Hoje no fim da tarde, repentinamente um inconformismo me tomou. Eu poderia ter passado esta semana muito mal, mas o sofrimento já me calejou e se a consciência está limpa, ficar mal por que? Como sempre digo, a Vida se abre como um leque de possibilidades e vivências incríveis: o foco em uma única coisa é como caminhar como os cavalos com aquela peça de couro nos olhos...
Eu fui criada por meu pai para ser prendada, uma excelente dona de casa e mãe, enquanto minha mãe me ensinava Arte! Muito provavelmente ela sabia que minha Vida ficaria marcada sempre, como um estigma...Ela temia que tudo o que aconteceu com ela, acontecesse comigo, mas, aconteceu e pior.
A história de minha mãe e os homens que conheci me tornaram muito seletiva: eu sentia medo deles. Previsíveis, quando se aproximavam, era apenas uma coisa que queriam de mim. Ainda assim, como uma maldição hereditária, as mesmas coisas se repetiram e por muito mais vezes do que foi com ela. Sou grata que com toda a disciplina que ela me impunha e toda aquela rigidez excessiva, alcancei a compreensão de que ela só queria me proteger dos mesmos sofrimentos que ela viveu.
Na adolescência era hábito subir com um colchão de solteiro leve para a laje (a laje desta mesma casa que retornei), depois do jantar as 20:00 horas.Ás vezes, eu ficava ouvindo música, outras vezes, ficava ouvindo o silêncio quebrado pelos sons noturnos. Meu olhar se prendia e se perdia no céu estrelado e no horizonte. Eu acreditava que do outro lado havia alguém que também olhava as estrelas e o horizonte, desejando saber onde estaria a pessoa que amaria pela Vida inteira. Utopia adolescente... Não havia internet...O mundo é gigantesco.. Onde encontrar esse alguém e como esse alguém poderia me encontrar? E quando me deitava no colchão e olhava o céu, toda noite eu esperava ansiosa que uma estrela cadente passasse para fazer um pedido. E toda noite eu percebia uma e meu pedido era um só: encontrar aquele que me vez voltar para este mundo frio....
Eu perdi as contas de quantas vezes achei que me apaixonei. No primeiro defeito, na primeira tentativa de ultrapassar os limites, desfazia o namoro: sempre aquele comportamento padrão típico masculino. Apenas um namoro durou três meses e minha mãe insistia que eu me casasse com ele. Os outros, não duravam nem um mês. Eu queria casar virgem, não porque fosse moralmente correto: eu realmente acreditava que em algum lugar deste mundo, haveria alguém que me bastasse e que eu bastasse a ele.Eu desejava que minha primeira vez fosse uma entrega e esta entrega nunca aconteceu. Minha virgindade não foi entregue, foi tirada de mim.
Há algo de fabuloso no nosso cérebro e em nossa mente. Embora eu tivesse a péssima experiência com meu primeiro agressor, ninguém nunca conseguiu tirar minha virgindade. No pré- natal do meu primeiro filho, a obstetra constatou: eu ainda era virgem.Por eu ser mãe solo, ela decidiu marcar uma cesariana para preservar o hímen. Conheci meu ex marido com quem tive mais dois filhos que nasceram também de uma cesariana.
Talvez, não tenha rompido porque o Amor que eu esperava, nunca veio: casei devido as circunstâncias. Nunca será Amor quando o sentimento vai morrendo com as atitudes. Eu não fui feliz no casamento e quando meu filho mais novo se tornou maior de idade, fui atrás do divórcio.O sofrimento dos anos de casamento se tornou um tormento. Eu perdi tudo! Passei fome por tanto tempo que hoje, me acostumei a ficar sem comer.
Pra pagar minhas contas, ralei muito: desde crochê, artesanato, máscaras, telas a ponto de ter os calos na mão em carne viva, cobertos com fita crepe para que eu continuasse o trabalho. Quantas e quantas vezes pensei em me prostituir: afinal de contas, tudo o que os homens queriam de mim era me levar pra cama. Eu me lembrava da ótima criação que tive e da consciência que tenho sobre o que é honrar pai e mãe, então, trabalhava mais com a única coisa que sei fazer: Arte!
E de repente, já livre e solteira, vivendo minha Vida, vejo mulheres se expondo na internet e vendendo suas imagens para homens porque, assim como eu, precisam se manter. Não há nada errado nisso: eu não fiz o mesmo porque meus pais se preocuparam em que eu não chegasse a este ponto. Homens que procuram estas mulheres para ter a satisfação sexual, é comum e padrão. Eu já fui trocada pelo canal privê. Embora traída tantas vezes, ainda não era o bastante: a esposa que se desdobrava não era o bastante... Eles sempre querem mais!
Às vezes, achamos que há algo de errado conosco, que nós não somos capazes de dar real prazer. Não! O problema está neles! Vejo homens de todos os estados civis, iludindo mulheres para conseguir delas o que não podem pagar com aquelas que só tem como recurso vender a própria imagem. Pensamos: "Se formos como elas seremos tão cobiçadas e desejadas?". O Amor deseja ardentemente uma pessoa só: a paixão nunca acaba!
Continuamos esperamos o Amor,e vamos caindo nessas ciladas, enquanto tudo o que eles querem é uma fossa pra despejar seus fluídos: um corpo que possa tornar real o que está na imaginação e na memória deles daquilo que cobiçaram e não puderam tocar.
A mulher passou a entender que sexo é Amor. E quando ela está com seu parceiro é um modo de demonstrar o mais sublime Amor, mas, é na parceira que eles estão pensando? É no Amor?
Quando o tesão vem, não é com o nosso prazer que eles se preocupam: é com o do próprio pênis...
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