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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Esqueçam-me!

Eram 02:00 da madrugada de ontem quando cheguei da Santa Casa. Agora me lembrando, sinto como se tivesse passado a maior vergonha de minha vida!

Havia ido visitar minha mãe que acabara de sair da UTI do Hospital da Mulher... Preparei-me a semana toda pois, todos que passavam alguma informação vaga sobre o estado dela, passavam também a impressão de que era preciso vê-la para despedir-me dela. Perdi a conta de quantas foram as vezes que isso foi preciso...

O que aconteceu no hospital durante a visita não irei mencionar aqui, mas um dia todos saberão! Porque registro tudo em meus diários e os guardo como meus tesouros! Todas as verdades que precisam ser ouvidas e poupo-me em dizê-las na cara de quem precisa estão reservadas e quando forem ditas, todas as máscaras cairão!

Quero contar sobre meu retorno para casa. Sai do hospital onde já cheguei passando muito mal. Ninguém, absolutamente ninguém que convive comigo - fora meu marido e meus filhos - têm um pingo de respeito pelo meu modo de vida, muito menos capacidade mental para alcançar a compreensão do porque vivo assim!

Meu estado não foi levado em consideração momento algum... Por um instante me foi compreensivo: ninguém sabe o que tenho, muito menos me conhece! Incrível, mas esta é a verdade: tem gente que me conhece há 40, 30, 20 anos e ainda não me conhece nem o suficiente!

Eram mais ou menos quase 22:00 horas quando sai de lá para retornar pra casa, pois havia deixado meus filhos em casa sem nenhum adulto responsável: nossa vida é assim, somos nós por nós mesmos! Órfaõs isso que somos e nossa família se resume a 'nós'!

Considero meu marido alguém muito especial: ele é a única pessoa que conheço capaz de acompanhar meus raciocínios. Quando ele fala, meus pensamentos se organizam e vejo tudo com muita clareza. Ele falava comigo sobre a situação ocorrida no hospital e tudo ficou muito claro!

Meu cérebro entrou em colpaso! Tive uma crise e sempre parece ser sempre a pior de todas. O ônibus estava lotado. As pessoas ficaram extremamente preocupadas: talvez nunca viram aquilo antes!

Uns passageiros comunicaram ao motorista que não pensou duas vezes: foi com ônibus, passageiros e tudo para a porta da emergência da Santa Casa. Éramos apenas eu e meu marido e alguns passageiros solidários o ajudaram a me carregar pra dentro do hospital.

Logo de cara se perceberam do que estava acontecendo. Me deixaram em observação. Pressão 11X7... Teste de Diabete 102... Tomei medicações, as mesmas que sempre tomo quando isso acontece...

Meu marido compreende minhas limitações e se adapta a elas... Meus filhos me protegem e não me permitem sair sozinha. Eles respeitam o modo que criei para viver e me poupar desses episódios.

Há quem me diga o 'o quanto deseja que eu seja feliz', como se eu não fosse por ter esse problema que me limita. Há também quem diga 'para que eu pare de sentir essas coisas' ou que eu devo perdoar e tirar minhas mágoas do coração'. E ninguém sabe de nada e como sempre palpita e fica jogando dados com a vida que é só minha!

Eu sei o que tenho... Vocês não! E só vão saber depois que eu morrer! Até lá, quero continuar assistindo suas máscaras caindo o tempo todo e essa mediocridade toda de vocês!

Vocês substimam minha total inteligência e toda minha capacidade de enxergá-los! Tão espertos são, aprisionados em suas vidinhas medíocres fingindo que sabem viver melhor que todo mundo! Meu problema não é psicológico, nem emocional e muito menos sou louca! Certa vez, um médico me disse sorrindo: "- Tente se acalmar... Seu problema é pensar demais: você é inteligente demais!"

Minha vida é limitada, mesmo assim sou uma pessoa feliz dentro do modo que tento me adaptar ao mundo! Mas vocês, são limitados mentalmente, espiritualmente e psicologicamente! Vocês fazem parte do grupo de pessoas que sinto tremendo repúdio e asco! Individualistas e egoístas! Falsos e hipócritas! Vocês palpitam e consideram seus conselhos tão valiosos, mas não conhecem uma gota do que sou! Patéticos!

Excluam-me, mas não de uma listinha pobre virtual: excluam-me de suas vidas! Continuem vivendo como sempre viveram: não me enxergando, não me respeitando e nem lembrando que existo! Cansei de ser interessante apenas quando lhes convém!Cansei de ser a 'válvula de escape' e a 'muleta' de vocês! Cansei de ser a peça do joguinho de vocês onde acreditam poder me manipular para aliviar esse remorso que os remoem! Tentam livrar-se do peso da consciência pesada de vocês, mas saiba: vocês colhem tudo o que semearam!

Jamais darei a vocês o que esperam! Jamais trairei minhas convicções, a aceitação de mim mesma, minha postura diante de mim e de minha Vida, nem venderei minha Alma ao Diabo que é suas más intenções!

O que tenho, vocês nunca vão saber a não ser que eu morra! Porque exijo das pessoas respeito (se quiserem ser respeitados embora prefiram a falsidade e a mentira).Eu bem sei que no dia que souberam, vão sentir pena pois é só esse sentimento baixo que conseguem manifestar! E de você eu não quero e não preciso de nada! Pois é isso que sempre foram na minha vida!

Me respeitem e se não são capazes, me esqueçam e finjam que morri, pois sempre estive morta pra vocês mesmo! Respeitem meu modo de vida, pois sei porque tenho que viver assim!

Não quero piedade, não quero compreensão, não sou 'tadinha', nem vítima de nada!

Sou o que sou e se não são capazes de aceitar, vivam consigo mesmos!


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O trabalho Esqueçam-me! de Shimada Coelho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.

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