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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Jardim Secreto


Ainda construo os cenários de nosso mundo perfeito, sem me esquecer que a Lua radiante no céu e os gatos - testemunhas mudas - devem ser detalhes imprescindíveis. Tua voz sussurrando ao longe é a única parte de ti realmente presente.

O Jardim Secreto é o refúgio dos poetas. É onde eles preservam as sementes dos sonhos em risco de morrer, perdidas no Mundo do Caos. O vasto campo constantemente bombardeado vai dizimando todos os sonhos substituídos por vãs ilusões. Há quem pense viver um sonho... Há de fato quem se ilude e se mantém cego... Prende-se em um pesadelo feito de seu próprio Inferno disfarçado de Paraíso. Nos caminhos do Mundo do Caos, placas, brilhos e belas formas desviam a atenção da possibilidade de um pensamento concreto e um questionamento abstrato. Um gigantesco painel que esconde atrás de si todas as banalidades destruidoras humanas.

O mundo dos sonhos também é o das formas: todas as possibilidades desabrocham em todo lugar que o coração decidir pulsar um desejo.

A noite ali não tráz consigo o medo, apenas nos cobre com seu manto negro para melhor nos acomodarmos um no outro enquanto o sono não vem e deslumbramos os brilhos da imensidão.

O dia sempre é perfeito, os campos de Alfazema nunca murcham, os passarinhos sempre cantam, o vento perfuma a atmosfera com o frescor do Alecrim, e a relva verde é sempre a cama de todos os nossos devaneios.

O rio límpido canta uma canção de passagem - lava nossos pés de toda caminhada desgastante até ali. Às margens do rio cantamos nossas aventuras e anseios, pois nenhuma gota mais deve ser derramada sob as águas calmas: cada gota que despenca dos olhos tem a força de uma impiedosa tempestade.

Um Jardim Secreto sempre preservado onde, mesmo que o mundo desabe nada pode alterá-lo. Mesmo que o mundo ruir, ali habita a eternidade. Unicórnios brancos passeiam, e não há um príncipe montado sobre ele. Não há príncipes em lugar algum. O que os olhos buscam no horizonte são os estímulos que fazem o sangue correr e o coração saltar dentro do peito. Buscam um motivo para que a Alma ainda permaneça nesta doce prisão...

O corpo é um laboratório complexo que necessita constantemente criar suas reações. Cada ponto na superfície da pele é um alarme que invoca a atenção da Alma para algo atrativo tentando desvirtuá-la da vontade de alçar vôos.

Aquela dor incomoda na parte superior das costas deu lugar a uma coceira de ferida cicatrizada. Nunca mais haverá asas ali. Mas o vôo que leva ao Jardim Secreto não necessita de asas fortes, basta apenas um desejo e um abrir e fechar de olhos.

No centro do Jardim há uma Fonte de desejos: não é preciso jogar uma moeda para realizar um. Lá fluí as emoções e sentimentos que vão emergindo e fazendo com que o tato busque por algo que faça tudo chegar à superfície.

Banharemos-nos ali e depois correremos nus pela floresta que nunca cessa de cantar a canção dos mistérios. Seremos um, dois ou três. Seremos todos os bichos, animais e monstros para satisfazer a gana e alimentar a intenção do 'ser' e 'querer'.

É o que resta, pois a realidade é perigosa, oculta ciladas e está desabando sobre nossas cabeças! Fujamos logo de lá!



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Jardim Secreto de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

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