntica, revelando a quantidade de gordura e sebo superiores a carne. Observamos a quantidade de pessoas comprando aquelas linguiças acreditando estar levando a marca de preferência e não vimos nenhuma delas questionar  origem do produto. 


A mente cria várias ciladas e falsas ideias sobre tudo e isso foi criando tudo o que consideramos padrão, normal, correto. Mas, na era tecnológica as mentes estão passando por um 'upload'. Não se pensa mais e não se questiona mais então, tudo parece ser o que aparentemente é. A mente passa por uma atualização mas, atualização nunca significou 'baixar algo novo' mas, 'baixar algo que aprimore', não significando que este aprimoramento seja sempre para bem embora a positividade na palavra. Então, os reais conceitos e valores vão sendo extintos dando lugar a algo que não é novo, apenas mudou de nome. O que deveria nos acompanhar ao longo dos anos vai sucumbindo e aquilo que deveria ficar no passado é trago para o presente com nova aparência e nome. 

Se você ficar sem internet, televisão ou celular, não vai morrer por falta disto embora você sempre tenha uma desculpa para manter tudo isso. Houve um tempo em que se caminhava milhas para abraçar um ente querido. Houve um tempo que os laços invisíveis eram mais eficazes do que um SMS que muitas vezes chega atrasado. Houve um tempo que receber uma carta era o mesmo que receber a pessoa. Pobre do meu carteiro só me entrega faturas e cobranças...

Aliás, agora que aboli a rede social para socialização, semana que vem volto a escrever cartas. Já tenho alguns endereços para me corresponder. Se você também quiser ser antiquado e receber uma carta, envie seu endereço para shimadacoelho@yahoo.com.br.





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