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terça-feira, 3 de junho de 2014

Viver Morrendo para na Morte Viver


Onde está a luz no fim do túnel?
Diz que uma eu sou, impossível:
Ainda não voltei ao céu!
Vivo em um sonho... Alado corcel
Em um pesadelo que não acordei...
E nem estrela me tornei!

Olham-me estranhamente...
Meu mal ainda é latente...
Minha dor só é evidente
Para a Morte sempre insistente
Tornei-me sua obsessão
Que só finda em meu caixão!

Seis anos atrás o médico aprisionou-me...
Olhando em meus olhos, chamou-me pelo nome:
"- Mais um cigarro e seus dias estarão contados!”.
Tive o assunto, então, por encerrado!
Este mal não tem cura...
E não há vida que pra sempre dura!

A febre toma o lugar do fogo da ambição...
O que desejei arder foi meu coração...
Vibrei para atrair amor...
A vida generosa deu-me dor!
Não será de prazer que perderei o ar...
Nunca consegui parar de fumar!

Deixo a desculpa pra Morte de lado...
Não preciso de mais um fardo!
Morrer é inevitável!
Quanto vou viver? Improvável!
Não me preocupo, a vida é agora!
Se pensar, o dia vai embora!

A Vida não foi muito com minha cara...
Deu-me uma essência rara...
Deu-me ante-olhos e muitas opções...
Humilhação em boas porções...
Eu me negligenciei e me anulei...
Para andar na linha que traçaram, lutei!

Não bastasse minha respiração
Não bastasse viver na prisão...
Ela quer mais, mas não me leva de vez!
Precisa ver-me rastejando em invalidez!
Ela não quer mesmo que eu siga...
Quer meus passos, meu andar resigna!

Existe uma longa estrada ainda à frente...
Atrás, uma lesão persistente!
Eu somente posso rir demais...
Sou cínica, irônica e mais!
A Vida quer tirar meus passos apressados...
A Morte não quer meus resgates do passado!

Estou chegando agora na vida!
E me percebi que faz tempo que fui trazida!
Não sei ao certo para onde ir...
Tudo é novo, basta-me apenas sorrir!
Perdi meu tempo com enganos...
A Vida passou por etéreos encantos...

A Vida agora cobra impiedosa...
A Morte me exige extremosa...
O que mais desejei não foi encontrado!
O que perdi virou passado!
O que mais quero agora...
Logo ali mora!

Não sentirão minha falta se a Morte me levar...
Sentirão falta do que minhas mãos podem dar...
Não sentirão minha falta se recuperar o tempo perdido
Só irão perceber quando já tiver partido...
Já não me percebem, morta já sou!
Um espírito que vaga, sem rumo vou!

Vida quer me ver implorando?
Pois bem, com você continuo brigando!
Morte quer mesmo esta minha vida?
Esforce-se muito mais, querida!
Sou muito mais teimosa e perseverante!
Não vou desistir, eu teimo e vou avante!

Morrer... 
Já estou morta!
Viver...
Quando eu morrer!


São Paulo, 05 de Novembro de 2008, 20:08

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Viver Morrendo para na Morte Viver de Shimada Coelho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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