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segunda-feira, 4 de março de 2013

Liberdade para Acreditar


"Se um mistério lhe foi revelado - resultado de buscas - guarda-o no mais seguro cofre
Não o transforme em tesoura afiada que corta tantos fios - que ainda restam - de esperança
Antes que anoiteça, que o fim venha e o sino dobre
A revelação não te seja arma, não te seja vaidade e nem impulso de vingança..."



Este é um verso de uma poesia que eu tento desenvolver ao longo do dia... Ela reflete uma lição que tive dificuldade em aprender e só foi aprendida no início do ano.

Anos atrás eu tinha certa agressividade em me expressar. Não queria que as pessoas pensassem como eu ou sentissem como eu... Queria que me 'ouvissem'. Queria despertar nelas a necessidade de refletir, questionar e pensar. O problema é que muita gente acabou evitando meus textos. Uma maioria... E quando há maioria, há uma minoria e entre eles há reflexos e contrastes. Imaginei que tipos de indivíduos evitavam os textos baseando-me naqueles que gostavam bastante: mal humorados, ceticistas, racionalistas, materialistas, agressivos, rudes, arrogantes e tudo o que é similar a tudo isso.

Comecei a analisar do porque...O que no texto atraia apenas a esse grupo de pessoas. Demorou muito tempo para perceber que não era o texto em si e o assunto, mas meu modo de expressar. Só fui perceber isso com clareza em um texto sobre o Natal...

Sempre tive predisposição a falar de temas que, ou as pessoas não tem coragem ou que são considerados ainda como tabu. A maioria das pessoas que escrevem e publicam, escrevem aquilo que as pessoas querem ler. Eu sempre acabo escrevendo aquilo que julgo que precisam ler... Minhas pesquisas sobre Natal se basearam em sites especializados no assunto... As informações não se viam como agora que podemos encontrar em toda parte ou que parecem apenas uma máscara para pessoas que querem passar a impressão de que sabem das coisas ou são corajosas e polêmicas.

O texto em questão desmembrava cada símbolo do Natal provando que ele nada mais é que uma ilusão, uma proposta consumista e uma mentir. A intenção não era exatamente essa mas, foi isso que as pessoas compreenderam.Analisando o texto, percebia que eu me mostrava aquele chato que chega para as crianças e diz que Papai Noel não existe ou aquele monstrinho verde que odeia Natal, o Grinch... A agressividade com que me expressava deixou tão claro isso que eu me via assim.

Entre aquele Natal e o outro toda minha visão mudou, não a respeito de Natal mas, no porque as pessoas ainda acreditam nele.Imaginei um mundo sem Natal, sem a troca de presentes, sem toda aquela decoração brilhante e colorida, sem aqueles pratos saborosos que só comemos no fim de ano, sem as crianças com sua melhor roupa, correndo pela casa ansiosas para abrir os presentes, daquela espera por um Papai Noel... E em quanta casa o avô, o pai ou o tio se veste de Papai Noel - ficando bem diferente do que ele seria - para entregar o presente das crianças que mesmo sabendo que debaixo daquela roupa toda havia o avô, ou o pai ou o tio, fingem acreditar!

Perguntei-me porque aquela criança interior gritava lá do fundo do meu ser e quando foi exatamente que a aprisionei ali. Percebi como minha vida se tornou chata, sem encanto, sem sentido e racional demais depois que a aprisionei...

Percebi também que isso se refletia em tudo o que acreditava ou deixei de acreditar. Passei a ser aos olhos dos outros a chata, a eco chata  a completamente chata e não é questão de se importar com a opinião dos outros... A questão é que quando muita gente enxerga a mesma coisa pode ser que elas estejam certas e você errado.Passei a ser previsível no sentido de que as pessoas já sabia em que assuntos eu iria me envolver e de que modo. Elas passaram a evitar os assuntos na minha presença por precaução.

Um dia, resolvi acabar com o Natal de todo mundo com um texto e minhas verdades absolutas  E percebi muita tristeza em quem se via obrigado a concordar com elas. Mesmo que a Vida tenha me ensinado tantas coisas sendo uma delas: Não propague o Mal, propague o Bem. Se não for capaz, não propague nada! Eu estava me transformando em alguém tão influenciável quanto as pessoas que eu determinava que fossem além de reprodutora do resultado do pensamentos dos outros. Será que não valeria a pena crer naquilo que resulta no que é bom ou Bem? 

Em um ano, vivi o Natal todos os dias para compreender o que seria Natal. E no final daquele ano meu texto de Natal foi algo completamente diferente.

Penso hoje que se tudo o que as pessoas pensam é ilusão ou fantasia, que seja. Afinal, essa ilusão e fantasia tem um poder considerável: dá resultados positivos também, caso contrário as pessoas não continuariam a insistir em seus sonhos. O que seria do mundo sem pessoas que sonham, criam ilusões e fantasias e melhor: o que seria um mundo se todos sepultassem de vez sua criança interior?

Sentir só pode ser algo além de nossa razão e nossa fisiologia... O ser humano é o único ser entre todos que pode sentir com toda essa capacidade intensa, mista e complexa. E como desprezar o que as pessoas sentem, mesmo que seja mera ilusão ou fantasia? Quando foi que aquilo que a pessoa constata por si mesma deixou de ser fato? Pode não ser pra mim mas será para alguém! Gostamos das coisas por identificação e só enxergamos aquilo em que acreditamos! O que um indivíduo constata por experimentação passou a ser ignorância e loucura. O que todos pensam passou a ser veredito.

Foi sentindo além dos sentidos que o pensamento e o questionamento se desenvolveram. Foram sonhos e fantasias que resultaram nas mais incríveis criações da Humanidade.

Que importa o que é sentir de fato? Importa mesmo ainda poder sentir!

Desculpa se entre estas tantas palavras não há dados científicos ou há citações de algum autor com uma coleção de letras antes do próprio nome... É que só fui capaz de compreender isso com um bando de crianças que sabiam que diante delas não estava o Papai Noel de fato, mas confessar que sabiam disto poderia destruir muito mais do que se pensa... Talvez, aquelas crianças nem acreditem mais em Papai Noel... Talvez, o pai, o avô ou o tio ainda acreditem... E que mal há nisso se tudo em nosso redor nesse nosso pequeno território demarcado é reflexo do que somos?


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