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domingo, 18 de dezembro de 2011

Súplica à Inspiração

(Imagem: Arquivo Pessoal - Trilha no Parque Egológico de Avaré)


Em meu esforço - feito um parto - não consigo poetizar...


Quão impotente me sinto... Sem poesia, não estarei mais enxergando a beleza que ainda há... Ou ela de vez desapareceu?


Poetizar jamais será uma fuga... E nem preciso fugir!


Poetizar é transcender além desta realidade e acessar - não reinos de fantasias ilusórias - mas outras realidades tão sólidas e palpáveis quanto esta!


Não consigo poetizar, porque minhas asas se fecharam, meus pés estão muito firmes no chão - enraizados -  e sendo assim, não consigo transpor a banalidade desta existência tão medíocre e retirar o melhor que há nela...


Aquelas pequenas coisas descartadas... Aqueles pensamentos tão íntimos e que passam mais rápido que a luz... Todos os sutis estímulos aos sentidos...
Onde estará minha melhor poesia? Talvez a última já foi escrita...


Não... Ainda pulsa sossegado meu coração, pois sabe ainda está vivo!


Ela apenas se esconde em uma de minhas cavernas interiores, temendo manifestar sua grandiosa regalia ou sua enorme simplicidade, talvez...


São tantos os caminhos que nos conduzem ao mergulho profundo em nós mesmos...
E são tantas as pedras que bloqueiam nossa passagem...Nosso introspecto...


Dá-me então, um bom bucado de tua essência...
Dá-me teu sopro... O gesto leve de tua mão no ar...
Dá-me a profundidade enigmática de teu olhar...


Quem sabe assim - impotente diante de tanta escuridão interior- eu encontre em ti minha melhor Inspiração...


Venham então, ventos errantes a soprar...
Despertando todos os sentidos para os meus sonhos que insanamente sonho acordada...


Desçam sobre mim cada nota desta suave melodia andante... Feito orvalho ou a chuva revigorante Outonal...


Que o tom mais agudo esteja em sintonia com o compasso mais forte de meu ansioso coração...
Tão doce e profundo mergulhar... Resgata meus dedos sobre as letras, feito os toques ao piano...


Submerge das minhas profundezas, ó Inspiração, feito o broto que vence tão árido chão... Ressuscita ao chamado de tão suave canção!


Quem sabe assim, diante de um olhar - teu olhar - eu veja o Amor que do mundo se escondeu... E quem sabe a existência real necessária do sonho mais belo chamado Alma!





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Súplica à Inspiração de Shimada Coelho é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.

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